Expetativas renovadas
Está dado o arranque para a nova época. Os clubes já se preparam para mais uma época de ambições renovadas. Os plantéis ainda estarão distantes da sua versão final em finais de agosto, pelo que é tempo de os treinadores avaliarem a matéria-prima que têm à sua disposição e tomarem as primeiras decisões, enquanto os atletas vão melhorando a sua condição física.
Não há fórmulas mágicas para fazer uma equipa campeã, mas na maioria das vezes, o segredo passa por manter o núcleo duro de jogadores e retocar criteriosamente as posições que estiverem mais desequilibradas em função das saídas que se verificarem, acrescentando valor com reforços cirúrgicos. E será em função da base existente que as equipas se formarão, assimilando depois as entradas de novos jogadores e a qualidade adicional que possam trazer.
Forçados a venderem ativos para equilibrarem as suas contas, os três grandes, pelo que se vai lendo, deverão perder 2/3 elementos chave do seu plantel. Mais do que isso, poderá tornar as missões mais difíceis para Rui Vitória, Sérgio Conceição e Jorge Jesus. Sobretudo pelo tempo que é sempre necessário para os novos jogadores ambientarem-se ao clube e ideias do técnico.
Mesmo sem Ederson e Lindelöf, o Benfica parte com estatuto de favorito. É tetracampeão e, por isso, surge na linha da frente. Com a possibilidade de ainda surgirem saídas (e entradas), a base da equipa não deverá ser muito diferente em relação à época anterior. Por agora, Rui Vitória vai analisando vários jogadores dos quadros do Benfica e pensando nos cortes que terá de fazer a um plantel que conta com cerca de 40 atletas. Esta primeira triagem será também importante para perceber, entre os atletas mais jovens, quem terá oportunidade de integrar a equipa principal.
No FC Porto, a estratégia tem passado por arrumar a casa. Encolher os quadros com a venda e colocação de jogadores excedentários, ao mesmo tempo que se analisa a matéria-prima existente entre plantel, valores da equipa B e atletas que estavam emprestados (Ricardo Pereira será uma opção a ter em atenção). André Silva foi, até ao momento, a saída mais sonante, sendo que Rúben Neves, ao que dizem as notícias, pode ser a próxima venda. Tal como referi em casos anteriores, é pena que estes talentos vindos da formação dos clubes portugueses saiam tão cedo, sem atingir o estado de maturação plena, mas tornam-se apetecíveis para os principais mercados e a questão financeira acaba por ser determinante.
Porque também começa a época mais cedo, o Sporting parece estar apostado em definir o seu plantel o mais rapidamente possível. Jorge Jesus identificou as lacunas da equipa e colmatou esses lugares com a entrada de atletas com estatuto reconhecido e dos quais esperará rendimento imediato. Jogadores como Fábio Coentrão (se estiver bem fisicamente), Mathieu, Bruno Fernandes ou Doumbia são apostas sérias para o onze titular. Os leões procuram assim aumentar o número de soluções (no ano passado, a falta de opções em determinados lugares, acabou por ser um problema) e dar um acréscimo qualitativo à equipa. Além disso, há ainda miúdos da formação leonina para valorizar (como referiu Bruno de Carvalho há alguns meses).
Estamos em plena "silly season" e muitos vão ser os nomes falados para transferências. O mercado começa a fervilhar e aos técnicos só resta continuar a trabalhar e potenciar o que tiverem à sua disposição. O próximo campeonato não dará vagas para todos na Liga dos Campeões, pelo que a competição será muito exigente.
O Craque – Líder na baliza
Depois de tantas notícias sobre a sua saída e após vários destinos apontados, a verdade é que Iker Casillas continuará a defender a baliza do FC Porto. Uma excelente notícia para os portistas e para a liga portuguesa, que continuará a contar com um dos jogadores mais titulados do futebol mundial. Mas para além do prestígio, está a qualidade de um guarda-redes que confirmou, ao longo das últimas duas temporadas, que continua a ser um guardião de topo. Será um dos líderes do balneário e um elemento chave no plantel dos dragões.
A Jogada – Preparar o futuro
As nossas seleções jovens continuam a fazer boa figura e a equipa sub-19 garantiu um lugar nas meias-finais do Europeu da categoria. Trata-se de uma geração talentosa, recheada de atletas com grande margem de progressão, alguns deles já com experiência de 1.ª e 2.ª Liga, como é o caso de Rui Pedro, que apontou 2 golos em 2 partidas neste Euro Sub-19. Os bons resultados e as conquistas são sempre importantes, como é óbvio, mas é visível o trabalho que tem vindo a ser feito na preparação de jogadores de elite, por parte de clubes e federação. Os frutos estão a aparecer.
A Dúvida – Empréstimos e despesas…
Os principais clubes nacionais vivem acima das capacidades. Em função das aspirações desportivas, acabam por suportar o investimento através do endividamento. E com isso, esperam retirar resultados financeiros, com a posterior venda de ativos que cubra as despesas. Percebe-se a mecânica do negócio. Menos compreensível, é este hábito despesista, de contratar jogadores (a maioria sem possibilidades de vestir a camisola do clube) para depois os emprestar a clubes da 1.ª Liga. Estará o foco na valorização dos atletas? Faria sentido limitar ainda mais os empréstimos entre clubes da mesma divisão?
