Visão de jogo

António Oliveira
António Oliveira

O calendário vai apertar

1 - Depois da pausa para as seleções, as competições que envolvem os clubes portugueses estão de volta, sendo que, no espaço de uma semana, teremos jogos da Taça da Liga, Liga dos Campeões, Liga Europa e campeonato nacional. Entramos agora num ciclo de vários jogos em poucos dias, o que obrigará certamente os técnicos a gerirem os seus recursos. Além disso, com a entrada em cena nas provas europeias, novos desafios táticos surgirão pela frente.

O calendário vai apertar e aqui se começará a ver se os clubes acautelaram devidamente as necessidades dos seus plantéis para darem resposta a todas as frentes. E será curioso ver, com FC Porto, Benfica e Sporting a terem de disputar mais jogos (na Europa), se o Braga conseguirá fazer disso uma vantagem competitiva e reduzir ainda mais as distâncias para os grandes, dado que não terá partidas europeias pela frente e sofrerá um menor desgaste.

Olhando para a estreia dos clubes portugueses na Europa, FC Porto e Benfica irão protagonizar um duelo luso-germânico com Schalke 04 e Bayern Munique. O FC Porto regressa a um estádio de boa memória, Gelsenkirchen, onde venceu a Champions em 2004, mas encontrará um adversário com quem perdeu sempre na condição de visitante nos 2 confrontos anteriores, pelo que tem de inverter a história. Por seu lado, o Benfica será anfitrião, contabilizando até agora 3 empates e 1 derrota na receção ao gigante alemão.

São dois difíceis e importantes testes para as equipas portuguesas. Possivelmente, os jogos mais difíceis até ao momento desta época. Por isso mesmo, teremos a possibilidade de ver como é que dragões e águias conseguem reagir perante oposição mais forte e perceber que mudanças táticas, em relação ao modo como alinham nas competições internas, se irão verificar. Um maior reforço do meio-campo e uma procura por um futebol de transições ofensivas poderá ser a estratégia para surpreender os conjuntos germânicos.

Já o Sporting receberá o Qarabag, um adversário do Azerbaijão que, por ser desconhecido, obriga a atenções redobradas. Além disso, trata-se de uma equipa que tem evoluído e que ainda no ano passado conseguiu marcar presença na fase de grupos da Liga dos Campeões, conseguindo empatar duas vezes com o Atlético Madrid. O Sporting parece superior, mas há que respeitar este opositor.

2 - Portugal entrou a ganhar na Liga das Nações e ainda para mais cometeu a proeza de quebrar uma série de 61 anos sem vencer a Itália em jogos oficiais. Mas o essencial desta partida foi mesmo a prova de que a equipa tem potencial para conseguir jogar bom futebol sem a sua estrela maior, Cristiano Ronaldo. E que, no futuro, a nossa Seleção tem matéria-prima suficiente para continuar a ser uma equipa altamente competitiva.

Uma nova fórmula para o meio-campo, com William mais adiantado no terreno, uma equipa dominadora e rápida a recuperar a bola e também a saber aproveitar as faixas. Viram-se coisas boas e só faltou mais poder de concretização para a nota ser máxima. Há vida (e boas perspetivas) para além do capitão.

3 - O Sporting tem um novo líder e pode agora seguir o rumo escolhido pelos seus sócios. Sobre este período conturbado que agora parece terminar, destaque-se o papel de Sousa Cintra, que recuperou ativos desportivos, garantiu um novo treinador para suceder a Jorge Jesus e abriu caminho ao futuro no plano desportivo e financeiro. Não foram dias fáceis, nem tudo correu como pretenderia, mas o dirigente segurou o barco leonino com eficiência num momento extremamente delicado.

O CRAQUE
No melhor momento

Na época passada, quando o FC Porto ficou sem Danilo devido a lesão, Sérgio Oliveira foi a solução encontrada por Sérgio Conceição para preencher o meio-campo. E, assim, um jogador que tinha pouco espaço na equipa acabou por ser vital na caminhada para o título. Esta temporada, o médio manteve a titularidade, estreou-se na Seleção Nacional e renovou pelos dragões até 2021. Jogador que se destaca na qualidade de passe e bolas paradas, fecha bem o espaço a defender e é especialista em remates de meia distância. Finalmente a atingir o nível que muitos lhe auguravam.

A JOGADA
Um caso complexo

O futebol português está em vias de assistir a mais um imbróglio jurídico. A condenação do Moreirense por corrupção, se transitar em julgado, irá ditar castigos ao clube. Mas a SAD, constituída depois dos acontecimentos em causa, poderá ficar livre de punições desportivas e assim poder continuar a competir na 1.ª Liga. Os casos Mateus e Apito Final no passado recente, e tudo o que se passou a seguir, aconselham a que tudo seja o mais esclarecido possível antes de a Liga intervir. Mas a complexidade do caso pode criar problemas de fundo. Um assunto para acompanhar.

A DÚVIDA
Restringir empréstimos

Corre a notícia de que a FIFA está a equacionar a limitação para oito do número de jogadores que cada clube poderá emprestar. Se a cedência temporária de atletas jovens e promissores se consegue compreender, para que estes possam evoluir e ganhar maior traquejo competitivo, a verdade é que muitas equipas possuem por vezes quase um plantel inteiro de jogadores cedidos. Isso acaba por ter implicações no mercado, em Portugal e lá fora, com os clubes de maior poder financeiro a absorverem mais jogadores do que necessitam e a impedirem outros de acederem a esses excedentários. Uma boa medida?

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