O que trouxe o mercado
Acabaram as indefinições de entradas e saídas nos plantéis e agora os treinadores ganham outra tranquilidade, sabendo com quem vão poder contar até ao final da época. Entre reforços efetivos e soluções de cobertura, cada um dos três grandes parece ter optado por estratégias diferentes nesta abordagem ao mercado de inverno.
O líder Sporting foi quem mais movimentações efetuou. Uma situação que não surpreende, dado que tinha menos soluções que os rivais para dar resposta a uma longa temporada. Bruno César e Schelloto chegaram antes de o mercado abrir, o que beneficiou a sua integração no grupo e que, no caso do brasileiro, permitiu ser uma aposta imediata.
Ambientado ao futebol nacional, o holandês Zeegelaar colmatou a saída de Jonathan Silva e deu mostras de ser alternativa fiável no lado esquerdo da defesa. Ainda no sector defensivo, os leões promoveram o regresso do jovem Rúben Semedo e contrataram Coates (o patrão que o treinador desejava?). Com várias opções para o centro da defesa, há a curiosidade de saber qual a dupla de centrais em que Jorge Jesus pretende apostar.
Ao ataque leonino chegou Barcos e saíram Tanaka e Montero, não se sabendo ainda se Teo Gutiérrez continuará. A partida de Fredy Montero (por motivos financeiros?) surpreende pela importância do jogador, que marcou inúmeros golos, muitos deles decisivos (como o último à Académica) e por ser uma boa alternativa a Slimani. Com Barcos à procura da melhor forma, a grande incógnita no reino do leão é saber se o Sporting não terá perdido poder de fogo. O futuro o dirá.
Já o Benfica aproveitou o mercado para pensar no futuro e na recuperação de jogadores afastados devido a lesão. A aposta passou por adquirir jovens promissores para a equipa B (Dálcio ou Saponjic) ou que possam dar cobertura ao plantel principal (Grimaldo ou Jovic). Por seu lado, saíram Cristante e Djuricic, sem espaço numa equipa que está no seu melhor momento de forma e que tem ganho consistência.
Mas os grandes reforços de inverno de Rui Vitória serão, sem dúvida, os regressos de Nelson Semedo e Salvio, que juntamente com o recuperado Gaitán vêm trazer mais qualidade - só a recaída de Luisão estragou estas contas. E é certo que jogadores como Carcela ou André Almeida aproveitaram as ausências dos colegas para mostrar que também têm valor para serem apostas.
No Dragão o mês de janeiro foi conturbado com a troca de treinador e a janela de mercado serviu para libertar jogadores com elevada carga salarial e com pouco rendimento como Osvaldo, Cissokho, Tello e Imbula. O médio francês fica para a história como a maior contratação de sempre do futebol português, mas não justificou o investimento. E se sai valorizado na venda, é mais por aquilo que fez no Marselha do que o que vimos no FC Porto.
Quanto a entradas nos portistas, a aposta passou pelo mercado interno, com Suk, Marega e José Sá a serem as contratações. Duas soluções para o ataque e uma aposta futura, que alargam o leque de opções. Terá faltado um reforço capaz de entrar de imediato no onze, sobretudo para a posição 10. Não foi possível e José Peseiro terá de encontrar outras soluções.
Sporting, Benfica e FC Porto entram agora numa fase em que não podem falhar. As decisões estão tomadas. Quanto aos outros clubes, de assinalar o regresso de Postiga (Rio Ave) ao futebol português, as entradas no V. Guimarães a reforçar a candidatura às competições europeias, um Belenenses melhor apetrechado e o Boavista a ter mais argumentos para lutar pela manutenção.
O CRAQUE
Goleador de serviço
Com uma média superior a um golo por jogo na Liga, o avançado Jonas tem sido um verdadeiro abono de família para o Benfica e uma das grandes figuras deste campeonato. Os oito golos apontados em janeiro são um indicador da boa forma do brasileiro, numa altura em que se aproximam partidas decisivas para o campeonato e para a Liga dos Campeões. Um goleador nato, que aparece sempre na hora certa para finalizar, seja com a cabeça ou com os pés. Jogadores destes dão sempre outra confiança aos treinadores.
A JOGADA
Crescimento de Adrien
Tal como aconteceu com Matic, Enzo Pérez ou até Pizzi, entre outros jogadores, a posição 8 assume um lugar nuclear no esquema de Jorge Jesus. É o elemento que mais ajuda a produzir a dinâmica ofensiva e que permite igualmente o equilíbrio defensivo quando a equipa não tem a bola. Em Alvalade é Adrien Silva a desempenhar esse papel, e a verdade é que a dimensão do futebol do médio leonino subiu para outro patamar. Está um jogador mais completo e passou muito por ele a força que os leões tiveram para vencer a Académica num jogo complicado.
A DÚVIDA
A mais-valia de ter Casillas
Por todo o mediatismo que o envolve, a presença de Iker Casillas em Portugal seria sempre alvo do máximo escrutínio, para o bem ou para o mal. Mas confesso que não percebo o ruído (de uma eventual saída) que se vai fazendo em torno do guardião espanhol, até porque o balanço é extremamente positivo. É certo que já cometeu 2/3 deslizes (qual foi o grande guarda-redes que nunca falhou?), mas também já brilhou, trouxe uma maior visibilidade à liga portuguesa e tem tido um comportamento exemplar. E dentro de campo, será que os críticos já repararam que é o guardião menos batido do campeonato?
