Visão de jogo

António Oliveira
António Oliveira

O fantástico penta de Cristiano

Cristiano Ronaldo recebeu o prémio de melhor jogador do Mundo pela quinta vez. Não restam dúvidas sobre o legado que o jogador construiu, pela carreira sólida que vem tendo e o trabalho brilhante realizado, que o colocam entre os maiores de sempre da história do futebol. É uma lenda viva e o futebol português deve estar orgulhoso deste feito.

Depois de uma época em que foi determinante para as conquistas do Campeonato do Mundo de Clubes, Liga Espanhola e Liga dos Campeões pelo Real Madrid, o capitão da Seleção Nacional repetiu em 2017, as distinções que recebeu da FIFA em 2008, 2013, 2014 e 2016, igualando o número de prémios recebidos por Lionel Messi, o seu "eterno" concorrente na luta por este trono. E são já 11 anos em que marca presença nesta galeria de notáveis candidatos a melhor futebolista do planeta. É extremamente difícil atingir o topo (reservado às grandes estrelas), mas manter-se por lá é uma missão ainda mais árdua e CR7 leva mais de uma década entre os maiores e não deverá ficar por aqui.

Depois de receber o prémio das mãos de outras duas lendas, Diego Maradona e Ronaldo, o internacional luso fez questão de falar primeiro em português, o que é algo que deve ser realçado, tendo frisado que a distinção é fruto de "talento, trabalho duro e muita dedicação". Palavras muito determinadas e que descrevem muito bem aquilo que tem sido a carreira do jogador. Não basta apenas o talento, é preciso um trabalho intenso no dia-a-dia e um foco constante para se tornar um jogador cada vez melhor e evoluir para patamares superiores.

De um jogador franzino, habilidoso e com excelentes atributos técnicos, como vimos nos primeiros anos da sua carreira, acabou por trabalhar, nas diferentes vertentes do jogo, para se tornar um atleta muito mais completo, forte fisicamente, poderoso no jogo aéreo, especialista em bolas paradas e tremendamente eficaz na finalização. Foi preciso investir num trabalho de laboratório, com muitas horas de concentração, resiliência, repetição e aprendizagem, para poder evoluir em vários aspetos e conseguir superar-se dia após dia.

Conjugando esse trabalho de campo com o talento genial do jogador, a ambição e vontade com que disputa cada jogo e cada lance, temos tido a oportunidade de assistir a momentos de elevado nível com números de espanto. Contabilizando clube e Seleção, nas últimas 7 temporadas apontou sempre mais de 50 golos por temporada, marca que é extraordinária e que poucos jogadores conseguem atingir num ano, quanto mais em 7.

Aos 32 anos, e conhecendo nós a ambição de Cristiano Ronaldo, sabemos que quer chegar ainda mais longe, bater recordes e aumentar o seu inigualável palmarés a nível individual e coletivo. No Real Madrid continua a ter a possibilidade de conquistar títulos e aumentar o seu pecúlio de golos, enquanto que na Seleção terá mais uma presença no Mundial em 2018, onde também estará Messi, para tentar consolidar a candidatura a uma sexta distinção da FIFA.

Estamos agora num período em que os 2 astros do futebol mundial atingiram um ponto de maturidade, na "ternura" dos 30, em que continuam a mostrar vontade de manter a supremacia exibicional perante as restantes estrelas da bola. Há que aproveitar o momento e assistir à magia de dois dos mais espetaculares jogadores que o futebol alguma vez viu. E, enquanto portugueses, ter o orgulho de um dos nossos ter chegado a um patamar tão elevado.


O Craque – Dragão de ouro
Distinguido como futebolista do ano pelo FC Porto, o argelino Yacine Brahimi está a mostrar esta temporada uma faceta que lhe desconhecíamos. Menos individualista e mais solidário na distribuição da bola, tem contribuído para a fluidez do jogo ofensivo dos dragões e é uma peça essencial na equipa de Sérgio Conceição, com 3 golos e igual número de assistências. Está num excelente momento de forma, sendo um dos elementos que mais gera desequilíbrios e abre caminhos para a baliza adversária. Se mantiver a consistência exibicional, poderá fazer um ano de grande nível.

A Jogada – Boa imagem do Leixões
Esta temporada, o Leixões foi a primeira equipa portuguesa a não sair com uma derrota no Dragão. Nesta partida a contar para a Taça da Liga, também não sofreu golos na casa do FC Porto, o que foi igualmente um registo inédito na época em curso para uma formação visitante. Poderíamos olhar pelo prisma de um jogo menos conseguido pelos portistas, que aconteceu, mas também é verdade que a formação leixonense se apresentou de forma organizada, desinibida e ambiciosa. Uma postura positiva e exemplar, que mostra que há equipas a praticar bom futebol na 2.ª Liga.

A Dúvida – Procurar entendimentos
O período experimental do vídeo-árbitro continua a dar que falar e há coisas a melhorar. Falhas de comunicação num sistema de tecnologia avançada não deveriam surgir e, mesmo assim, deviam ser acauteladas. Por seu lado, algumas decisões têm sido controversas. Os clubes criticam, os árbitros não gostam e está anunciada uma greve para os jogos da Taça da Liga (competição marginalizada por todos, está visto). Está a faltar alguma sensatez. Pede-se maior pedagogia, entendimento e não um extremar de posições. Este distanciamento entre a APAF e a Liga não deveria ser resolvido com diálogo?

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