Visão de jogo

António Oliveira
António Oliveira

Novos protagonistas

Nem só dos três grandes se faz a história desta edição da liga portuguesa. O atual quadro classificativo evidencia várias curiosidades e feitos de equipas que, no início da época, não se previa terem capacidade para poderem surpreender. Mérito dos treinadores, mas também dos bons valores que vão despontando no nosso campeonato.

É curioso notar que o conjunto da liga com menos golos sofridos em casa chama-se União da Madeira, com apenas 8 tentos consentidos. Um feito notável para uma equipa acabada de subir de divisão e que até há pouco tempo andou a jogar em casa emprestada. Os madeirenses têm conseguido formar uma fortaleza nas partidas caseiras, onde os ataques de Benfica e Sporting (os mais concretizadores) não conseguiram picar o ponto. Por paradoxo, o União é a terceira equipa que mais sofre a jogar fora de casa (29 golos).

Na equipa de Norton de Matos, destacam-se logo os nomes escolhidos para a baliza: André Moreira, que entretanto se lesionou, e Raul Gudiño, duas promessas de grande valor com condições para se tornarem craques no futuro. Paulinho (formado no FC Porto), os experientes Paulo Monteiro e Diego Galo, e ainda Joãozinho (que já passou pelo Sporting) formam um interessante quarteto defensivo, auxiliado no meio campo por Soares e pelo nigeriano Shehu, uma das revelações do campeonato. A estabilidade defensiva nos jogos caseiros tem sido o grande trunfo do União na luta pela manutenção.

Em contraponto, a seguir a Benfica, Sporting e FC Porto, a equipa da liga que até ao momento mais vezes venceu fora de casa foi o Moreirense, com as mesmas 5 conquistas conseguidas pelo Braga. A equipa de Miguel Leal ganha mais fora do que no seu próprio estádio (2 vitórias) e só perdeu uma das últimas 5 partidas realizadas fora de casa: no Dragão por 3-2, onde deu boa réplica e chegou a estar a vencer por 2-0.

Um trajeto atípico, mas que talvez corresponda ao perfil dos jogadores do eixo ofensivo, mais propensos a jogar no contra-golpe. A leitura de jogo e o futebol rápido de Nildo Petrolina e Fábio Espinho, a magia de Iuri Medeiros (extremo habilidoso que finaliza bem e que, segundo se diz, regressará ao Sporting na próxima época) e a veia goleadora do avançado Rafael Martins, são as armas para a boa prestação forasteira do conjunto de Moreira de Cónegos, também a lutar pela manutenção.

Já tenho falado igualmente da excelente prestação do Arouca, pela primeira vez em vias de chegar a um lugar europeu. Além do trabalho de qualidade do treinador Lito Vidigal, que potenciou o nível competitivo da equipa, há que destacar o crescimento revelado por alguns jogadores arouquenses, como são os casos de Hugo Basto (o que lhe valeu uma chamada à Seleção olímpica), Velásquez, Lucas Lima (um dos melhores laterais esquerdos do campeonato), David Simão, Ivo Rodrigues (garantirá o extremo uma vaga no plantel do FC Porto da próxima época?) e Walter González. Quando o coletivo rende e os jogadores evoluem, só se pode dizer que o trabalho está a ser bem feito.

As época regulares de Rio Ave e Paços de Ferreira (onde brilha Diogo Jota), à espreita também da Europa, merecem o devido registo. E uma palavra para as boas segundas voltas que Nacional, Belenenses e Boavista estão a protagonizar. No caso dos axadrezados, em acesa luta para não descer, a chegada do médio Rúben Ribeiro trouxe qualidade ao jogo da equipa. Na liga de Gaitán, Brahimi ou Slimani, temos mais protagonistas a aparecer.

O craque – Uma boa aposta
Ricardo Ferreira tem sido uma das principais apostas de Paulo Fonseca para o centro da defesa do Braga. Em época de estreia pelos bracarenses, está a surpreender pela segurança e tranquilidade que transmite dentro de campo. E mesmo perante a concorrência da dupla André Pinto e Boly, o jovem tem sido uma opção regular. Forte na marcação e no jogo aéreo, este central formado no FC Porto e que já passou pelo Milan, pode muito bem ser num futuro, a médio prazo, um dos candidatos à sucessão de Ricardo Carvalho, Pepe e Bruno Alves na seleção.

A jogada – Sonho concretizado
Está inaugurada a Cidade do Futebol. A nova casa das seleções de futebol trata-se de um sonho com mais de 30 anos que viu finalmente a luz do dia. Uma infraestrutura importante, que garantirá condições de trabalho de excelência para as seleções portuguesas de futebol e se transformará no laboratório ideal para potenciar os craques do presente e lapidar as gerações do futuro. Numa indústria do futebol cada vez mais profissionalizada, este é um passo decisivo para que as seleções de Portugal continuem a mostrar competitividade no panorama internacional.

A dúvida – Reaproveitar outros recintos
Se a casa das seleções é um investimento com grande potencial, também não deixa de ser verdade que o nosso país possui recintos desportivos modernos que não estão a ser devidamente aproveitados. Estádios construídos para o Euro’2004, como os de Aveiro, Leiria ou Algarve, praticamente só são utilizados em visitas da Seleção ou em provas como a Supertaça. É urgente o aparecimento de uma estratégia de dinamização capaz de envolver e atrair as comunidades locais para estes empreendimentos. Estarão as entidades competentes a pensar nisso?



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