Obrigação de vencer
1 - Nesta dupla jornada a contar para a fase de apuramento para o Mundial’2018, Portugal pode garantir, desde já, um lugar no play-off. Ganhando pontos na Hungria, fica garantida uma segunda chance para chegar à Rússia. Mas isso não pode, nem deve, travar a ambição de chegar ao primeiro lugar do grupo. Até porque a Seleção tem capacidade e qualidade para obter o bilhete para a competição através de entrada direta e no play-off até pode ter o azar de encontrar uma Espanha ou uma Itália pela frente.
Nesta caminhada, não pode haver lugar a facilitismos, seja qual for o adversário. O perigo pode surgir a qualquer momento, como mostrou ontem a equipa das Ilhas Faroé quando marcou o seu golo. A margem de erro é zero e não podemos tropeçar, para que a distância face à Suíça seja recuperável e se possa resolver no jogo que nos colocará em confronto com os helvéticos. Por isso, na partida do próximo domingo frente à Hungria em Budapeste só interessa ganhar.
Teremos pela frente a mesma seleção húngara que empatou 3-3 com Portugal no Euro’2016, num jogo em que até esteve por cima em determinados momentos. É uma equipa com jogadores talentosos e, apesar da nossa recente vitória por 3-0 em casa, há que ter cautela, porque iremos encontrar uma Hungria motivada (só vencendo terá alguma esperança em chegar ao Mundial) a jogar junto do seu público. Um jogo concentrado, sem dar espaços e aproveitando as oportunidades, será vital para os portugueses trazerem a vitória.
2 – Antigamente um jogador jovem cumpria 3 a 5 anos como titular de um clube grande português até que chegasse o momento da sua venda. Esse ciclo permitia uma maior maturação e evolução do atleta, que assim podia adquirir experiência e rodagem ao mais alto nível num ambiente mais favorável, ficando melhor preparado para dar o salto.
Hoje, esse tempo de maturação encurtou-se de forma vertiginosa. Os clubes lançam os seus talentos e bastam 30/40 jogos em bom plano para que estes se tornem logo alvo de clubes estrangeiros. Este imediatismo e a pressão para render de imediato que se coloca aos atletas acaba por não ser benéfico. Os nossos clubes acabam por vender ativos de forma precoce, sendo que poderiam valorizar os jogadores se estes evoluíssem mais tempo. Os clubes compradores acabam por adquirir jogadores que não estão "feitos", tendo de trabalhar o seu desenvolvimento. Mas nem sempre há paciência para isso, o que acaba por gerar um retrocesso na evolução dos jogadores.
Sem espaço no Bayern, Renato Sanches foi agora emprestado ao Swansea. Se não fosse vendido e tivesse continuado no Benfica seria hoje um melhor jogador? Acredito que sim. O jogador acaba por ter de dar um passo atrás para se poder afirmar. Gonçalo Guedes, agora sem espaço no PSG de Neymar, é outro caso que merece atenção.
Mais um exemplo, Tiago Ilori, que muito prometeu no centro da defesa do Sporting, saiu precocemente para Inglaterra (Liverpool) e, de empréstimo em empréstimo nos últimos 4 anos, pouco tem jogado. Se tivesse crescido em Alvalade, com espaço e tempo para progredir, poderia estar hoje à porta da Seleção Nacional. E fica a curiosidade de ver se André Silva já está "pronto" para o futebol italiano.
O imediatismo ditado pelo mercado e poderio financeiro das grandes ligas não é benéfico para os jogadores jovens. Seria importante que fossem instituídas algumas regras de proteção a estes atletas. A parte económica é importante, mas não pode ter maior peso do que a desportiva. Pelo menos, não deveria ser assim.
O Craque – Criativo vilacondense
O médio Rúben Ribeiro foi um dos jogadores em destaque do Rio Ave na partida com o Benfica. Jogador aguerrido, habilidoso e inteligente, é uma das apostas do treinador Miguel Cardoso para dar maior dinâmica ao seu ataque. Provoca desequilíbrios nos adversários e traz sempre uma ponta de imprevisibilidade no momento ofensivo com a sua criatividade. Bom a romper e a assistir, talvez lhe falte uma maior eficácia no capítulo da finalização. Aos 30 anos, fica a ideia que poderia ter tido uma carreira por emblemas maiores. É uma peça importante neste bom arranque de campeonato do Rio Ave.
A Jogada – Sinais do mercado
Este fecho de mercado fica principalmente marcado por saídas, com os clubes a procurarem aliviar a folha salarial, realizar mais-valias em vendas de última hora ou a tentar colocar atletas por empréstimo para que possam ter maior rodagem. O sossego chega finalmente para os treinadores, que finalmente ficam a saber com que armas podem contar. Se os plantéis têm, ou não, soluções suficientes para uma época exigente, esse diagnóstico virá depois. Já em outubro e novembro, com vários jogos no calendário, as equipas serão postas à prova e veremos se o planeamento do plantel foi eficaz.
A Dúvida – Outras prioridades
O tema tem sido recorrente e os próprios treinadores, ano após ano, fazem questão de o abordar no Fórum de Treinadores da UEFA. Para os técnicos e para uma grande maioria dos adeptos, o mercado de transferências deveria encerrar antes do início das competições. Quem são os principais interessados para que tal não aconteça? Pode ter passado despercebido, mas há dias Sérgio Conceição respondeu a essa questão: "Há algumas pessoas junto dos jogadores e outras não tão próximas, que querem usufruir daquilo que pode ser um negócio." Não estaria na hora das prioridades serem outras?
