Está aberto o leilão
No mesmo dia em que a liga espanhola anunciou ter vendido, para o mercado interno, os direitos de transmissão dos jogos para as próximas três temporadas por um valor de 2.650 milhões de euros, a NOS e o Benfica celebraram um negócio de cedência de direitos televisivos que pode valer 400 milhões de euros às águias nos próximos dez anos. As diferenças de valores para o país vizinho são abismais, mas trata-se de números nunca praticados antes no futebol português e que vão, certamente, dar o pontapé de saída para outras negociações, nomeadamente com FC Porto e Sporting.
Os pormenores do negócio ainda estão por revelar e tudo indica que na próxima semana existirão mais dados sobre o assunto. Mas muitas questões se levantam agora. A primeira é saber o que pensará o presidente da Liga de Clubes sobre este tema, já que uma das suas bandeiras passava pela centralização dos direitos televisivos da Liga. Um caminho que está a ser seguido em Espanha com os resultados referidos em cima.
São números muito atraentes para as águias, ainda mais se tivermos em conta que, face às despesas resultantes da operação da Benfica TV, os lucros obtidos pela exploração própria dos direitos de transmissão dos seus jogos em casa (cerca de 17 milhões de euros) são bem inferiores aos valores que agora se colocam em cima da mesa. O Benfica fez valer a sua posição de força e consegue, assim, um montante 4 ou 5 vezes maior do que aquele que recebia há cerca de três anos.
Em relação ao Benfica, fica a dúvida sobre onde serão transmitidos os jogos da equipa principal. A NOS garantiu os direitos televisivos dos jogos e a exclusividade da Benfica TV, mas também é proprietária de 50% da Sport TV, o que poderá constituir um regresso das partidas realizadas na Luz a este canal, a partir da próxima temporada. Uma questão a clarificar.
Apesar de o contexto económico do país ainda não ser o ideal, tudo isto acontece num momento de forte concorrência entre operadores de telecomunicações. Pelo que se percebe, a NOS terá ganho o contrato com o Benfica numa luta acesa com a Altice, dona da PT. As últimas notícias indicam que esta última empresa está já a movimentar-se também para adquirir os direitos de outras equipas emblemáticas da 1.ª Liga, como Boavista, V. Guimarães e Belenenses. E assim sendo, teremos mais do que um operador/canal a transmitir jogos do campeonato?
Por seu lado, parece evidente que tanto a NOS como a Altice, entre outros eventuais interessados, vão apontar agulhas para as outras duas trutas que faltam: FC Porto e Sporting. O acordo da NOS com o Benfica vai certamente despoletar a negociação dos direitos televisivos com os grandes rivais, que não desejam ser ultrapassados nesta questão e têm agora margem para defenderem os seus interesses. E numa fase em que as receitas são difíceis de obter para os dois clubes, já que ainda não encontraram um patrocinador principal que lhes pague um valor que entendam ser o mais justo, esta é uma grande oportunidade para tirarem o máximo proveito deste leilão que se avizinha.
A guerra entre operadores de telecomunicações parece ter chegado ao futebol nacional com investimentos avultados que nem os anteriores protagonistas (a ver vamos o seu papel no meio de tudo isto) conseguiriam cobrir. Não cumpre o desafio da centralização desejada por muitos responsáveis do nosso futebol, mas pode trazer um maior financiamento aos depauperados cofres dos clubes portugueses. Resta esperar pelos próximos episódios.
O craque -- Eficácia mexicana
Contratado em cima do fecho do mercado, Jesús Corona está a viver um início de época intermitente, não estando sequer entre os 15 jogadores mais utilizados por Julen Lopetegui. Mas isso não o impede de ser, nesta altura, um dos melhores marcadores da equipa e um dos mais eficazes, já que conta com a média de um golo por cada 85 minutos disputados no campeonato. Bem dotado tecnicamente e de habilidade apreciável, o mexicano prova que tem potencial para fazer a diferença nos jogos dos dragões. Necessita apenas de maior consistência exibicional para se tornar uma aposta mais recorrente.
A jogada -- A cultura do erro
Em Portugal, é uma prática comum. Basta um erro para crucificar uma pessoa e colocar em causa toda a sua carreira, competência e idoneidade. Tonel foi sempre um profissional exemplar e não é por um lance infeliz, que valeu a derrota da sua equipa, que esta imagem vai ser manchada. Só acontece a quem está dentro do relvado. Alguém que já jogou pela Seleção e que deu sempre o seu melhor pelas equipas que representou, não merece as reações negativas, e até insultuosas, que se ouviram esta semana. Com a experiência que tem, saberá dar a volta por cima.
A dúvida -- Real confusão...
Custa a acreditar que um clube tão grande como o Real Madrid, com uma estrutura organizada e profissional, tenha caído no erro de utilizar um jogador castigado na Taça do Rei. Com a utilização indevida do russo Cheryshev no jogo com o Cádiz, os merengues poderão ser desclassificados da prova, o que representa um duro golpe nas aspirações da equipa de Cristiano Ronaldo nas provas internas, já que se encontra a seis pontos do Barcelona na liga, após ser goleado em casa pelos rivais. As críticas são mais que muitas. Estará a liderança de Florentino Pérez em risco?
