António Oliveira

António Oliveira Senador da Fundação do Futebol

Made in Portugal

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Os clubes portugueses são capazes de autênticos milagres desportivos nas competições europeias. Perante equipas com orçamentos gigantescamente superiores, as nossas equipas têm conseguido bater-se sem medo de sonhar com a vitória, mostrando que os jogos não se ganham apenas com a conta bancária. Contudo é preciso ter jogadores de qualidade. E mesmo com a saída, quase inevitável todos os anos, dos seus melhores ativos, os emblemas nacionais têm tido uma notável resiliência e capacidade de regeneração.

Mesmo com a equipa em processo de construção, o FC Porto realizou uma exibição categórica, personalizada e cheia de coração. Tendo pela frente o todo-poderoso Chelsea de José Mourinho, os dragões não se deixaram amedrontar e exerceram uma forte pressão sobre os ingleses. É um regalo ver um menino de 18 anos, Rúben Neves, a defender e a atacar com grande maturidade e dinâmica, fazendo mexer a sua equipa e nada preocupado em ter pela frente nomes conceituados como Fábregas, Ramires ou William.

No dia seguinte, em Madrid, nova prova de que a qualidade não se mede pela carteira em Portugal. Um Benfica bem organizado, pragmático e de grande eficácia silenciou os adeptos do Atlético de Madrid na sua própria casa. E é bom relembrar que esta equipa foi campeã espanhola e finalista da Liga dos Campeões há duas épocas. Mais uma vez, nomes como Nélson Semedo (que já desperta a cobiça de emblemas europeus) e Gonçalo Guedes estiveram em evidência, a par do consagrado Gaitán. Dois jovens a crescer e cada vez mais preparados para atuarem ao mais alto nível.

Para além dos pontos que tanta falta fazem a águias e dragões, assim como ao ranking português na UEFA, e dos milhões que valem as vitórias, esta é também a prova de que a aposta na formação, se bem articulada com a política desportiva, pode dar frutos. E isso não significa deixar de contratar bons valores no exterior. Justiça seja feita, o Sporting foi precursor nesta estratégia, ainda que forçada por motivos financeiros, estando os jovens Tobias Figueiredo, Carlos Mané, Gelson Martins e Matheus Pereira (que ontem se estreou) entre os atletas lançados nos últimos tempos.

Ganham os clubes e, em segunda instância, também as seleções nacionais, que passam a ter melhor matéria-prima à sua disposição. E mesmo entre os que já emigraram, são vários os atletas "made in Portugal" que estão andar cartas e a crescer para outro patamar. Cédric foi considerado esta semana o melhor lateral direito da Premier League inglesa e João Cancelo o mais promissor da liga espanhola na mesma posição.

Por seu lado, o portista Ricardo, emprestado ao Nice, tem dado nas vistas como lateral-esquerdo (quem diria?) com várias assistências e eleito para o onze da jornada em França por duas vezes seguidas. E há ainda os casos de Bernardo Silva, Rony Lopes e Ivan Cavaleiro, ou do médio Bruno Fernandes, da Udinese, que já tem o gigante Milan a suspirar pelo seu concurso.

Noutros clubes portugueses, o guarda-redes André Moreira,de apenas 19 anos, é um dos menos batidos da liga portuguesa, sendo um dos destaques do União da Madeira. E João Palhinha (Moreirense), André Horta (V. Setúbal), Diogo Jota (Paços de Ferreira), Dálcio ou Fábio Sturgeon (Belenenses) são rostos, entre muitos outros, que personificam a regeneração do nosso futebol. E mais talentos, alguns em incubação nas equipas B, estão a prestes a despontar. Há motivos para acreditar em mais milagres.

 

O craque - Confirmar o prognóstico

O seu nome foi falado como possível reforço portista durante o defeso, mas uma valorização de 10 milhões de euros por metade do passe acabou por bloquear o negócio. Agora o bracarense Rafa parece querer corresponder à avaliação que o António Salvador faz do seu talento. Depois de uma época menos inspirada, parece estar de regresso às boas exibições com 3 golos (2 deles decisivos) nas últimas 3 partidas do Braga. Um jogador de qualidade que pode resolver jogos de um momento para o outro. Caminha para o ano da confirmação.

 

A jogada - Bom arranque de Paulo Sousa

Como jogador sempre foi um líder e um médio de grande inteligência tática. Qualidades que está também a evidenciar como treinador. Venceu troféus na Hungria, foi campeão em Israel e na Suíça e lidera agora a liga italiana com uma Fiorentina que estava pouco habituada a essas andanças. Uma exibição categórica, na goleada sobre o Inter em pleno San Siro, é mais um passo na afirmação de Paulo Sousa no futebol europeu. Uma carreira bem gerida pelo treinador, que está a subir a pulso e promete bons resultados.

 

A dúvida - Leão tem de jogar mais

As expectativas são altas no Sporting. Chegou um treinador campeão, vieram jogadores experientes e com valor reconhecido, sendo que a base da equipa que cresceu com Leonardo Jardim e Marco Silva se mantém praticamente toda. Mas demora tempo implementar novas ideias e a colocar a equipa na forma ideal. Apesar de partilharem a liderança da Liga, as exibições dos leões têm deixado a desejar. Daí que usar o argumento da arbitragem pareça redutor. Esta época o Sporting já foi prejudicado e beneficiado. E a nota artística?

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