António Oliveira

António Oliveira Senador da Fundação do Futebol

Não fica por aqui

Adicione como fonte preferencial no Google

Perante um adversário difícil, vencedor das duas últimas edições da Copa América (superando as potências Brasil e Argentina), a nossa Seleção acabou por não ser feliz na lotaria dos penáltis. O Chile foi um rival exigente, colocando em prática um futebol intenso e pressionante. Portugal até entrou bem no jogo, mas foi cedendo o domínio da partida aos chilenos. Faltou frieza nas decisões e talvez um pouco mais de frescura física.

Em primeiro lugar, há que reconhecer e frisar que foi uma participação digna da Seleção Nacional, que se mostrou empenhada em conseguir trazer um novo troféu para o nosso país. Portugal acaba eliminado sem sofrer qualquer derrota e isso diz muito daquilo que é hoje a coesão da nossa equipa, muito difícil de bater por qualquer adversário. E o Chile não era um rival qualquer. É mesmo o principal favorito à conquista desta Taça das Confederações.

Com um dia de descanso a mais, Portugal poderia ter tirado partido disso. Sobretudo a partir dos 70 minutos quando se começou a notar que os chilenos já começavam a não ter pernas para o ritmo que tinham imposto durante o jogo e Portugal a ter mais a bola em seu poder. Mas faltou algum sentido de baliza aos portugueses, que não conseguiam criar lances de perigo nessa fase. E até no prolongamento, acabou por ser o Chile a ter uma oportunidade flagrante de golo.

Sendo verdade que as grandes penalidades são uma faceta do jogo cada vez mais trabalhada, também é um facto que a inspiração pode ser determinante. E em paralelo com a infelicidade dos jogadores portugueses, um inspirado guardião chileno acabou por resolver as coisas a seu favor. O fator anímico costuma ser decisivo e os chilenos tiveram a frieza que faltou a Portugal.

Ainda há calendário para cumprir, um último esforço numa época extremamente longa, para o apuramento dos 3.º e 4.º lugares, partida em que o selecionador deverá dar oportunidade aos atletas menos utilizados de forma a não sobrecarregar os elementos mais utilizados.

Embora se possa admitir alguma desilusão, porque com um pouco mais de sorte teria sido possível fazer mais história e marcar presença na final desta prova em ano de estreia, a verdade é que este grupo de jogadores escolhido por Fernando Santos tem ainda um caminho a cumprir e o seu trajeto não fica por aqui. Seguem-se jogos decisivos para a fase de apuramento para o Mundial’2018, cuja participação lusa ainda está longe de estar garantida.

A Seleção tem, por isso, uma boa margem para evoluir. Alguns comentadores consideram que o pragmatismo apresentado pela equipa portuguesa tem "amarrado" a criatividade e o talento dos nossos jogadores mais ofensivos. De facto, o essencial até será conciliar essas duas valências: manter uma equipa coesa e compacta, com um grande espírito de sacrifício e noção de jogo coletivo, explorando depois a capacidade e talento individual dos jogadores da frente, assumindo assim o controlo dos jogos com maior confiança e assertividade.

É claro que, tudo isto, depende sempre dos adversários que tivermos pela frente. Daquilo que também nos deixam ou não jogar. E perante isso, entra em campo a leitura do jogo, a inteligência tática e a capacidade de encontrar fragilidades nos oponentes. Nem sempre se pode ganhar a jogar bonito, e nesse aspeto, a ótica de Fernando Santos parece ser correta: ganhar, com ou sem ópera. Sendo ele o primeiro, a querer ver a sua equipa a praticar bom futebol.

O Craque – Fase de maturidade

Em 4 partidas disputadas na Taça das Confederações, Rui Patrício não sofreu golos em 3 jogos. Além da ajuda dos companheiros do setor defensivo, o mérito é também do guardião luso. Esteve muito bem na partida com o Chile e é justo dizer que se encontra num dos melhores momentos da carreira. Dentro e fora dos postes apresenta-se com uma enorme confiança, melhorou muito o jogo com os pés e é hoje um guarda-redes com grande maturidade. É um dos principais ativos do Sporting e não espantaria que começassem a surgir interessados no seu concurso.

A Jogada – Mereciam mais

Por força de um alargamento de 8 para 12 equipas, bem como de um sistema de apuramento algo injusto (seguiram para as meias-finais os 3 primeiros e o melhor segundo classificado), Portugal acabou por não passar a fase de grupos do Europeu de Sub-21. A exemplo da Eslováquia, a nossa seleção acaba afastada da prova tendo conseguido 2 vitórias em 3 jogos. Estes talentosos jogadores nacionais acabaram por fazer uma boa prova, num grupo recheado de excelentes equipas. Poderiam ter chegado mais longe. E ali há muita qualidade para se aproveitar no futuro.

A Dúvida – Estado das coisas

O tema já tem algumas semanas, mas merece o reparo. Como é possível termos uma Liga de Clubes que aprova regulamentos relativos a minudências como cigarros eletrónicos e deixa passar em claro o problema das claques ilegais? A responsabilidade acaba por ser dos clubes que fazem destas decisões mais um ato de política do que propriamente uma análise para melhoria das condições nas competições profissionais. E perante a enorme quantidade de revelações e casos que se vão avolumando, não seria aconselhável que a FPF se pronunciasse sobre o atual estado do futebol em Portugal?

Deixe o seu comentário
Assinatura Digital Record Premium

Para si, toda a
informação exclusiva
sempre acessível

A primeira página do Record e o acesso ao ePaper do jornal.

Aceder

Pub

Publicidade