Jogos de paciência
A poucos dias do arranque oficial da nova época, os clubes nacionais ainda trabalham no sentido de definirem os elencos finais com que vão atacar a próxima temporada. Em ano de Europeu, Copa América e Jogos Olímpicos, as dinâmicas do mercado parecem um pouco mais lentas do que o habitual e os clubes parecem estar ainda à procura dos melhores negócios no que respeita a entradas e saídas.
Agosto será, por isso, um mês de importantes decisões. A colocação de jogadores excedentários e as vendas que ainda estão por fechar serão decisivas para a eventual chegada de reforços, uma vez que darão fôlego financeiro para colmatar as lacunas que os técnicos possam estar a detetar nos seus conjuntos.
Em paralelo, outro fenómeno está a afetar o mercado de transferências. Os milionários contratos televisivos do futebol inglês inflacionaram o valor das transferências de jogadores, com os clubes vendedores a tentarem obter um quinhão maior se o comprador for inglês. E a verdade é que, perante esta reação do mercado, os clubes britânicos tentam jogar com o tempo, no sentido de obterem valores mais do seu agrado. Até ao momento, e sendo óbvio que os clubes da Premier League vão investir em novas aquisições durante o corrente mês, só o Manchester City abriu verdadeiramente os cordões à bolsa. Assim que as competições arrancarem tudo deverá acelerar. E olhando para a realidade portuguesa e para as notícias que têm vindo a público, os principais clubes nacionais possuem alguns alvos que poderão motivar o interesse inglês.
Enquanto aguardam o que vai trazer (e levar) o mercado, os treinadores continuam a preparar as suas equipas no sentido de se apresentarem o melhor possível. É tempo de assimilar ideias, criar rotinas e afinar motores. Trabalha-se sem verdadeiramente se saber com que peças se poderá contar no futuro. No entanto, assim ditam as leis do mercado, e é algo que todos os clubes nacionais se habituaram a ter de lidar.
Com a disputa da Supertaça neste fim de semana, Benfica e Braga marcam o arranque da época em Portugal. A equipa de Rui Vitória perdeu dois dos anéis mais preciosos (Gaitán e Renato Sanches), mas parte com a legítima ambição de conquistar troféus, sobretudo o tetra, um feito inédito na história encarnada. Alguma curiosidade para ver o que poderão valer reforços como Danilo, Cervi, Carrillo e Zivkovic. Já o Braga pretende aproximar-se dos três primeiros lugares, faltando saber se a necessidade de vender os principais valores vai ou não limitar as suas ambições.
Em relação ao Sporting, a Liga volta a ser a sua grande meta. Por agora, a base do plantel da época passada mantém-se, mas é forte a cobiça por jogadores vitais na época passada como Slimani e os recém-campeões europeus (ainda mais valorizados) Rui Patrício, William Carvalho, Adrien e João Mário. Falta saber se o assédio de clubes europeus irá tirar alguma destas pérolas a Jorge Jesus.
Quanto ao FC Porto, a chegada de um novo treinador obriga a um novo período de habituação. Já se começa a notar o dedo de Nuno Espírito Santo na forma de jogar. Agora só com tempo a equipa poderá evoluir. Face à qualidade do plantel, os portistas não deixarão de ser candidatos ao título e assumir esse favoritismo. Os dragões continuam ainda com indefinições, mas face aos compromissos desportivos que se aproximam, tudo se começará a clarificar em breve. Dos dirigentes aos treinadores, passando pelos jogadores, vão-se fazendo jogos de paciência no futebol nacional.
O craque -- A aventura catalã
Ajudou Portugal a sagrar-se campeão da Europa e protagonizou recentemente uma das transferências mais sonantes do mercado. André Gomes chega ao Barcelona depois de se destacar ao serviço de Benfica e Valencia. Sendo um jogador muito forte no passe e circulação de bola, assim como no transporte da mesma para zonas mais ofensivas, o médio encaixa perfeitamente na forma de jogar da equipa catalã. Depois de Figo, Fernando Couto, Vítor Baía e Deco, o legado português em Barcelona tem um novo representante com condições de ser bem-sucedido.
A jogada -- Falta de bom senso
O problema podia ser facilmente resolvido pela FIFA, mas não foi. As dificuldades que as seleções participantes nos Jogos Olímpicos sentiram para formar as suas equipas não condizem com a importância do evento. Faltou bom senso. No caso português, vários membros de uma geração fantástica que trabalhou para chegar a este momento alto viram-se impedidos de participar em função da incompatibilidade de calendários de clubes e seleções. Rui Jorge teve um enorme desafio para formar uma equipa. As ambições terão de ser mais contidas. Que tenhamos uma participação digna.
A dúvida -- Novos intervenientes
Partimos para a temporada com novas lideranças nos Conselhos de Disciplina e de Arbitragem da FPF. Que seja uma mudança para melhor, com maior celeridade na justiça desportiva e uma maior coerência nos critérios e caminhos da arbitragem. Independência, rigor e eficiência é o que se pede para que o futebol português, hoje com as insígnias de campeão europeu, possa também dar um salto qualitativo fora de campo. Os testes previstos com a utilização do vídeo-árbitro geram também grande expectativa. Que rumo segue o futebol nacional? As dúvidas serão dissipadas ao longo da época.
