António Oliveira

António Oliveira Senador da Fundação do Futebol

Operação Hungria

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Num momento em que as emoções do campeonato português estão em alta, depois de um fim-de-semana intenso e pródigo em surpresas nos jogos dos candidatos ao título, surge agora uma pausa nessa disputa para dar lugar a um compromisso da Seleção, já amanhã, também ele capaz de mexer com os nossos corações. Portugal recebe a Hungria, um dos principais adversários na luta pelo apuramento para o próximo Mundial, e não lhe resta outra solução para continuar a depender de si mesmo nesta campanha: ganhar.

Num grupo desequilibrado, com alguns adversários fáceis e apenas três candidatos para duas vagas (uma delas para o playoff) no apuramento para o Mundial’2018, os confrontos com Hungria e Suíça assumem carácter praticamente decisivo, porque dificilmente estas equipas vão perder pontos com os restantes adversários. A derrota na Suíça retirou aos portugueses a margem para mais algum deslize na luta pelo 1.º lugar, pelo que a Seleção está obrigada a vencer para manter esse objetivo intacto.

Pela frente teremos a Hungria, a mesma seleção que surpreendeu a equipa portuguesa no Euro’2016 com um empate a 3 golos, onde nunca esteve em desvantagem e que acabou mesmo por vencer o grupo em que estávamos inseridos (ironicamente, numa feliz conjugação que depois acabou por nos guiar à vitória da prova). Uma formação húngara, sem grandes vedetas (tirando uma ou outra exceção), mas que faz do coletivo a sua principal arma e que se consegue motivar perante adversários de valia superior.

Uma eventual derrota caseira com a Hungria atiraria Portugal para o 3.º lugar do grupo, colocando-nos assim numa posição extremamente delicada para conseguir garantir um bilhete com destino à Rússia em 2018. Por isso, este é um jogo vital para as aspirações da Seleção Nacional, que tem a possibilidade de se afastar de um rival direto (vantagem mais confortável no lugar de acesso ao playoff), mantendo-se na luta pelo topo da classificação que dá qualificação direta.

A Seleção Nacional nunca perdeu nenhuma das 11 partidas oficiais que realizou frente à Hungria e cedeu apenas 4 empates. Um pormenor estatístico positivo, mas que interessa comprovar dentro de campo. E nesse aspeto, numa fase decisiva dos campeonatos internos e competições europeias, a grande preocupação passa por perceber se os jogadores nacionais se apresentarão com os seus índices de rendimento em bom nível ou se o desgaste físico já se começa a fazer notar. A maioria dos jogadores que compõem o núcleo duro da Seleção já leva entre 30 a 45 partidas disputadas esta temporada, o que perfaz imensos minutos nas pernas. É importante perceber quais os atletas que se encontram em melhor condição para dar o rendimento que a equipa portuguesa necessita. Uma gestão de recursos que Fernando Santos saberá fazer da melhor forma.

Por outro lado, e por mais que os objetivos a nível de clubes estejam presentes na cabeça dos jogadores, é tempo de mudar o chip e pensar apenas na Seleção e na conquista de uma vitória que é crucial para as contas portuguesas. Comprometimento, espírito de sacrifício e forte dinâmica coletiva é o que se pede para o jogo de amanhã.

Segue-se depois um particular com a Suécia, na qual o selecionador poderá observar melhor a prestação de alguns atletas que têm entrado menos nas suas contas. Uma oportunidade para alguns jovens valores que têm vindo a ganhar lugar na equipa das quinas possam ganhar rotinas.

O CRAQUE -- Segurança na baliza

A seguir a FC Porto e Benfica, o Marítimo é a equipa com menos golos sofridos no campeonato (21). Um indicador que mostra a excelente organização defensiva dos madeirenses e que exibe igualmente o trabalho positivo do guardião da equipa: Gottardi. O experiente jogador brasileiro trouxe segurança à baliza e em 16 partidas disputadas concedeu apenas 13 tentos, tendo cumprido já 7 jogos na Liga sem sofrer golos. O ex-guarda-redes do Nacional é uma das mais-valias que está a colocar o Marítimo na luta por um lugar europeu.

A JOGADA -- Feirense a surpreender

Pela primeira vez na sua história, o Feirense irá garantir a manutenção no principal escalão do futebol português. Após a 14.ª jornada, a equipa fogaceira estava no 17.º lugar com 11 pontos, mas tudo mudou com a entrada de Nuno Manta (uma estreia excelente) para o comando técnico que em 12 jogos conquistou 21 pontos e perdeu apenas por 3 ocasiões. A equipa está agora no 11.º posto e apenas a 3 pontos de chegar quatro lugares acima. Uma grande recuperação de uma equipa aguerrida, bem organizada e que tem praticado um futebol positivo.

A DÚVIDA -- Naturalizações no futebol

Em Portugal, apesar de ser prática frequente nas seleções jovens, com a presença de jogadores oriundos das ex-colónias africanas, a naturalização de atletas ainda é vista com desconfiança. A verdade é que, num mundo cada vez mais globalizado, grandes nações do futebol como Espanha, Itália ou Alemanha estão a apostar em jogadores naturalizados nas suas seleções. E agora temos mesmo portugueses como Manuel da Costa (Marrocos), Zeca (Grécia) ou Renato Margaça (Chipre) a envergarem a camisola de outras nações. Será este um caminho inevitável?

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