António Oliveira

António Oliveira Senador da Fundação do Futebol

Fazer muito melhor

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Ao longo das últimas décadas, uma máxima que sempre vingou entre os profissionais do FC Porto, entre dirigentes, treinadores, jogadores e restantes elementos, consiste em tentar ser muito melhor do que os adversários. Não basta ser tão bom como eles. Para tal acontecer, a competência e o rigor de todos são essenciais para que não ocorram falhas e seja criada uma estrutura de tal modo coesa, que consiga resistir e ser menos permeável a fatores externos.

Vem isto a propósito do atual momento do clube, à procura de um novo treinador, depois de quatro temporadas sem conquistar o título. Confirmada a saída de Nuno Espírito Santo, antes de encontrar um novo técnico, importa perceber o que correu mal e criar condições para que as coisas mudem para melhor na próxima época. E nesse diagnóstico, as conclusões não podem apenas centrar-se nas culpas do treinador.

Embora recheado de bons valores, o FC Porto partiu para esta época com um plantel com desequilíbrios. Apenas três laterais, três centrais e um ataque desprovido de soluções para alas e para o centro. Até à chegada de Soares, o jovem André Silva teve nos ombros todas as despesas do ataque e Depoitre revelou-se uma aposta falhada. Por seu lado, o tempo que Brahimi esteve de fora no início da época não foi benéfico.

A composição da equipa, limitada por um defeso em que não se verificaram mais-valias significativas com a venda de jogadores, acabou por afetar as escolhas. Nuno Espírito Santo herdou um plantel jovem, que mesmo assim conseguiu qualificar-se para a Liga dos Campeões, chegar aos oitavos-de-final da prova e lutar pelo título. Mas para um clube como o FC Porto, o 2.º lugar será sempre o primeiro dos últimos.

Apesar dos problemas que foi tendo, sobretudo ao nível da eficácia ofensiva, a equipa foi mostrando qualidade no capítulo da organização defensiva. E com a vinda de Soares, os dragões entraram num momento ascendente, em que as nove vitórias consecutivas pareciam catapultar a equipa para um final de época forte. Tal não aconteceu e o FC Porto apenas venceu três dos nove jogos seguintes.

As constantes mudanças na estrutura tática da equipa não deram a estabilidade necessária para esta ponta final (jogadores como Herrera, Layún, André André, Corona, Oliver e o próprio André Silva foram entrando e/ou saindo das opções) e a falta de controlo emocional, talvez pela inexperiência dos atletas, acabou por ser um bloqueio em determinados momentos.

Há algum demérito portista na forma como perdeu a oportunidade de passar para a liderança em certas fases do campeonato. Faltou alguma ousadia no banco e audácia para tentar vencer jogos com uma maior dose de risco. A melhor cara do FC Porto desta época contemplou sempre largura pelos flancos, com dois extremos abertos a municiar o ataque. Nos jogos em que isso não aconteceu, os dragões tiveram mais dificuldade.

Pelo que tem sido dito, terá sido Nuno Espírito Santo a optar por sair. A ditadura dos resultados foi a razão, dirão outros. Mas há que aproveitar as coisas boas que o treinador deixa. Uma base de atletas valiosos, com conhecimento aprofundado do clube e mais jogos nas pernas. Há potencial numa equipa que defende bem e pratica bom futebol. Resta agora perceber o que vai acontecer no verão, quem parte e quem entra e que matéria-prima encontrará o novo treinador, que deverá agarrar o sentimento de revolta do grupo, para este mostrar que é capaz de fazer melhor, muito melhor que os rivais.

O craque – Sempre a ganhar

Na época de estreia ao serviço do Manchester United, José Mourinho conquistou 3 troféus: Supertaça, Taça da Liga e agora a Liga Europa. No clube inglês, ninguém fez melhor nos últimos 8 anos. E trata-se do 4.º troféu internacional do treinador português, uma marca que o coloca entre os melhores da história do futebol europeu (é o segundo com mais títulos). Ao todo são já 25 títulos em 17 anos de carreira e 4 países diferentes. Mesmo com o futebol em constante evolução, a qualidade de José Mourinho continua a evidenciar-se.

A jogada – A final da Taça

Benfica e V. Guimarães disputam no domingo a final da Taça de Portugal no Jamor. Um jogo entre o campeão e uma das equipas que melhor futebol praticou durante a temporada tem tudo para ser interessante. Como curiosidade, Rui Vitória, que venceu uma Taça ao serviço dos vimaranenses frente ao Benfica, vai agora viver a final do outro lado da barricada. E teremos ainda a estreia do vídeo-árbitro, pelo que já poderemos ter uma ideia de como funcionarão as coisas a partir da próxima época. Que seja um bom espetáculo.

A dúvida – Do céu ao inferno

Uma época de verdadeiros altos e baixos para o Arouca. Num ano de estreia na Liga Europa, onde quase eliminou os gregos do Olympiacos, tudo parecia indicar que a equipa iria fazer uma época tranquila. O técnico Lito Vidigal seguiu para Israel após a 21.ª jornada e deixou a equipa no 10.º lugar com 27 pontos e a 13 pontos de distância da linha de água. Incrivelmente os arouquenses só conquistaram 5 pontos nas 13 jornadas seguintes e acabaram relegados à 2.ª Liga pela diferença de um golo. A equipa terá pensado que tinha a temporada resolvida cedo demais? O que terá falhado?

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