Jornada europeia trouxe lições
Duas derrotas em casa e uma vitória como visitante. Este foi o saldo das equipas portuguesas na primeira jornada da Liga dos Campeões. As derrotas de Benfica e FC Porto acabam por ser inesperadas, já que eram ambos eram teoricamente favoritos a jogar no seu reduto, e a exibição sólida do Sporting em Atenas, a primeira de uma equipa portuguesa naquele estádio em mais de 40 anos, acabou por ser uma boa surpresa, apesar dos 2 golos sofridos no fim. Os prognósticos não se revelaram fáceis para os apostadores e há lições a retirar destes 3 jogos.
Esta "descida à terra" pode muito bem servir para afinar agulhas nos jogos seguintes. Numa competição onde o grau de exigência é maior e nada pode falhar, a jornada europeia acabou por expor algumas fragilidades nas equipas portuguesas, o que permitirá fazer um diagnóstico daquilo que terá de ser resolvido no futuro.
Talvez devido ao desgaste causado pelos compromissos de seleções, com os jogadores forçados a fazerem longas viagens e a terem pouco tempo para treinar, a qualidade exibicional dos últimos 3 jogos do Benfica baixou. Não se tem visto a habitual acutilância e intensidade e, neste jogo com o CSKA Moscovo, um adversário que até nem fez muito para ganhar, notou-se uma certa incapacidade de reação, a que não será alheia a ausência de Fejsa (muito importante a defender e a participar na primeira fase de construção) e um abaixamento de forma de Pizzi (o motor da equipa).
Por seu lado, no aspeto defensivo as águias também acabaram por ceder espaços fatais. É precisamente neste setor, onde se registaram as saídas mais relevantes durante este mercado de verão, que Rui Vitória ainda estará à procura do quarteto ideal que lhe dê mais segurança. Neste momento, parece ser aqui que estão as maiores dores de cabeça do treinador.
Já o Sporting deu uma resposta cabal a quem previa que estava apenas destinado a jogar por um lugar na Liga Europa. A exibição na primeira parte foi de encantar e, jogando assim, frente a Barcelona e Juventus, pode ter a legítima esperança de conquistar pontos. Não será fácil, visto que se tratam de oponentes muito mais fortes, mas a união e fluidez de processos que os leões apresentam, permitem pensar em jogos equilibrados.
Contudo, aqueles 2 golos sofridos no fim, depois de o mesmo ter acontecido na partida com o Feirense após estar a ganhar por 2-0, denotam alguma dificuldade do Sporting em gerir os acontecimentos na última meia hora. A equipa descomprime nas partes finais por uma questão física (desgaste) ou mental (desconcentração)? Algo a melhorar nos desafios seguintes, já que deslizes destes pode levar à perda de pontos.
O FC Porto acabou por ser batido em casa por uma equipa muito competente. O Besiktas soube aproveitar, com grande frieza e eficácia, os erros defensivos dos azuis e brancos. Tal como assumiu Sérgio Conceição, a abordagem ao jogo poderá não ter sido a melhor, porque os turcos estiveram quase sempre superioridade numérica no meio campo durante a primeira parte, e isso foi determinante para bloquearem os dragões e saírem para o ataque com espaço e perigo.
Este jogo vem mostrar que, perante adversários de maior grau de exigência, os dragões talvez tenham de rever as dinâmicas do seu meio campo, de maneira a impedir que os oponentes entrem no seu reduto defensivo da maneira que o Besiktas fez. A chave de muitos jogos passa pela solidez no miolo do terreno e essa será certamente uma vertente que o treinador do FC Porto vai tentar melhorar.
O Craque – Veia goleadora
Gelson Martins é um dos grandes valores da equipa do Sporting, por força da sua velocidade e capacidade técnica. A atuar pelas faixas e em zonas interiores, acaba por criar muitos desequilíbrios e surgir em posição privilegiada para assistir os companheiros. No ano passado foi mesmo o jogador com mais assistências da liga. Neste arranque de época, parece apostado em ser um jogador ainda mais completo, finalizando mais vezes. Os 5 golos em 8 partidas, são um bom indício, fazendo dele uma peça decisiva nos leões.
A Jogada – Defesa começa no ataque
Sérgio Conceição referiu esta semana que o bom desempenho defensivo de uma equipa começa no trabalho dos seus atacantes nesse processo. Faz todo o sentido. Basta recordar, noutros momentos, jogadores como Derlei, Lima ou Slimani, e a importância que eles tinham na pressão que as suas equipas exerciam quando não tinham a bola. A implementação desta dinâmica no coletivo acaba por ter influência no processo defensivo já que a recuperação da bola tende a ocorrer em zonas mais avançados do terreno. Uma máxima antiga que permanece atual.
A Dúvida – Faltam árbitros para o VAR?
Com apenas 5 jornadas decorridas é difícil fazer já um balanço sobre o papel do vídeo-árbitro (VAR). O próprio processo de implementação levará o seu tempo até que tudo funcione em pleno. No entanto, não parece sensato que o mesmo árbitro tenha sido VAR em 3 jogos do mesmo clube em apenas 5 jornadas. Por falta de recursos? Porque será que apenas o atual quadro de árbitros no ativo pode executar as funções de VAR? Ex-árbitros internacionais, com experiência reconhecida, não poderiam dar também o seu contributo?
