Máxima cautela
É perante adversários teoricamente mais fáceis que, por vezes, surgem deslizes totalmente imprevistos que nos deixam com a corda na garganta na hora de fazer as contas finais. Deste modo, e sobretudo depois da derrota na Suíça, a margem de erro é mínima para a Seleção Nacional. Vencer Andorra e as Ilhas Faroé será um passo essencial para começar a amealhar pontos que nos façam chegar ao próximo Campeonato do Mundo. A nossa qualidade e talento são superiores, mas será necessária toda a concentração e intensidade para cumprir o objetivo.
Perante uma das mais fracas seleções do planeta, classificada no 203.º lugar do ranking da FIFA, não há muito a concluir: temos obrigação de ganhar hoje e, se possível, com um bom resultado, capaz de dar confiança ao grupo das suas capacidades. A seleção de Andorra, que até conta com alguns jogadores de nacionalidade portuguesa, é composta na sua maioria por atletas amadores de divisões secundárias de Espanha e da própria liga andorrana. Será certamente o jogo da vida de muitos destes jogadores, entusiasmados com o momento e prontos a dar tudo para tentar adiar os golos de Cristiano Ronaldo e companhia.
Numa partida em que se espera uma presença constante no meio campo adversário, Portugal terá de ter muito foco, paciência e acima de tudo respeito pelo adversário. Entrar em campo com a máxima motivação e ambição, com os portugueses preparados para darem o seu melhor na procura de chegar aos golos, de modo a não perderem o seu equilíbrio emocional. O pragmatismo que Fernando Santos cunhou nesta Seleção, que já se tornou uma imagem de marca, será essencial para esta dupla jornada, e como o próprio selecionador disse, é preciso mudar o chip de campeão europeu para aquela equipa que venceu o Euro.
Na segunda-feira teremos pela frente um adversário relativamente mais forte, mas ainda assim muito distante das capacidades lusas. Porém, há que ter a máxima cautela com a seleção das Ilhas Faroé, que recentemente conseguiu empatar 0-0 com a Hungria (essa mesma, que nos marcou 3 golos em França e venceu o grupo em que estávamos inseridos), no mesmo palco em que irá receber a equipas das quinas.
Não tendo grandes pergaminhos na modalidade, esta equipa nórdica cometeu a proeza de vencer a Grécia por duas vezes no apuramento para o último Europeu. Além disso, trata-se de uma equipa que sofre poucos golos, o que denota uma preocupação em fechar com afinco os caminhos da sua baliza. Comandada há 5 anos pelo dinamarquês (país onde alinham muitos dos seus atletas) Lar Olsen, que enquanto jogador venceu o Euro’92, esta seleção foca os seus trunfos essencialmente no jogo aéreo e num futebol mais físico, um estilo com o qual as equipas portuguesas não se costumam dar bem e para o qual devemos ter atenção. O encontro com a Islândia em França, que culminou num empate, serve de aviso para os perigos que conjuntos desconhecidos com esta forma de jogar podem proporcionar.
Depois de uma entrada em falso contra os rivais suíços, onde a equipa portuguesa esteve algo desinspirada, é necessária uma resposta forte para inverter o rumo. Estes são adversários com os quais é proibido perder pontos, já que qualquer escorregadela se pode tornar fatal para as nossas aspirações. Vencer significa continuarmos a depender de nós próprios para chegarmos ao Mundial’2018. É esse o caminho a trilhar nos próximos desafios.
Craque – A brilhar na Turquia
Depois de uma época em que este cedido aos espanhóis da Real Sociedad, Bruma regressou ao Galatasaray e está a ser um dos jogadores em destaque deste início de temporada na liga turca. O extremo português, formado no Sporting, já apontou 2 golos e realizou 3 assistências. Além disso, os números indicam que é um dos jogadores com maior número de dribles por jogo, o que vinca um grande aproveitamento das suas principais características: boa técnica, desequilibrador no um para um, velocidade e capacidade de finalização. Esta pode bem ser a sua época de afirmação.
A Jogada – Um grande exemplo
A semana fica marcada pelo desaparecimento de Mário Wilson, uma figura de relevo do futebol português, que ficou especialmente ligada a dois clubes: Académica e Benfica. Um profissional que, como jogador e treinador, sempre se distinguiu pela forma de estar, cordialidade e inteligência como via o futebol. Como treinador cumpriu mais de 500 jogos no principal escalão. Deixa um legado importantíssimo para todos aqueles que conviveram com ele e um exemplo enorme para o nosso futebol: para lá de todas as rivalidades, o lado humano é sempre mais importante.
A Dúvida – Enigmas no Restelo
O avançado Fábio Sturgeon foi afastado do plantel do Belenenses. Algumas notícias relacionaram o caso com a recente mudança de agente por parte do jogador, algo que os responsáveis da SAD do Restelo já negaram. Pouco tempo depois, o treinador Júlio Velázquez, que até estava a fazer um trabalho positivo, pediu a demissão, alegadamente por discordar da decisão da SAD. No espaço de duas épocas e meia, onde conseguiu um 6.º e um 9.º lugar, o Belenenses avança agora para o seu quinto treinador. Serão mais os fatores extra-desportivos a motivar tantas mudanças?
