Final merecida
Portugal fez história e parte com legitimidade em busca da glória. Uma equipa que não se deixou abalar pela crítica e que fez do coletivo a sua grande mais-valia. Sem romantismos, mas com muita paixão pelo jogo, a Seleção portuguesa está a viver um dos momentos mais marcantes da sua história. Aquela equipa que muitos, sobretudo estrangeiros, apelidaram de "patinho feio" da prova, conseguiu chegar à final do Campeonato da Europa. Um exemplo de entrega, competitividade e pragmatismo que premeia um conjunto bem organizado que tem sabido lidar com os adversários e as situações adversas que tem tido pela frente.
Depois de uma fase de grupos um pouco frustrante, em que a superioridade da nossa equipa não se fez valer nos resultados, a sorte voltou a aproximar-se de Portugal. A começar pelo milagroso golo da Islândia nos descontos, que nos atirou para um caminho mais acessível em direção à final. Mas o sucesso só foi atingido porque, a partir do confronto com a Croácia, a exibições da Seleção começaram a crescer de jogo para jogo. O talento veio ao de cima.
Temos uma Seleção que conseguiu anular as principais armas dos adversários. E que trabalha para ser feliz nos momentos certos. Visto de fora, e aos olhos de alguma imprensa estrangeira, pode parecer que esta equipa é uma espécie de Cristiano Ronaldo e mais 10, mas na verdade é no coletivo português que tem estado a principal força. Cada parte desempenha o seu papel num todo que apresenta solidez, ambição e inteligência tática. Esta era também a fórmula do País de Gales, que ao contrário de Portugal, recebeu imensos elogios. Em campo mostrámos que somos superiores aos galeses e o patinho feio afinal virou cisne. Talvez passem a falar de nós com outro respeito.
Agora o destino é Paris. O adversário da final será fortíssimo. Mas esta Seleção de Fernando Santos deu-nos motivos para estar confiantes. É porventura a equipa mais pragmática e calculista que o nosso futebol já viu. E todos os campeões têm uma dose desse tempero. Um lugar na história já está conseguido (a nível individual, CR7 também o fez ao igualar Platini no topo dos maiores goleadores de sempre em Europeus). Agora venha daí esse momento de glória que noutras alturas nos escapou por entre os dedos.
POSITIVO
Fernando Santos alcança a final do Euro’2016 sem ter sofrido qualquer derrota em jogos oficiais desde que assumiu o comando da Seleção há quase 2 anos. Um feito notável.
NEGATIVO
Ouvir franceses, que até já se apuraram para um Mundial com um golo marcado com a mão, criticar o jogo português é da mais pura demagogia. Um finalista tem sempre mérito.
