Visão de jogo

António Oliveira
António Oliveira

Nível muito elevado

Portugal é o país com mais treinadores nas eliminatórias da Liga dos Campeões e da Liga Europa que vão arrancar em breve. Este é um pequeno indicador do estatuto de primeira linha que a escola de treinadores portugueses atingiu no atual panorama do futebol europeu. O reconhecimento ultrapassa fronteiras e até no Brasil se fala do êxito dos técnicos nacionais.

O sucesso de José Mourinho ajudou a abrir a porta europeia a mais treinadores portugueses. Mas não foi apenas isso. Um forte investimento na formação e aprendizagem contínua, bem como a aproximação ao conhecimento científico gerado nas universidades, permitiu dar um salto qualitativo que se tem refletido nos resultados desportivos.

Os treinadores Mano Menezes e Tite, ex-selecionador e atual selecionador do Brasil, respetivamente, no passado recente, deslocaram-se até ao nosso país para conhecerem a metodologia dos nossos treinadores e aprofundarem os seus conhecimentos. Numa comparação metafórica com o universo de Harry Potter, um canal de desporto daquele país apelidou mesmo a formação portuguesa de técnicos de futebol à escola de magia de Hogwarts, face à quantidade e qualidade que temos conseguido exportar.

Para além do consagrado José Mourinho, temos um selecionador nacional, Fernando Santos, que é campeão europeu. Leonardo Jardim, com uma equipa recheada de jovens valores, lidera a liga francesa e luta taco a taco pelo título com a equipa milionária do PSG. Em Inglaterra, Marco Silva começa a ser alvo de diversos elogios, depois de ter batido o pé a Manchester United e Liverpool. E há ainda, por exemplo, Paulo Fonseca e Paulo Bento na frente dos campeonatos da Ucrânia e da Grécia.

O estudo de todos os pormenores, a preparação da equipa e observação dos adversários, a exigência de antecipar todos os detalhes que poderão surgir nas partidas, fazem parte de uma consolidada metodologia de trabalho do treinador português, onde imensas variáveis têm impacto posteriormente nos resultados atingidos. Além disso, a composição das equipas técnicas abrange, cada vez mais, elementos responsáveis por áreas outrora desprezadas, como a recuperação física, a psicologia ou o trabalho de scouting.

Esta base metódica e a alta cultura de exigência têm ajudado a catapultar, ano após ano, valores nacionais no panorama português e internacional. André Villas-Boas, Vítor Pereira (um técnico que merecia maior reconhecimento face ao talento e capacidades que possui), Jorge Jesus e Rui Vitória, todos campeões nacionais, ilustram também que o talento não se limita a um ou dois técnicos. Pelo contrário.

Novos valores começam a emergir no nosso campeonato e o paradigma é muito interessante. Portugal é atualmente um dos países que melhor prepara os seus futuros treinadores e está a tornar-se num viveiro para outras ligas. Sérgio Conceição está a mostrar serviço em França, Paulo Sousa é um técnico respeitado em Itália, Nuno Espírito Santo esteve em Espanha antes de vir para o Dragão, e muitos mais têm tido oportunidades lá fora, como Jesualdo Ferreira, Domingos Paciência, José Peseiro ou Carlos Carvalhal, entre outros.

A exportação de treinadores nacionais já supera a casa das centenas. A aposta no conhecimento deu frutos e hoje somos uma referência na área. Não quer isto dizer que seja tudo um mar de rosas. Há que melhorar ainda mais as capacidades dos técnicos em diferentes vertentes, incluindo a comunicação. Mas é justo dizer que estamos no bom caminho.


Craque – Tiro certeiro
Com a saída de Slimani colocaram-se dúvidas sobre a possibilidade de o Sporting encontrar um substituto capaz de mostrar níveis de rendimento e eficácia semelhantes aos do argelino. Os leões falharam algumas aquisições esta época, mas a escolha de Bas Dost foi um tiro certeiro. O holandês é um jogador diferente do seu antecessor, mas é um ponta-de-lança mortífero. Tem um enorme faro de golo, é forte no jogo aéreo, sabe movimentar-se bem dentro de área e aparece quase sempre em boa posição para marcar. Os 16 golos em 20 jornadas são números fantásticos para um estreante na liga.

A Jogada – Prevenção nas apostas
Uma "odd" elevada no jogo Feirense-Rio Ave acabou por causar furor nas apostas desportivas. O regulador português acabou por suspender as apostas no jogo depois de alguém ter investido 50 mil euros. Infelizmente, os casos de resultados combinados ocorridos nos últimos anos na Europa (um deles na Segunda Liga portuguesa, situação que não parece ter ficado muito bem esclarecida) obrigam a uma postura preventiva. A legislação é recente e a verdade desportiva deve ser sempre protegida. Neste caso, é importante frisar ainda que a seriedade dos profissionais de Feirense e Rio Ave não pode ser posta em causa.

A Dúvida – Reforço eclipse
Kelvin regressou ao FC Porto em janeiro, jogou 21 minutos com o Moreirense e, ao fim de um mês, acaba de partir para mais um empréstimo no Brasil. O herói do minuto 92 acabou por ser uma espécie de reforço eclipse. Não discutindo a decisão da cedência, que até já podia ter sido pensada desde o início, a verdade é que o mercado também levou Silvestre Varela, ficando o plantel portista com menos duas opções para o lugar de extremo, posição em que se notaram algumas carências na primeira volta. Estará Nuno Espírito Santo a pensar noutras soluções?

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