No bom caminho
Podemos dizer que a participação de Portugal na Taça das Confederações, até ao momento, apresentou duas caras. Uma entrada em falso, a fazer lembrar outras estreias da Seleção em grandes competições no passado, e um jogo seguinte mais à altura da qualidade da equipa, que colocou a nossa equipa em posição privilegiada para chegar às meias-finais. Basta confirmar a superioridade portuguesa na partida de amanhã com a Nova Zelândia.
No primeiro jogo, frente ao México, claramente o adversário mais forte do nosso grupo, a entrada na partida não foi a esperada. A equipa portuguesa sentiu dificuldades em tomar conta do jogo e sair a jogar, com os mexicanos a controlarem a bola nos primeiros 20 minutos e a não cederem espaços. Além disso, as falhas defensivas que deram origem aos golos do México acabaram por ser deslizes fatais (lances que em situação normal seriam neutralizados) que ditaram o empate a 2 bolas.
Foi uma partida em que os portugueses viveram mais da inspiração individual ao invés do forte jogo coletivo que costumam evidenciar. Portugal soube explorar as fragilidades mexicanas, mas acabou por não conseguir controlar o jogo. Por seu lado, no confronto com a Rússia, a Seleção Nacional apresentou outro rendimento.
Mostrando um maior controlo e circulação da bola no meio campo adversário, a equipa portuguesa registou igualmente uma maior capacidade de reação à perda da bola, conseguindo imensas recuperações que permitiram criar transições ofensivas perigosas. O resultado (0-1) acaba mesmo por pecar por escasso, tamanha a superioridade portuguesa e o número de lances perigosos que aconteceram perto da baliza russa.
Escusado foi apenas aquele sofrimento na parte final do jogo, com a Rússia a bombear bolas para a área, acreditando que poderia ainda chegar ao empate. No entanto, a Seleção apresentou-se muito compacta e raramente permitiu que os avançados russos tivessem espaço para chegar à nossa baliza.
As entradas dos "3 Silvas" (Adrien, Bernardo e André) acabaram por trazer mais equilíbrio à equipa de Fernando Santos, que voltou a dar companhia na frente a Cristiano Ronaldo, com o capitão da seleção a sentir maior liberdade para se movimentar de forma perigosa. No meio campo, a intensidade de Adrien e o virtuosismo de Bernardo foram fundamentais para neutralizar os russos e controlar o meio campo.
Segue-se agora a Nova Zelândia, seleção que esteve perto de surpreender o México, algo que nos serve de aviso. Não entrar em facilitismos, sob pena de surgir um dissabor. Trata-se de um adversário que pratica um futebol mais físico e simples, tentando tirar partido do jogo aéreo, um pouco ao estilo do futebol inglês de alguns anos atrás. Portugal nem sempre se dá bem com esta forma de jogar, pelo que toda a cautela é necessária, para superar um oponente que certamente dará tudo para surpreender o campeão da Europa.
Para terminar, algumas palavras em relação ao vídeo-árbitro. As primeiras impressões geram sentimentos mistos. É verdade que os lances de golo passam a ser escrutinados e existe uma maior eficácia na aferição da sua legalidade. Por seu lado, as pausas de 2 a 3 minutos em determinados lances, acabam por parar demasiado o decorrer dos jogos. Por fim, existe espaço igualmente para a polémica, já que em alguns lances de maior contacto físico e mesmo em questões disciplinares, a interpretação será sempre subjetiva. Há coisas a melhorar, mas o balanço parece ser positivo.
O Craque – Em grande forma
Cédric Soares apresenta-se nesta Taça das Confederações num excelente momento de forma. Numa altura em que Portugal apresenta um número "anormal" de boas soluções para a posição de lateral direito (Nélson Semedo, João Cancelo, Ricardo Pereira, Bruno Gaspar, entre outros), o jogador do Southampton mostra-se empenhado em manter o estatuto de principal opção. Seguro a fechar os espaços defensivos e com grande disponibilidade nas incursões velozes pela faixa para apoiar o ataque, tem sido um dos melhores da Seleção Nacional.
A Jogada – O jogo da vida
Em certos momentos, o desporto e o futebol em particular, as emoções, as quezílias e as rivalidades, devem passar para segundo plano, porque valores mais altos se levantam. No jogo da vida, nada mais importa, e os acontecimentos trágicos de Pedrógão Grande fazem-nos refletir naquilo que verdadeiramente é essencial. Infelizmente, o país assistiu a uma enorme perda de vidas humanas. E é aí que deve estar o nosso pensamento, acreditando que é possível fazer melhor e ajudando quem precisa. E aqui os clubes deram um bom exemplo.
A Dúvida – Maior competitividade?
As equipas da 1.ª Liga começam a regressar ao trabalho. Está dado o arranque para uma pré-temporada que já teve algumas movimentações de mercado, mas que promete vir a aquecer à medida que os plantéis começarem a ser definidos. Até agosto, o foco dos treinadores estará na preparação dos seus jogadores, ao nível físico e tático, para uma época que será muito exigente, a começar pelo pormenor de se reduzirem os lugares de acesso à Liga dos Campeões. Teremos uma liga mais competitiva em função dessa particularidade?
