Visão de jogo

António Oliveira
António Oliveira

O que esperar do dragão

FC Porto e Rio Ave dão hoje o pontapé de saída na edição 2016/2017 da Liga portuguesa. Uma competição em que os dragões vão tentar o resgate de um título que lhes foge há três anos, algo pouco habitual na história recente do clube, tendo a concorrência apertada de Benfica e Sporting, conjuntos que mantêm o núcleo duro da época anterior. Existe por isso o desafio de voltar a superiorizar-se, em simultâneo, aos dois rivais de Lisboa.

Ao longo da história, Pinto da Costa quase sempre privilegiou a opção por treinadores ambiciosos à procura do seu primeiro troféu. Este princípio também norteou a escolha de Nuno Espírito Santo, um técnico competente, que tem a vantagem de conhecer bem o clube e sentir o emblema de modo especial. Foi este tipo de perfil que garantiu as últimas conquistas azuis e brancas, com André Villas-Boas e Vítor Pereira, e volta agora a ser aposta.

Além disso, alguns elementos desta equipa técnica, Nuno incluído, trazem consigo a experiência de já terem trabalhado vários anos com Jesualdo Ferreira, outro treinador campeão no Dragão, possivelmente aquele que melhor trabalhou o crescimento do potencial dos jogadores (Lucho, Raul Meireles, Bruno Alves, Lisandro, Falcão e Hulk, entre outros) e que melhor lidou com a necessidade de reconstruir equipas, depois da venda de algumas das principais estrelas.

Este conhecimento prévio é uma vantagem numa altura em que os sócios e adeptos portistas esperam a regeneração de uma equipa que defraudou expectativas no ano anterior. A consistência defensiva, imagem de marca de muitos anos, parece ter sido um dos principais focos do trabalho efetuado na pré-época. É essencialmente a dinâmica do próprio conjunto que tem vindo a ser limada, no sentido de tornar a equipa menos permeável a deslizes como os que se viram na última temporada.

No processo ofensivo nota-se a tentativa da equipa ser mais rápida a chegar ao último terço do terreno e não se ficar apenas por um domínio de bola estéril, com pouca capacidade de progressão no terreno. Positiva também a tentativa de Nuno implementar um plano B, com uma disposição tática alternativa, sem que isso descaracterize as dinâmicas da equipa e permitindo ter mais armas e soluções para os desafios que vier a ter pela frente.

Dito isto, falta ver agora como se comportará a equipa nos jogos a doer. É em plena competição que se vai averiguar se tem capacidade para chegar ao lugar mais alto. E o calendário até vai ser exigente neste início de época, pelo que melhor teste às capacidades deste FC Porto seria impossível. Embora não seja algo decisivo, como se viu com o último título do Benfica, um arranque positivo pode ser um tónico importante a nível anímico e desportivo, para embalar a equipa numa boa campanha.

Parece certo que este plantel dos dragões ainda não se encontra fechado. Há saídas e entradas em equação. No entanto, estão lançadas as bases da equipa que vai tentar mudar o rumo do último triénio e que irá tentar superar a Roma no playoff da Liga dos Campeões. A chegarem reforços parece óbvio que terão de ser aditivos de qualidade para o onze titular (soluções apenas para o plantel já existem), elementos que possam ser uma mais-valia e elevar a equipa a um patamar competitivo superior, numa época que promete ser exigente.

Que dragão teremos na nova época? É uma das perguntas mais pertinentes no momento. Vamos poder começar a tirar as primeiras conclusões assim que a bola começar a rolar.

O CRAQUE

Potencial para brilhar

Com três golos marcados em igual número de jogos, Gonçalo Paciência está a ser a grande referência do ataque da Seleção portuguesa de futebol que está a disputar os Jogos Olímpicos no Brasil. É um ponta-de-lança com enorme potencial, que alia força física, qualidade técnica, poder de desmarcação e golos. Na temporada anterior, por força de um jogo mais defensivo da equipa, o jovem portista teve menos hipóteses de mostrar os seus atributos na Académica. Esta época, o ideal seria rodar num clube que explore melhor as suas características para dar continuidade ao seu processo de evolução.

A JOGADA

Gerir vontades distintas

Todos os anos temos novelas do género. Propostas aliciantes de clubes com maior poderio financeiro colocam estrelas do futebol nacional com a cabeça nas nuvens. É legítimo que tenham vontade de melhorar as suas condições salariais, mas é imperativo que respeitem os interesses dos clubes com os quais têm contrato. Estes cenários acabam por criar um braço-de-ferro que acaba por lesar os clubes desportiva e financeiramente, que ficam com o seu ativo sem dar o máximo rendimento (desmotivado e a proteger-se de lesões) e potencialmente a desvalorizar. Um fenómeno recorrente.

A DÚVIDA

Duro contratempo

Depois das lesões de Ederson e André Almeida, que os obrigaram a ‘ir à faca’, o infortúnio bateu agora à porta de Jonas. Um duro contratempo para Rui Vitória que se vai ver privado do seu principal goleador no arranque da temporada. Com a ausência do avançado brasileiro, uma das grandes figuras do campeonato, abre-se uma vaga no ataque encarnado. Mitroglou e Jiménez darão conta do recado ou o Benfica optará por fazer uma incursão pelo mercado em busca de um novo atacante? O jogo com o Tondela pode ajudar a esclarecer essa eventual necessidade.

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