Maratona de futebol
A nova época está prestes a começar. Renova-se a esperança, aumenta a crença num ano recheado de glória e a ansiedade aperta à medida que a bola começar novamente a rolar. Com as equipas ainda em processo de afinação e a composição dos plantéis a não estar fechada, teremos um mês de agosto a fervilhar com jogos e transferências pelo meio. A vida dos treinadores não será fácil.
Estamos a 24 horas de se iniciar uma autêntica maratona de jogos nas competições nacionais. Durante este mês, entre 5 e 27 de agosto vão disputar-se a final da Supertaça e as primeiras 4 jornadas do campeonato (o que configura uma excelente oportunidade para os nossos emigrantes, habitualmente de férias no país durante este período, poderem ver os seus clubes em ação). Contas feitas, no espaço de 22 dias, vamos ter jogos do futebol nacional em 17 deles e pelo meio surgirão ainda as partidas das competições europeias. Os adeptos vão poder tirar a "barriga de misérias".
As equipas do principal escalão vão a jogo com 18 treinadores portugueses e o mesmo acontece na 2.ª Liga (20 timoneiros lusos). Entre técnicos com maior ou menor experiência, todos os clubes das provas profissionais decidiram apostar na competência nacional, o que demonstra um enorme reconhecimento da qualidade dos nossos treinadores, hoje profundos conhecedores do trabalho tático e do treino, inteligentes na leitura das partidas e capazes de se adaptarem a diferentes abordagens e contextos de jogo. Espera-se apenas que nesta temporada não se repita a constante dança de cadeiras que se verificou no ano anterior. É algo que não beneficia a imagem dos clubes e prejudica as carreiras dos próprios treinadores.
O primeiro desafio é a Supertaça, colocando novamente em confronto os finalistas da última Taça de Portugal: Benfica e V. Guimarães. Os encarnados partem como favoritos, mas há que contar com os vimaranenses, que têm dado boa conta de si nos últimos jogos de preparação, em particular naquele em que venceram o Sporting por 3-0 com uma excelente exibição. O Benfica ainda procura a forma ideal e uma maneira de resolver os problemas que tem sentido na defesa. Com duas equipas a não estarem ainda no seu máximo, teremos certamente um jogo interessante e bem disputado.
Já o Sporting parece ter a sua equipa base montada para atacar este início de época (campeonato e playoff da Liga dos Campeões), sendo a zona defensiva aquela que sofreu mais alterações. Os leões sofreram alguns dissabores com a prestação da defesa nos jogos de preparação, mas a equipa tem melhorado os seus processos defensivos e o rendimento deverá crescer de jogo para jogo. Os primeiros indícios apontam para um Sporting mais forte do que o da época passada, mas o mercado e as possíveis saídas de jogadores nucleares podem ainda interferir na força que o leão irá evidenciar em 2017/18.
Por seu lado, o FC Porto aproveitou a base do ano passado (à qual se juntaram alguns regressos de jogadores cedidos), mas Sérgio Conceição está a incutir uma mentalidade e forma de jogar diferente, colocando a equipa mais pressionante e incisiva, a fazer mais movimentações no ataque e uma rápida circulação de bola, seja em zonas interiores ou explorando as faixas, estando sempre perto da baliza adversária. O dragão mostra bons indícios, mas também ainda falta perceber de que modo o mercado vai deixar o plantel no final de agosto. Que venham os jogos a sério, para tirarmos todas as dúvidas.
O Craque – Um regresso positivo
Um bom exemplo do reaproveitamento de recursos que Sérgio Conceição está a levar a cabo no FC Porto. Pelo que se viu nos jogos de pré-época, Vincent Aboubakar encaixou que nem uma luva na equipa portista e tem feito uma dupla mortífera com o brasileiro Soares. Uma excelente oportunidade de valorizar um ativo que tem qualidade e pode evoluir ainda mais. Avançado rápido e forte, que não tem medo do choque e arriscar o remate, pode ser uma referência nesta temporada dos dragões. A renovação do contrato seria um passo importante.
A Jogada – Maior favoritismo
A conjugação de resultados que permitisse ao Sporting ser cabeça-de-série no sorteio do playoff da Liga dos Campeões era muito improvável. Mas o quase impossível tornou-se realidade e os leões acabaram por beneficiar dos afastamentos de Dinamo Kiev, Ajax, Viktoria Plzen e Club Brugge. Uma boa notícia para a equipa portuguesa que assim escapa de adversários com argumentos bem mais fortes como Sevilha, Liverpool, Nápoles e CSKA Moscovo. Não será na mesma um sorteio fácil, mas o adversário poderá ser encarado com maior otimismo.
A Dúvida – Ignorar o óbvio
A semana ficou marcada pela possível interdição do Estádio da Luz, a propósito do regulamento de segurança de utilização do recinto não ter sido, até àquela altura, aprovado pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Este problema parece estar resolvido, como seria previsível. No meio disto tudo o que não se compreende é como o Benfica, e os seus responsáveis, continuam a ignorar as questões relacionadas com as suas claques não legalizadas. Assobiar para o lado e fazer de conta não é a postura mais correta.
