Visão de jogo

António Oliveira
António Oliveira

O que vale a Taça

Por via do que se verificou durante este ano, FC Porto e Braga jogam este domingo o seu jogo mais importante da época. Os dragões não atingiram o objetivo principal do campeonato e têm na Taça de Portugal a oportunidade de somar um troféu. Já os minhotos, a equipa que esteve mais tempo a disputar quatro provas, têm também essa ambição de ganhar na competição em que chegaram mais longe.

Depois da derrota caseira com o Tondela, o FC Porto passou a centrar-se praticamente na final da Taça. Face aos maus resultados e fracas exibições, a pré-época decretada na altura pelo presidente apontou precisamente a este objetivo de preparar a equipa azul e branca de maneira a chegar a este jogo na melhor forma possível. E essa meta parece ter sido cumprida, já que a equipa tem vindo a melhor a sua qualidade de jogo nas últimas semanas.

Para os dragões, este jogo não salva a época mas significa, isso sim, um olhar para o futuro. Uma vitória simboliza um regresso às conquistas e abre a porta para um novo ciclo vitorioso que se poderá estender à presença na Supertaça. Ou seja, os próximos 2 jogos do FC Porto podem valer dois troféus e esta seria a melhor forma de lançar a próxima época, dando confiança aos jogadores e mobilizando os adeptos. É dentro deste contexto, de um futuro mais condizente com a cultura de vitória do clube, que a final da Taça de Portugal assume particular relevância para os portistas.

É também curioso que este FC Porto, que este ano se destacou pela negativa com a permeabilidade defensiva em alguns momentos, possa fazer um registo histórico nesta Taça de Portugal, podendo ser a primeira equipa a vencer a competição sem sofrer qualquer golo. Números que provam o quão surpreendente e imprevisível o futebol pode ser.

Do outro lado, os dragões vão encontrar um Braga com a máxima ambição, e com a motivação adicional de fazer história no ano em que se cumpre meio século após a primeira e única conquista da Taça pelo clube. A equipa de Paulo Fonseca cumpriu uma época positiva, onde revelou boa organização, jogadores de qualidade e um nível competitivo alto que lhe permitiu ser a equipa portuguesa que esteve durante mais tempo a lutar por quatro competições.

E depois da oportunidade perdida na época passada, em que teve a Taça na mão com uma vantagem de 2 golos e a deixou fugir perante um Sporting reduzido desde cedo a dez unidades, o Braga tem aqui a possibilidade de se redimir e tentar ser mais feliz desta vez. Pela frente, terá um adversário com quem ainda não perdeu esta época e esse é também um tónico inspirador para os bracarenses.

O Braga já disputou 56 jogos oficiais em 2015/16. Os resultados mais recentes não foram os melhores e resta saber se a equipa minhota vai ou não acusar o cansaço de uma época que já vai longe. No entanto, e como referiram os treinadores, a questão física é daquelas coisas que no momento do jogo rapidamente se esquecem e a força anímica supera qualquer limitação.

A final da Taça de Portugal tem todos os ingredientes para ser um bom jogo. Uma partida equilibrada, com duas equipas à procura da vitória e ocasiões a rondar as duas balizas. Será um momento especial para José Peseiro e Paulo Fonseca, que curiosamente já estiveram do outro lado da barricada, com um deles a vencer a sua primeira Taça. Joga-se aqui a história, o orgulho, a ambição e o futuro para cada um dos clubes e seus intervenientes.


O craque -- Confiança e serenidade

É uma das figuras do ano. Rui Vitória chegou, viu e venceu. Num percurso com muitos obstáculos, a época de estreia do treinador no Benfica acaba por ficar rotulada de sucesso. Após uma entrada em falso, conseguiu encontrar soluções dentro do balneário e traçou o rumo certo para a sua equipa, mantendo sempre a serenidade e a confiança de que seria possível ganhar. Depois da derrota em casa com o Sporting, por 0-3, levantou o moral dos jogadores e venceu 25 dos 27 jogos disputados para a Liga. O título premeia esta grande recuperação e confirma a qualidade do técnico.

A jogada -- A equipa de todos nós

Com tantas e boas soluções à sua disposição (Fernando Santos falou sempre em cerca de 40 jogadores monitorizados), a tarefa de escolher 23 atletas para levar ao Euro’2016 não foi fácil para o selecionador. No geral, deu primazia aos jogadores que mais vezes utilizou na campanha de apuramento, à polivalência de alguns elementos e a um forte preenchimento de opções para a zona do meio-campo. É uma escolha que acaba por ser consensual. A partir de agora é esta equipa que temos de apoiar e de quem esperamos razões para sorrir em França.

A dúvida -- Jesus e os rumores

Começa a ser frequente em todos os finais de temporada o aparecimento de rumores, muitas vezes com valores astronómicos, que associam Jorge Jesus ao FC Porto. Não faço ideia da veracidade dos mesmos, mas a verdade é que a história, quando esteve no Benfica e agora ao serviço do Sporting, culmina sempre do mesmo modo: a renovação do técnico pelo seu clube. Daí que seja caso para perguntar, a quem interessa a difusão deste tipo de notícias. Rivais a pretender desestabilizar o adversário ou forma de alguém ganhar margem negocial?




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