Visão de jogo

António Oliveira
António Oliveira

O momento da águia

Bastou um ciclo de três jogos consecutivos sem ganhar para soarem os alarmes de uma "crise" na Luz. Parece prematuro apelidar assim o momento das águias, até porque a "procissão ainda vai no adro" e a equipa poderia perfeitamente ter vencido qualquer uma dessas três partidas em causa, já que esteve em vantagem em todas. No entanto, há sinais que podem ajudar a explicar esta série de resultados menos positivos.

Uma nova corrente de lesões, a exemplo do que aconteceu no ano passado, não tem permitido ao treinador Rui Vitória estabilizar uma equipa base. Se na época anterior, o problema foi bem resolvido face à riqueza de soluções, a verdade é que este ano o plantel, embora continue a ter muitos recursos de qualidade, não dá cobertura em determinadas posições.

A ausência de Fejsa acaba por ser a mais difícil de colmatar. As águias acabam por jogar de outra forma ao recorrer outros jogadores sem as características do sérvio para a posição 6. Esta situação pesa também no rendimento de Pizzi, que necessita de ter nas costas um elemento forte na recuperação e na primeira fase de construção, para ser mais influente em zonas avançadas.

Por seu lado, a equipa de Rui Vitória tem sofrido vários golos de bola parada, sobretudo em cantos. Um indicador de que o trabalho defensivo necessita ser limado no setor que mais saídas sofreu neste mercado de transferências. E é na defesa que estarão as principais dores de cabeça. Na baliza, falta perceber se Júlio César está em condições físicas para assumir o lugar. Seria a opção mais óbvia. Até lá, a escolha tem recaído em Bruno Varela, um jovem com qualidade, mas ainda sem a experiência de grande clube, a necessitar de ganhar rotinas e jogos nas pernas. O belga Mile Svilar, ainda mais novo, é igualmente uma aposta que exige tempo.

Nas laterais, a opção por André Almeida dá garantias defensivas, mas menos profundidade à faixa direita. Grimaldo compensa do lado esquerdo, mas nem sempre tem estado a 100% para poder jogar. Já para o centro não chegou ninguém e as opções têm sido limitadas. A aposta em Rúben Dias, jovem da formação, pode dar frutos, mas levará tempo a afinar.

Face às vendas que realizou, o Benfica tinha duas opções: investir em atletas experientes que pudessem dar retorno desportivo imediato ou apostar em jovens com potencial de valorização e recorrer aos recursos já existentes no plantel. O planeamento da equipa seguiu a segunda via, e isso implica todo um trabalho de preparação e maturação das dinâmicas de jogo da equipa.

Relativamente ao ataque, onde Jonas é a grande referência, surgem dúvidas quanto à capacidade física do avançado de 33 anos para dar resposta ao exigente calendário que a equipa terá de cumprir. Em paralelo, a saída de Mitroglou acaba por privar o Benfica de um homem de área com as suas características, mais posicional e pressionante. O grego sempre foi importante nos jogos mais difíceis, pela sua disponibilidade física e capacidade de desbloquear jogos. As opções existentes oferecem mais mobilidade, mas as águias perderam uma peça importante em jogos que pedem uma abordagem mais "combativa".

Várias leituras podem ser tiradas desta fase menos positiva. É um facto que já se vinha a notar uma menor exuberância das águias, mas tudo pode mudar de um momento para o outro. E a equipa terá de ir crescendo ao longo da temporada. Um pouco a exemplo do que acontece com os técnicos de FC Porto e Sporting, Rui Vitória terá o desafio de tornar os jogadores melhores do que eram e fazer o coletivo ser ainda mais forte.


O Craque – A reabilitação de Marega
O futebol é feito de heróis improváveis. De provável candidato à dispensa a titular do FC Porto,
Marega é a prova de não há impossíveis na modalidade. Sérgio Conceição está a conseguir potenciar os seus maiores atributos (força, velocidade e capacidade de finalização), em prol da equipa e a trabalhar as deficiências técnicas (já se notam melhorias na receção, no passe e no posicionamento tático). O trabalho, a persistência e a própria superação produzem efeitos e o maliano é hoje um jogador útil para a equipa, a jogar nas alas ou no centro do ataque.

A Jogada – Bom arranque do Marítimo
Boa organização defensiva, competência e eficácia na frente colocam o Marítimo no 3.º lugar da liga com 5 vitórias em 6 jogos. A equipa madeirense venceu até ao momento os 4 jogos em casa e trouxe igualmente uma vitória de Portimão. Daniel Ramos comanda neste momento a segunda melhor defesa do campeonato e o seu trabalho está a mostrar que o ano anterior não foi obra do acaso. O Marítimo assume-se como candidato a um lugar europeu e esta semana visita um concorrente com as mesmas aspirações: o V. Guimarães. Um jogo que promete.

A Dúvida – Qualidade dos relvados
O estado dos relvados dos estádios de futebol portugueses pode parece um assunto de menor importância, mas deve merecer a maior das atenções. Em primeiro lugar, deve-se assegurar que os campos ofereçam a máxima segurança a todos os intervenientes no espetáculo, evitando o surgimento de lesões. As boas condições do relvado permitem também uma maior qualidade de jogo das equipas e o produto, enquanto conteúdo televisivo, também ganha valor. Esta época já tivemos jogos com relvados em más condições. Não teria sido prudente alterar o local dessas partidas?
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