Visão de jogo

António Oliveira
António Oliveira

Isto não é futebol

1 - Os adeptos do Sporting, e quem gosta de verdadeiramente de futebol, estariam longe de imaginar que chegássemos a uma situação destas. Aquilo a que o país assistiu na passada terça-feira, com um ato de vandalismo que culminou em agressões a jogadores e staff técnico dos leões, é inadmissível. Há que juntar todos os esforços para se colocar um travão aos sucessivos casos de violência que temos assistido.

Se a violência entre adeptos já era (e é) um problema de gravidade crescente, verificar que isto ultrapassou todos os limites e chegou a jogadores e treinadores obriga-nos a uma profunda reflexão. Isto não é futebol. Deixar alimentar um clima de medo, com agressões a membros de uma equipa profissional, os verdadeiros artistas da modalidade, não é, de todo, o caminho.

Nos últimos tempos, o Sporting viveu momentos de instabilidade interna, com a visível tensão existente entre presidente, treinador e jogadores, a agudizar-se. E este mau estar ganhou contornos ainda maiores com os sócios a ficarem do lado dos jogadores.

Depois do momento crítico que foi a derrota com o Atlético Madrid, na capital espanhola, as 6 vitórias consecutivas que se seguiram e o empate caseiro com o Benfica, que colocava os leões no 2º lugar da liga, pareciam ter apaziguado as hostes. No entanto, surgiram novas declarações a envolverem o presidente e Jorge Jesus, entrevistas, a derrota na Madeira e reuniões tensas que terão gerado suspensões que depois foram desmentidas. O ar tornou-se irrespirável. E um bando de energúmenos resolveu perpetrar um ato criminoso (que deve ser punido severamente).

Para o Sporting, é o momento de os sócios voltarem a ter a palavra. São eles que devem dizer se querem ou não continuar a ser liderados por Bruno de Carvalho. Devem analisar que condições existem para que o clube volte a ter estabilidade e com que pessoas isso pode ser feito. O atual presidente foi, até há bem pouco tempo, um líder incontestado. É bom não esquecer. Mas alguns comportamentos recentes não foram bem aceites nem compreendidos. E perante tantas demissões, o apoio ao presidente, inclusivamente dos acionistas, é hoje menor. É necessária uma solução para a crise.

Relativamente aos atos de violência, os incidentes de Alcochete são mais um episódio que se junta a outros que infelizmente temos assistido. Os agentes políticos e desportivos garantiram alterações de lei e castigos "doa a quem doer". Há que responsabilizar todas as partes. Como alguém já disse, se os atos de vandalismo nas proximidades dos estádios custassem pontos aos clubes e as penas fossem mais pesadas, a legalização das claques seria um processo mais fácil e os prevaricadores seriam afastados de recintos desportivos até pelos clubes. Haverá disponibilidade de todos os agentes para esta tolerância zero?

2 – A final da Taça de Portugal, que se realiza no domingo, fica marcada pelos acontecimentos desta semana atribulada. Apesar de não terem preparado o jogo da melhor forma, e de não estarem com as melhores condições anímicas para o mesmo, os jogadores do Sporting vão marcar presença no Jamor. Do outro lado, será um dos dias mais marcantes da história do Desportivo das Aves. Que seja, dentro do possível, uma festa bonita.

3 – Estão escolhidos os 23 jogadores que o selecionador Fernando Santos vai levar ao próximo Mundial na Rússia. É uma tarefa sempre difícil, porque ficam sempre elementos preciosos de fora. Mas a partir deste momento, são estes os atletas que vamos apoiar, acreditando que a Seleção tem qualidade e talento para fazer uma boa prestação na prova. 

O Craque – A equipa do Sporting
É difícil imaginar o que terá passado pela cabeça de jogadores, treinadores e staff do Sporting, durante aqueles minutos de terror que viveram na Academia de Alcochete. Uma equipa de bons profissionais, que deram sempre o seu melhor e que, esta temporada, estiveram a lutar por todas as competições em que o clube esteve envolvido durante mais tempo do que qualquer outra formação portuguesa. Os resultados nem sempre são aqueles que os adeptos esperam e o Sporting até pode vir a ter um saldo de 2 troféus conquistados. Nada justifica aquele caos. Uma palavra de solidariedade para toda a equipa.

A Jogada – Deixar a justiça funcionar
A semana viu ainda surgir mais um caso a envolver o Sporting, com um alegado esquema de corrupção no andebol e no futebol. Tal como noutros processos que estão atualmente a ser investigados sobre o Benfica, há que assumir sempre a presunção de inocência dos envolvidos e deixar a justiça funcionar, com as autoridades a fazerem o seu trabalho. Se vierem a ser comprovados factos ilícitos, que sejam punidos os infratores. O ideal é que tudo se esclareça e a verdade venha ao de cima. Levantar um dedo acusador na praça pública, e tentar tirar proveito disso, não fica bem a algumas entidades.

A Dúvida – É preciso agir
As suspeitas permanentes que se levantam sobre os jogadores das equipas mais pequenas, afetando a honra e dignidade dos atletas, colocam em causa o normal funcionamento das competições e justificam uma ação dura da Liga e da FPF. Tal como disse ontem, Joãozinho, jogador do Tondela: "alguém tem de por mão nisto. Nenhum jogador quer vir para Portugal. Se erra é porque está vendido. Se acerta está comprado pelos outros clubes." Se os próprios jogadores sentem isto, justifica-se ou não uma tomada de posição? Estão criadas condições para que a próxima época decorra com normalidade?

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