António Oliveira

António Oliveira Senador da Fundação do Futebol

Mais tempo para evoluir

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É indesmentível que a entrada de Renato Sanches no onze principal do Benfica revolucionou o futebol da equipa, soltando as amarras e o vazio de ideias que o miolo do terreno encarnado vinha a denunciar na fase inicial da temporada. Um miúdo de 18 anos foi a solução encontrada por Rui Vitória, já depois de ter tirado Nélson Semedo e Gonçalo Guedes da cartola. E o jovem tem impressionado pela forma como preenche o meio-campo e exibe maturidade.

É uma das revelações do campeonato e trouxe outra dinâmica ao futebol dos encarnados, pela forma aguerrida com que pressiona e recupera bolas, mas também pela facilidade que mostra no transporte, visão de jogo, qualidade de passe e o remate fácil, que já lhe valeu 2 golos de belo efeito. Rapidamente se habituou ao futebol dos 'graúdos' e as suas qualidades indiciam que podemos estar na presença de um futuro grande jogador. No entanto, há que o deixar desenvolver e deixá-lo ultrapassar as naturais etapas de crescimento, que passam muito por ter mais jogos nas pernas, vitais para a sua afirmação. Os rótulos precoces de prodígio, comparações com grandes estrelas mundiais e os acenos de transferências não contribuem e criam um peso adicional nas costas do jogador sem haver necessidade.

A robustez física e bom toque de bola de Renato Sanches permitem-lhe combinar técnica e agressividade, sentindo-se confortável nos momentos defensivo e ofensivo. Tem por isso capacidade e atributos para desempenhar várias funções no corredor central, característica que tranquiliza qualquer treinador.

O jogador dá também nas vistas pela elevada confiança dentro de campo. É importante que não deixe que a fama e o estrelato o desconcentrem e que continue a saber lidar com a pressão e responsabilidade de jogar num grande do futebol português. Nesse aspeto, o papel do treinador e dos companheiros, assim como dos dirigentes, é essencial, no sentido de proteger o jogador e orientá-lo para o seu crescimento.

Com pouco mais de 20 jogos pela equipa principal do Benfica, sucedem-se as notícias que dão como certa a sua saída no final da temporada. Seria importante que estes talentos projetados pelos clubes nacionais, aos quais se podem juntar nomes com Rúben Neves ou Gelson Martins, entre outros, pudessem permanecer mais tempo nas equipas que os projetaram. Seria benéfico para os clubes, que manteriam jogadores de qualidade da sua formação, e para os jogadores, que poderiam assim crescer num quadro mais benéfico para a evolução das suas carreiras. Por vezes, uma saída precoce não é a melhor solução para se conseguir uma carreira consolidada.

Nota - Com a Rússia cada vez mais próxima de Portugal no ranking da UEFA, os pontos conquistados pelas equipas nacionais nas competições europeias são preciosos no sentido de continuarmos a ter 3 vagas (duas diretas e uma indireta) na Liga dos Campeões. O duelo entre Benfica e Zenit ganha assim um interesse adicional e na Liga Europa há que tentar somar vitórias na próxima semana.

O CRAQUE

Bom momento de Pedro Santos

Com a sua equipa ainda presente em quatro frentes, Paulo Fonseca tem aproveitado as boas soluções existentes no plantel do Braga para gerir recursos nas diferentes competições. Isso tem permitido a afirmação de vários jogadores na equipa bracarense. Pedro Santos é um dos casos. Face à concorrência de Alan e Rafa nem sempre é titular, mas o rápido extremo tem estado em evidência, com 6 golos nos últimos 8 jogos da equipa. O esquerdino tem dado boa resposta, mostra maturidade e está a realizar a melhor época da carreira.

A JOGADA

No arriscar é que está o ganho

A estatística tem destas coisas. A pior defesa da liga portuguesa pertence atualmente a uma equipa que está num 'confortável' 9.º lugar da tabela. O Belenenses conta com 48 golos sofridos no presente campeonato, uma média superior a 2 por jogo. Marítimo (14.º) e Setúbal (10.º) compõem o trio de defesas mais permeáveis com 43 e 40 tentos sofridos, respetivamente. Em comum, estas equipas têm o facto de praticarem um futebol mais ofensivo, sem blocos defensivos muito baixos. Arriscam mais e têm sido premiadas, o que explica as classificações longe dos lugares de descida.

A DÚVIDA

Caminhos perigosos

A Comissão de Instrução e Inquérito (CII) da Liga abriu um processo contra o FC Porto pelo que foi escrito na 'newsletter' diária do clube, dirigida a adeptos portistas, sobre o árbitro Rui Costa. Depois de ter arquivado casos de maior relevância para o futebol português sem nada ter concluído, a CII parece agora querer entreter-se com 'fait-divers'. A entrar por este campo, tudo aquilo que os clubes e seus profissionais dizem nas suas 'newsletters', revistas, jornais e redes sociais passa a ser alvo de escrutínio e passível de processo. Será que faz sentido desempenhar este papel de censor?

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