Os primeiros quatro meses de Sérgio
No dia da sua apresentação como treinador do FC Porto, Sérgio Conceição foi perentório: "não vim para aqui para aprender, venho para ensinar". Passaram-se 4 meses desde essa afirmação e a crítica tem sido unânime em reconhecer melhorias a um plantel praticamente igual ao da temporada passada. O desafio de tirar o melhor de cada jogador, a vontade de ganhar, a motivação constante e a gestão de recursos têm sido a marca distintiva do técnico dos dragões.
Face a um período de menor fulgor financeiro, Sérgio Conceição aceitou o desafio de olhar para a matéria-prima existente dentro de casa, identificar os jogadores que iriam perfazer o seu plantel e formar uma equipa competitiva, capaz de lutar pelos títulos nacionais e inclusivamente de se superar a si mesma. Para se obterem vitórias e chegar ao sucesso, é necessário um empenho e entrega sem limites. Nota-se que esse ideal tem sido passado aos jogadores.
É uma fórmula semelhante em todas as equipas. Na liderança de um plantel, há que fomentar um ideal de conquista, promovendo junto dos atletas um carácter e atitude dentro de campo que os faça acreditar nas suas potencialidades e também da própria equipa. O grito de guerra dado por Sérgio Conceição em Alvalade (que muitos quiseram interpretar de forma errada) foi isto mesmo, um depositar de confiança no trabalho dos jogadores.
A aprendizagem começa logo no primeiro treino e continua até ao último dia da temporada. O jogador deve visualizar os valores defendidos pelo clube e incorporar dentro de campo o rigor, a disciplina, a dedicação, a ambição, a criatividade, a cooperação, a coragem e a capacidade de sofrimento. No fundo, é com base nestes pilares que os jogadores vão conseguir crescer e tornarem-se mais capazes. Obviamente, que este é um trabalho aprofundado no dia-a-dia, no processo de treino e nos jogos que se ganham nas pernas.
É visível que Sérgio Conceição prefere uma abordagem próxima dos jogadores. E aqui tenta estabelecer um compromisso de responsabilidade com todos, de dedicação e fidelidade a uma causa. A forma como convenceu alguns jogadores a abraçarem o seu projeto, como foi o caso de Aboubakar, que acaba agora de renovar contrato com o FC Porto até 2021, é ilustrativa do dedo que o treinador tem tido na motivação e união de cada membro do grupo.
Do ponto de vista tático, Sérgio tem montado uma equipa para vencer em qualquer campo, sem medo de arriscar. Quando estamos empenhados num trabalho, a dúvida e a incerteza são as maiores inimigas. Importa mostrar que todos têm valor e podem contribuir, sem receios, para o alcance dos objetivos. Esse é um legado que se tem instalado.
Sérgio Conceição disse para o que vinha e tem feito o seu trabalho. As bases estão lançadas. Tem uma equipa competitiva e motivada, jogadores a renderem (e a aprenderem) e resultados positivos que animam os adeptos. Mas a meta ainda está longe e muitos obstáculos ainda surgirão pela frente. Porém, é justo dizer que passou os primeiros 4 meses enquanto técnico dos dragões com elevada distinção.
Com larga experiência no futebol nacional e internacional, está consciente que o verdadeiro teste ainda está por chegar, à medida que os jogos se forem tornando cada vez mais decisivos. A força do grupo, aliada ao talento individual de cada jogador, é o seu alicerce. Depois vem o trabalho diário. E Sérgio gosta disto. O brilhozinho nos olhos sempre que fala de futebol (e da sua equipa) e os temas que por vezes aborda, mostram que podemos ter um lado do futebol português bem mais interessante do que aquele das quezílias e polémicas.
O Craque – Aposta certa
André Silva foi uma das novidades introduzidas por Fernando Santos na equipa da Seleção Nacional após a conquista do Euro’2016. E essa aposta não podia ter sido mais certeira. Com 11 golos em 17 partidas, o jovem avançado português confirmou ser uma mais-valia e o parceiro ideal para Cristiano Ronaldo no ataque. Com apenas 21 anos, o ponta de lança caminha para números muito interessantes, sendo que é ainda um jogador em crescimento, com enorme margem de progressão. Agora ao serviço do AC Milan, o ex-dragão vai continuar a apurar o seu faro de golo.
A Jogada – Passaporte carimbado
Portugal conseguiu apurar-se diretamente para o Mundial’2018, sem precisar de ir ao playoff. A última vez em que o havia conseguido foi na qualificação para o Campeonato do Mundo de 2006, há 12 anos. Foi uma equipa comprometida com o objetivo, consciente das suas capacidades e, acima de tudo, muito competitiva. A jogar com maior ou menor qualidade, hoje a nossa Seleção apresenta um grande equilíbrio e inteligência emocional. Uma força que lhe permite estar ao nível das maiores equipas. Mais uma vez, Fernando Santos prometeu e cumpriu. Estão todos de parabéns.
A Dúvida – Estancar a defesa
Com os resultados a não aparecerem, procuram-se encontrar inúmeras razões que ajudem a explicar este período menos positivo do Benfica. A questão da saída de 3 jogadores nucleares da defesa é uma delas e olhando para o desempenho defensivo encarnado, os números são esclarecedores: a equipa sofreu golos em 75% dos jogos realizados esta temporada. 15 golos sofridos em 12 partidas. Se excluirmos a goleada em Basileia, contam-se 10 golos em 11 jogos. Rui Vitória tem este problema da permeabilidade da defesa para resolver. A pausa das seleções terá vindo em boa altura?
