Visão de jogo

António Oliveira
António Oliveira

Medida corajosa

Talvez como forma de apaziguar o clima conturbado em torno das arbitragens, a FPF decidiu antecipar o vídeo-árbitro e vai avançar com esta medida já na próxima temporada. Uma ferramenta que se saúda e que será útil para melhorar o trabalho dos árbitros e diminuir erros de decisão. Até aqui tudo bem e as perspetivas são positivas. Resta a dúvida, estarão reunidas as condições para que isso aconteça de imediato?

O treinador do Boavista, Miguel Leal, levantou ontem uma questão pertinente. Importa operacionalizar a introdução do vídeo-árbitro e perceber se todos os estádios da 1.ª Liga portuguesa estarão preparados para a implementação da tecnologia de modo a que os 306 jogos do campeonato tenham o mesmo tipo de tratamento e atenção nos recursos tecnológicos que forem utilizados. Não poderão haver estádios com 20 câmaras instaladas e outros com apenas 7 ou 8. Importa perceber se todos os jogos poderão ser acompanhados pelo vídeo-árbitro de modo equitativo. Outra questão mais técnica passa por saber quem ficará responsável pela realização das imagens que chegarem ao vídeo-árbitro.

Por outro lado, falta perceber como é que equipas e adeptos vão acolher a entrada da tecnologia no futebol, que terá um impacto nas paragens de jogo (que todos esperamos ser o mais reduzido possível) e no desenrolar das próprias partidas, com algumas decisões a poderem demorar até 15 segundos a ser tomadas e o árbitro principal, em caso de dúvida, a poder optar por visionar as imagens para poder decidir. É certo que a comunicação será reduzida ao estritamente necessário, mas até que ponto estas paragens podem prejudicar as equipas e aborrecer os espectadores? É cedo para dizer se o espetáculo em si mudará para melhor. Mas se a mudança trouxer decisões mais acertadas será um fator positivo.

O vídeo-árbitro servirá para reduzir o descontentamento dos clubes em relação às arbitragens, mas não irá erradicar o erro a 100%. E essa é uma premissa que deve ser bem clarificada desde o início, para que, no futuro, não venham dizer que a tecnologia não teve os resultados que se esperavam e se acabe com o projeto ao fim de pouco tempo. Trata-se um mecanismo de apoio que terá grande utilidade para os árbitros ajuizarem corretamente um maior número de jogadas, mas está longe de ser a solução que resolverá todos os problemas.

O hábito de justificar os insucessos com base nas más arbitragens está enraizado no futebol português. É transversal a qualquer um dos clubes e, sobretudo, aos três grandes. Com mais ou menos razão, a verdade é que são quem mais costuma trazer estes temas para a praça pública, por força da exposição mediática que vão tendo. Pode ser que a introdução da tecnologia ajude a mudar as mentalidades e modere os discursos de todos os intervenientes.

Noutra perspetiva, e numa altura em que se fala tanto da importância do profissionalismo na arbitragem, o vídeo-árbitro parece ser também uma excelente oportunidade para se prolongar as carreiras e o tempo de atividade dos árbitros. Atingida a idade limite para atuarem nos relvados, poderão perfeitamente continuar a operar enquanto vídeo-árbitros, tirando partindo da experiência de vários anos para tomarem decisões chave que serão muito importantes, por vezes decisivas, no desfecho de muitas partidas. Este é um ponto muito positivo e que deve ser tido em linha de conta. Aqui também há que aproveitar o conhecimento dos melhores.



O craque – Extremo com golo

Numa época em que só agarrou a titularidade a meio do campeonato, Hernâni está a ser um dos principais dínamos do V. Guimarães, equipa que atravessa um positivo ciclo de 6 vitórias seguidas na liga, segue com o 4.º lugar consolidado e vai marcar presença na final da Taça de Portugal. O extremo apontou 3 golos nas últimas 3 jornadas, aumentando para 12 o número de tentos apontados esta temporada, a melhor marca da sua carreira. Veloz, criativo e raçudo, o jogador está num bom momento e, quem sabe, se estas exibições lhe valerão um regresso ao plantel do FC Porto no próximo ano.

A jogada – Também é especialista

Tal como Vítor Oliveira, José Mota conseguiu novamente uma promoção à 1.ª Liga, desta feita ao serviço do Desportivo das Aves, clube que tem grandes ambições para o futuro. O experiente treinador já havia feito a ponta final que trouxe o Feirense ao principal escalão (substituindo Pepa) e repete agora o feito na equipa de Vila das Aves, dando seguimento ao trabalho iniciado por Ivo Vieira. Mérito por manter as equipas no rumo certo e atingir o objetivo, podendo ainda lutar pelo título da 2.ª Liga, competição que já venceu por 2 vezes ao serviço do Paços de Ferreira.


A dúvida – Um passo a dar

Esta temporada o Benfica atingiu pela 2.ª vez a final da Youth League, a chamada 'Champions dos Pequeninos'. Por seu lado, o FC Porto repetirá, a 17 de maio, a presença como finalista no Premier League International Cup. Já o Sporting lidera isolado o atual campeonato nacional de juniores. Em paralelo, as Seleções jovens marcam presença nas grandes competições e saiu agora a convocatória para o Mundial de Sub-20. Os clubes estão a trabalhar bem na formação. O futuro promete. Faltam mais oportunidades para os jovens. Estarão os emblemas nacionais preparados para isso?






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