António Oliveira

António Oliveira Senador da Fundação do Futebol

Os melhores também caem

Adicione como fonte preferencial no Google

Todos os treinadores, mesmo os melhores, ao longo das suas carreiras têm o seu 'annus horribilis'. Esta foi a temporada horrível de José Mourinho, que acabou por cair numa espiral de maus resultados na Liga inglesa da qual não mais conseguiu sair. Isso determinou a sua saída do clube, anunciada ontem pelo Chelsea. Trata-se apenas de um capítulo negativo e atípico de uma história recheada de conquistas que, muito provavelmente, ainda não ficaram por aqui.

A desastrada época do Chelsea, depois de um ano formidável, em que se sagrou campeão inglês e parecia ter formado uma base de jogadores jovens de grande talento, pronta a dominar nos anos seguintes, surge de forma inesperada. O futebol nem sempre se soccorre da lógica e há imensos fatores que podem influenciar a prestação de uma equipa.

No ano passado, outra equipa de topo, o Borussia Dortmund (por coincidência, futuro adversário do FC Porto na Liga Europa, depois de os dragões terem encontrado o Chelsea na Liga dos Campeões), que foi vice-campeã europeia em 2013, teve uma experiência semelhante. Chegou a temer-se que a equipa alemã descesse mesmo de divisão, mas com uma recuperação fantástica a partir de janeiro, o treinador Jürgen Klopp ainda conseguiu apurar a sua equipa para as competições europeias.

Agora a treinar o Liverpool, Jürgen Klopp deixou o clube alemão no final da temporada passada, permanecendo como um ídolo para os adeptos do Borussia Dortmund. E tenho a certeza que, de igual modo, assim continuará José Mourinho a ser visto pela massa associativa do Chelsea, já que o português foi responsável pela afirmação do clube no panorama inglês e europeu. A sua imagem permanece intacta.

Além disso, o técnico português tem um percurso que fala por si, e já deu provas mais do que suficientes da sua qualidade. Do FC Porto ao Chelsea, com passagens por Inter e Real Madrid, foi sempre campeão. E ganhar quatro ligas de países diferentes não é para todos. E foi campeão europeu ao serviço de um clube português e de outro italiano, países que não têm o capital financeiro existente em Inglaterra, Espanha ou Alemanha. E é bom não esquecer que o seu sucesso abriu portas a outros treinadores portugueses no estrangeiro.

Voltando ao Chelsea, o que correu mal este ano? A equipa nem sempre pareceu estar com os índices de motivação em alta, algo em que Mourinho é especialista. Uma espécie de fadiga física e mental que assolou uma equipa triste, à qual alguns episódios estranhos como o sucedido com a médica Eva Carneiro também não ajudaram, bloqueando o conjunto de jogar ao nível do que sabe e pode fazer.

Os melhores também caem. E por mais competentes e talentosos que sejam treinadores e jogadores, nem sempre as coisas correm como esperado. É preciso uma combinação de vários fatores para colocar a máquina a engrenar, e a verdade é que esta emperrou. Mourinho acaba por não ter a oportunidade de iniciar um processo de recuperação da equipa, com a ajuda do mercado de inverno, missão que ficará agora entregue ao próximo treinador.

Quanto ao português, fica a dúvida sobre qual será o seu futuro. Um desafio novo numa liga diferente (Alemanha ou França?), uma experiência noutro clube inglês (Manchester United?), o assumir de uma seleção após o Euro'2016 ou o regresso (pouco provável) a um clube português? Seja qual for o seu destino, acredito que a sua história se fará com vitórias.

Aproveito para desejar um Feliz Natal a todos os leitores do Record.

O CRAQUE

Pacense em boa forma

Com quatro golos nas últimas três partidas da Liga, Bruno Moreira é atualmente o melhor marcador português da prova, tendo sete tentos apontados. O avançado pacense já tinha dado provas do seu faro de golo na época anterior, em que apontou dez golos, e este ano parece caminhar para uma temporada ainda melhor. O feito ganha ainda maior relevo se notarmos que esta época o jogador não começou como titular, tendo ganho a confiança do treinador apenas a partir da sétima jornada. Um ponta-de-lança experiente, bom na desmarcação e sempre oportuno para finalizar.

A JOGADA

Sorteio simpático, mas atenção

Portugal já conhece os adversários da fase de grupos do Euro'2016 e não se pode queixar da sorte, uma vez que poderiam ter calhado outros adversários que, em teoria, têm maior poder futebolístico. Islândia, Hungria e Áustria são oponentes ao alcance da nossa Seleção, mas de respeito. É bom que não fique a ideia de que serão favas contadas. Muitos jogadores destas seleções têm experiência nas grandes ligas europeias e a presença na prova será o auge das suas carreiras, pelo que a motivação será altíssima. É preciso mostrar o favoritismo dentro de campo.

A DÚVIDA

Europeu sem árbitros lusos

Ainda sobre o Euro'2016 ficámos a saber que a competição não contará com nenhum árbitro português, já que nenhum representante luso integra o grupo de elite da UEFA, do qual Pedro Proença e Olegário Benquerença foram os últimos a fazer parte. Não deixa de ser um sintoma de que nem tudo vai bem na arbitragem portuguesa, que há dois anos abraçou a profissionalização. Algo correu mal. Teremos atualmente árbitros com menos talento ou a gestão das suas carreiras não está a ser a melhor?

Deixe o seu comentário
Assinatura Digital Record Premium

Para si, toda a
informação exclusiva
sempre acessível

A primeira página do Record e o acesso ao ePaper do jornal.

Aceder

Pub

Publicidade