O que esperar do VAR
O vídeo-árbitro (VAR) está em fase experimental em diferentes ligas europeias, portuguesa incluída. A introdução desta tecnologia no futebol, neste período, está a ser testada e analisada. Como seria de esperar, as falhas são inevitáveis em algo que nunca foi feito antes e que requer rotinas e aprofundamento de conhecimentos entre todos os intervenientes. Ao longo destes meses de experiência, há que refletir e encontrar pontos de melhoria.
Imaginemos que um jogador chega a uma equipa e, sem ter qualquer treino feito com os seus companheiros, começa logo a jogar no onze principal. A coisa pode correr muito bem, mas o mais provável é que o atleta se sinta desenquadrado nos primeiros tempos, já que desconhece a forma de jogar dos colegas e as ideias do treinador. A coordenação entre todos é que permite caminhar para uma maior performance. No fundo, o VAR apresenta uma limitação semelhante, que só com tempo poderá ser ultrapassada, para se obter uma melhor coordenação entre juízes na aplicação do protocolo.
Recentemente, o presidente da FIFA, Gianni infantino, considerou que a inclusão do VAR foi "uma decisão acertada", que veio melhorar o jogo com "resultados muito positivos" e que este auxílio aos árbitros será "um bom investimento para o futebol moderno". Também o presidente da FPF afirmou que o vídeo-árbitro veio para ficar e parece consensual que esta medida contribui para minimizar os erros de arbitragem.
No entanto, ainda há um caminho a percorrer para que o VAR deixe de ser tópico de polémicas. E é bom frisar que não é apenas em Portugal que elas têm aparecido, também na Alemanha e em Itália, a controvérsia tem existido. Mas em todo o lado a ideia parece ser comum: este sistema tem potencial para ser melhorado e tornar-se ainda mais fiável. E é isso que se exige ao VAR: fiabilidade.
A contratação do ex-árbitro internacional David Elleray, diretor técnico do International Football Association Board, como consultor do Conselho de Arbitragem da FPF para a área da vídeo-arbitragem parece ser um passo positivo no sentido de ajudar os árbitros e VAR a estarem melhor preparados para a aplicação do protocolo.
Para os adeptos comuns, essencialmente, é importante que lances idênticos em diferentes jogos passem a ser julgados da mesma forma. E que perante situações muito duvidosas, até mesmo para quem vê no ecrã da televisão, que os árbitros possam dispor dessa ferramenta e verificar as imagens para que as suas decisões sejam ainda mais sólidas. Nem sempre o fazem e essa é uma das críticas que mais temos visto. Porque não recorrem os árbitros mais vezes a esta ferramenta?
Por seu lado, seria muito interessante que a função de VAR não tivesse apenas de ser desempenhada por árbitros no ativo. A experiência e conhecimento de antigos árbitros internacionais poderia ser um contributo importante nesta fase de implementação da tecnologia. Além disso, libertava os juízes no ativo do ‘peso’ de estarem a corrigir erros de colegas de trabalho, algo que parece gerar desconforto para alguns em certas situações.
Importa perceber o que pode ser feito para transformar o VAR naquilo que era e é o seu objetivo inicial: subtrair erros e acrescentar mais verdade desportiva. São precisas melhorias e muita pedagogia, porque jogadores, treinadores e adeptos no geral parecem ainda não ter compreendido a forma como esta ferramenta tem de funcionar. A arbitragem deveria dar esclarecimentos regulares sobre tudo o que envolve o VAR. Seria um bom contributo.
O craque - Médio em boa forma
Com 7 golos apontados nos últimos 6 jogos realizados pelo Rio Ave, João Novais é um dos jogadores em melhor momento de forma nas competições nacionais. O médio agarrou a titularidade na equipa nos últimos meses e está a corresponder com boas exibições e muitos golos. É um dos melhores especialistas em bolas paradas da liga e já apontou 3 golos de livre direto. Além disso, sabe ler bem o jogo e é eficaz no passe e procura de espaços. Esta pode muito bem ser a época de afirmação deste jovem de 24 anos.
A jogada - Notas sobre o dérbi
O dérbi lisboeta foi um jogo bem disputado. O Sporting chegou cedo ao golo e tentou gerir a vantagem até final, acabando por não o conseguir. Por via disso, o Benfica teve um maior ascendente na procura da igualdade, nem sempre com o melhor discernimento. As águias dominaram a partida e não estiveram felizes no último terço do terreno, com muitos remates desenquadrados. Mas também é verdade que esse domínio foi ligeiramente consentido pelos leões que acreditaram que podiam manter o 0-1. Ambas as equipas acabaram assim por sair sem o resultado que pretendiam.
A dúvida - Janeiro exigente
O campeonato está ao rubro. As distâncias entre os 3 grandes são curtas. Nada está decidido e falta ainda muito para jogar. Mas este mês de janeiro é um dos mais exigentes em termos de calendário, já que serão disputadas 5 jornadas. Pelo meio, FC Porto e Sporting terão mais 2 ou 3 jogos nas taças e até se vão defrontar entre si. Ou seja, irão jogar praticamente de 3 em 3 dias. Será um teste à capacidade dos plantéis de dragões e leões. Este fator constituirá ou não uma vantagem para o Benfica? Para descobrir ao longo das próximas semanas.
