Luvas de Ouro
No campeonato inglês é atribuído um prémio ao guarda-redes que cumpriu mais jogos sem sofrer golos na competição. Ao contrário da habitual contabilidade do número total de golos consentidos, nem sempre conclusiva, esta é uma distinção mais eficaz, destacando o trabalho dos guardiões que conseguiram manter a sua baliza inviolada em maior número de ocasiões. Este tipo de contabilidade na liga portuguesa leva-nos a algumas curiosidades sobre quais os guarda-redes que valem mais pontos.
Por esta altura, a edição deste ano da liga portuguesa teria na frente Rui Patrício como principal candidato a ganhar a Luva de Ouro, nome pelo qual este prémio é conhecido em Inglaterra. O guardião leonino conta 15 jogos em que não deixou entrar qualquer golo, uma média próxima de uma imbatibilidade de 50% nos jogos em que participou. O bom momento da equipa do Sporting ajuda a explicar estes números, mas também o crescimento do jogador.
Nota-se que Rui Patrício é hoje um guardião mais concentrado e confiante, o que transmite ainda mais segurança aos companheiros de sector. Ao bom jogo de mãos e eficácia nas saídas, melhorou imenso o domínio de bola com os pés e isso influenciou o rendimento da própria equipa, no capítulo da primeira fase de construção, dinâmica e velocidade de jogo do conjunto de Jorge Jesus.
No encalço do sportinguista está o brasileiro Rafael Bracali, que já atingiu a marca de 14 encontros sem ser batido na liga, mantendo as redes seguras em 44% dos jogos. A boa forma do guardião do Arouca espelha também o desempenho da sua equipa (a cumprir a melhor época de sempre) ao longo da temporada, com grande segurança e organização defensiva, sendo um obstáculo difícil de superar pelos adversários. O experiente guarda-redes supera concorrência de peso. Voz de comando, agilidade entre os postes e bom jogo de pés são atributos que Bracali tem colocado em campo, sendo uma das grandes referências do brilharete do Arouca.
Júlio César e Iker Casillas, pelo seu estatuto, seriam naturais candidatos a liderar esta lista. No entanto, surgem em 3.º lugar, ambos com 12 partidas sem sofrer golos. No caso do guardião do Benfica, a lesão sofrida em março acabou por impedir uma marca maior e os números mostram que esteve invicto em metade dos 24 jogos em que alinhou. Quanto ao portista, o seu registo acaba por ser afetado pela fraca prestação defensiva da equipa na segunda volta, já que nas primeiras 17 jornadas, o espanhol cumpriu 9 jogos sem consentir golos.
Cássio é outro dos experientes guardiões brasileiros presentes no nosso campeonato que vale pontos. Com ele a baliza do Rio Ave esteve segura em 11 ocasiões, o que permite fazer com que os vila-condenses estejam na luta pelas competições europeias. Já Marafona começou a época em Paços de Ferreira e depois seguiu para Braga. Duas equipas onde as exibições do guarda-redes foram preciosas, já que a sua baliza não abanou as redes em 10 encontros. Este número foi também atingido por Mika, outro guardião português, peça importante na campanha do Boavista na luta pela manutenção.
Para completar o top 10, Stefanovic, do Moreirense e o estorilista Kieszek foram valores seguros nas suas equipas. E uma palavra para aquele que talvez estivesse a ser o melhor guarda-redes da liga até à sua saída em janeiro. Kritciuk estava a cumprir uma excelente temporada em Braga, com exibições notáveis e um registo de 9 jogos sem sofrer golos em apenas 18 encontros. O russo seria certamente uma das figuras desta prova.
O craque – Experiência na frente
Deu nas vistas ao serviço do Marítimo, onde apontou 12 golos em 4 épocas, e foi esta temporada resgatado pelo União da Madeira depois de uma experiência no Azerbaijão. A aposta foi certeira. Danilo Dias está a fazer a sua melhor época em Portugal, sendo o melhor marcador da equipa com 7 golos no campeonato. É um médio ofensivo veloz, com boa qualidade técnica, que pode alinhar nas alas e no meio. Finaliza bem e também assiste os companheiros, tendo influência em 35% dos golos da equipa. A experiência do brasileiro deu uma vital ajuda à provável manutenção dos madeirenses.
A jogada – Campeões inesperados
O trajeto recente do novo campeão inglês, o Leicester City, é uma daquelas histórias que davam um livro. Uma equipa que há pouco mais de um ano parecia condenada a descer de divisão, teve uma ponta final incrível, manteve-se no escalão principal e conquistou a prova no ano seguinte. Sem dinheiro para contratar estrelas (quarto orçamento mais baixo da prova), o Leicester mostrou que é possível competir com organização e um coletivo forte. Força mental e capacidade de transcendência fazem autênticos milagres. A equipa de Claudio Ranieri foi brilhante nesse capítulo.
A dúvida – O patinho feio
A Taça da Liga continua a ser o patinho feio das competições em Portugal. De vez em quando lá surgem os clubes a criticar a prova e, se não estão de acordo com algo, ameaçam que vão colocar as reservas ou a equipa B. Na verdade, esta prova foi pensada para que os clubes da Liga pudessem rodar o seu plantel. Temos visto equipas a alinhar com os titulares e outras a optarem pelos suplentes. Começa a estar na altura de definir uma verdadeira identidade para a prova e a forma como devem todos os clubes encarar a mesma. Para estar tudo como até aqui, faz sentido continuar com a competição?
