Não fica por aqui
Perante um adversário difícil, vencedor das duas últimas edições da Copa América (superando as potências Brasil e Argentina), a nossa Seleção acabou por não ser feliz na lotaria dos penáltis. O Chile foi um rival exigente, colocando em prática um futebol intenso e pressionante. Portugal até entrou bem no jogo, mas foi cedendo o domínio da partida aos chilenos. Faltou frieza nas decisões e talvez um pouco mais de frescura física.
Em primeiro lugar, há que reconhecer e frisar que foi uma participação digna da Seleção Nacional, que se mostrou empenhada em conseguir trazer um novo troféu para o nosso país. Portugal acaba eliminado sem sofrer qualquer derrota e isso diz muito daquilo que é hoje a coesão da nossa equipa, muito difícil de bater por qualquer adversário. E o Chile não era um rival qualquer. É mesmo o principal favorito à conquista desta Taça das Confederações.
Com um dia de descanso a mais, Portugal poderia ter tirado partido disso. Sobretudo a partir dos 70 minutos quando se começou a notar que os chilenos já começavam a não ter pernas para o ritmo que tinham imposto durante o jogo e Portugal a ter mais a bola em seu poder. Mas faltou algum sentido de baliza aos portugueses, que não conseguiam criar lances de perigo nessa fase. E até no prolongamento, acabou por ser o Chile a ter uma oportunidade flagrante de golo.
Sendo verdade que as grandes penalidades são uma faceta do jogo cada vez mais trabalhada, também é um facto que a inspiração pode ser determinante. E em paralelo com a infelicidade dos jogadores portugueses, um inspirado guardião chileno acabou por resolver as coisas a seu favor. O fator anímico costuma ser decisivo e os chilenos tiveram a frieza que faltou a Portugal.
Ainda há calendário para cumprir, um último esforço numa época extremamente longa, para o apuramento dos 3.º e 4.º lugares, partida em que o selecionador deverá dar oportunidade aos atletas menos utilizados de forma a não sobrecarregar os elementos mais utilizados.
Embora se possa admitir alguma desilusão, porque com um pouco mais de sorte teria sido possível fazer mais história e marcar presença na final desta prova em ano de estreia, a verdade é que este grupo de jogadores escolhido por Fernando Santos tem ainda um caminho a cumprir e o seu trajeto não fica por aqui. Seguem-se jogos decisivos para a fase de apuramento para o Mundial’2018, cuja participação lusa ainda está longe de estar garantida.
A Seleção tem, por isso, uma boa margem para evoluir. Alguns comentadores consideram que o pragmatismo apresentado pela equipa portuguesa tem "amarrado" a criatividade e o talento dos nossos jogadores mais ofensivos. De facto, o essencial até será conciliar essas duas valências: manter uma equipa coesa e compacta, com um grande espírito de sacrifício e noção de jogo coletivo, explorando depois a capacidade e talento individual dos jogadores da frente, assumindo assim o controlo dos jogos com maior confiança e assertividade.
É claro que, tudo isto, depende sempre dos adversários que tivermos pela frente. Daquilo que também nos deixam ou não jogar. E perante isso, entra em campo a leitura do jogo, a inteligência tática e a capacidade de encontrar fragilidades nos oponentes. Nem sempre se pode ganhar a jogar bonito, e nesse aspeto, a ótica de Fernando Santos parece ser correta: ganhar, com ou sem ópera. Sendo ele o primeiro, a querer ver a sua equipa a praticar bom futebol.
O Craque – Fase de maturidade
Em 4 partidas disputadas na Taça das Confederações, Rui Patrício não sofreu golos em 3 jogos. Além da ajuda dos companheiros do setor defensivo, o mérito é também do guardião luso. Esteve muito bem na partida com o Chile e é justo dizer que se encontra num dos melhores momentos da carreira. Dentro e fora dos postes apresenta-se com uma enorme confiança, melhorou muito o jogo com os pés e é hoje um guarda-redes com grande maturidade. É um dos principais ativos do Sporting e não espantaria que começassem a surgir interessados no seu concurso.
A Jogada – Mereciam mais
Por força de um alargamento de 8 para 12 equipas, bem como de um sistema de apuramento algo injusto (seguiram para as meias-finais os 3 primeiros e o melhor segundo classificado), Portugal acabou por não passar a fase de grupos do Europeu de Sub-21. A exemplo da Eslováquia, a nossa seleção acaba afastada da prova tendo conseguido 2 vitórias em 3 jogos. Estes talentosos jogadores nacionais acabaram por fazer uma boa prova, num grupo recheado de excelentes equipas. Poderiam ter chegado mais longe. E ali há muita qualidade para se aproveitar no futuro.
A Dúvida – Estado das coisas
O tema já tem algumas semanas, mas merece o reparo. Como é possível termos uma Liga de Clubes que aprova regulamentos relativos a minudências como cigarros eletrónicos e deixa passar em claro o problema das claques ilegais? A responsabilidade acaba por ser dos clubes que fazem destas decisões mais um ato de política do que propriamente uma análise para melhoria das condições nas competições profissionais. E perante a enorme quantidade de revelações e casos que se vão avolumando, não seria aconselhável que a FPF se pronunciasse sobre o atual estado do futebol em Portugal?
