Emoções fortes
Dia de clássico. Um confronto entre rivais históricos pelo qual a maioria dos adeptos em Portugal não vai querer perder nenhum momento do primeiro ao último minuto. Uma partida especial que mexe com emoções fortes, dentro e fora do campo (e a este nível têm estado bem acesas) que tem tudo para ser entusiasmante. Além disso, este FC Porto-Benfica surge num momento interessante das duas equipas.
Numa liga que tem sido liderada pelo FC Porto e com o Benfica a apresentar-se abaixo das expetativas, o clássico surge após uma perda inesperada de pontos dos dragões na Vila das Aves e uma goleada das águias sobre o V. Setúbal. Um pequeno paradoxo que apimenta ainda mais o jogo de logo à noite, já que as equipas ficaram separadas por apenas 3 pontos e surge a curiosidade de ver a reação dos dragões e se o Benfica dá continuidade ao crescendo de forma perante um adversário bem mais exigente.
E há que ter em conta os cenários possíveis após este jogo, dado que podem surgir mudanças na classificação em função do resultado. Uma vitória portista coloca os rivais encarnados a 6 pontos e mantém os azuis e brancos na liderança. Já um empate, além de manter distâncias entre os dois rivais, pode fazer com que o Sporting se junte ao FC Porto na frente. Por sua vez, uma vitória do Benfica, coloca as águias em igualdade pontual com os dragões e pode dar a liderança ao Sporting, em caso de vitória dos leões no jogo de hoje frente ao Belenenses.
Este jogo será certamente um capítulo importante na história deste campeonato. E não tendo um carácter decisivo, pode embalar qualquer uma das equipas, ou até mesmo o Sporting, para um ciclo de maior confiança. E estando a aproximar-se também um Benfica-Sporting, todos os candidatos ao título estarão interessados em chegar a essa fase numa posição confortável.
Por jogar em casa, o FC Porto leva ligeiro favoritismo. E o Benfica estará um pouco mais pressionado, sabendo que uma derrota pode criar um fosso pontual para os rivais diretos. Mas isso, como sabemos, não quer dizer nada. Tratam-se de equipas habituadas a jogar em grandes palcos, pelo que a vitória pode pender para qualquer lado.
Não deixa de ser curioso que nestas equipas habituadas a alinhar em 4-4-2, o duelo pode ficar marcado por uma organização em 4-3-3 nos dois conjuntos. O FC Porto tem apresentado essa faceta perante adversários de maior nomeada, reforçando o meio campo com mais um elemento, e o Benfica, nos últimos jogos, com a introdução de Krovinovic na equipa titular, também tem adotado a versão de 3 médios, com melhorias visíveis no futebol praticado.
Se em termos de alinhamento tático as equipas poderão encaixar, resta perceber quem conseguirá implementar uma dinâmica bem-sucedida, controlando os momentos do jogo com e sem bola. Como acontece em muitos jogos entre equipas de valor semelhante, o desempenho na zona do meio campo, na pressão exercida para recuperar a bola e nas saídas para o ataque, pode ser um fator decisivo.
Frente a frente estarão os dois melhores ataques da liga portuguesa e também as melhores defesas. Em teoria e olhando para o perfil ofensivo de ambas as equipas, a manterem a mesma postura de jogos anteriores, diria que vai um ser jogo disputado e com golos. E a haver um vencedor, será sempre uma estreia no clássico para os treinadores. Sérgio Conceição tem aqui o seu primeiro FC Porto-Benfica, depois de já ter participado em vários duelos como jogador. Quanto a Rui Vitória, vai para a quinta tentativa, depois de 2 derrotas e 2 empates nos confrontos anteriores. Que seja um bom espetáculo!
O Craque – Maestro algarvio
No ano passado foi uma das referências do Portimonense, ajudando a garantir a promoção à 1.ª Liga com 9 golos e 9 assistências. Paulinho é um jogador influente na equipa algarvia e na presente temporada mantém o estatuto (2 golos e 5 assistências na liga). O médio ofensivo brasileiro é um criativo, que pode jogar no meio ou nas faixas, aliando elevada técnica, visão de jogo, boa finalização, desequilíbrios no um para um e rapidez de processos. É natural que já tenha despertado a cobiça de emblemas maiores.
A Jogada – Uma nova prova internacional
A ideia de um Mundial de Clubes alargado a 24 equipas, como nova prova para substituir a Taça das Confederações, já vinha a ser falada e ao que tudo indica poderá arrancar em 2021. A possibilidade de integrar 12 equipas europeias, abre espaço para que Portugal tenha algumas chances de ser representado. Mas também abre uma série de questões e assuntos para refletir. Como é que os clubes vão conseguir lidar com um calendário tão preenchido? Terão os plantéis de começar a ser compostos por mais de 30 jogadores?
A Dúvida – Pouco campeonato em dois meses
Nos meses de outubro e novembro realizaram-se apenas 4 jornadas da liga portuguesa. Um número distante do que aconteceu em Inglaterra (7 jornadas), França (7), Itália (7), Espanha (6) e Alemanha (6). Com a pausa das seleções e jogos de taças pelo meio (provas em que costuma ser feita alguma rotação de jogadores) este facto leva-nos a refletir se o calendário português não deveria ser repensado e se a própria prestação das nossas equipas nas provas europeias, em plena fase decisiva, não sai prejudicada com este ritmo mais baixo de competição. Deveríamos seguir o exemplo das principais ligas?
