Visão de jogo

António Oliveira
António Oliveira

Portugueses na Champions

1 – Os três grandes já conhecem os adversários que vão ter pela frente na próxima edição da Liga dos Campeões. Por força da queda portuguesa no ranking da UEFA, esta é uma realidade que não irá acontecer nos próximos anos, pelo que se trata de uma oportunidade única, a curto prazo, para podermos ver as principais potências nacionais a participarem em simultâneo na principal competição de clubes do mundo.

Em relação ao sorteio, podemos dizer que os clubes portugueses tiveram sortes diferentes. O Benfica irá reencontrar José Mourinho, Lindelöf e Matic. O Manchester United será o principal adversário e é favorito à vitória do grupo. No entanto, os encarnados terão capacidade para fazer jogos equilibrados com os "red devils". Basileia e CSKA Moscovo serão oponentes complicados, mas em teoria as águias são superiores e surgem como candidatas a um dos lugares de apuramento para os oitavos de final.

O FC Porto acaba enquadrado num grupo de bastante equilíbrio. Encontrará a equipa sensação e semi-finalista da prova no ano anterior, o Mónaco de João Moutinho e Falcão, ex-dragões que vão voltar à casa antiga. Mas vamos ter também os regressos de Pepe e Ricardo Quaresma, ao serviço de um reforçado Besiktas, de onde veio Aboubakar, em grande plano nos dragões. E o Leipzig, vice-campeão alemão que surpreendeu tudo e todos, terá a sua estreia no plano europeu e promete ser um osso bem duro de roer. É um grupo em que qualquer equipa poderá conseguir o apuramento. Os portistas terão de estar no seu melhor para terem palavra a dizer.

A fava calhou ao Sporting. O vice-campeão europeu e campeão italiano Juventus e o todo-poderoso Barcelona de Lionel Messi serão rivais de extrema dificuldade. Com o Olympiakos (onde se regista o regresso de André Martins a Alvalade), apesar de os gregos serem perigosos a jogar em casa, os leões serão favoritos na luta pelo lugar na Liga Europa. Porém, no passado o Sporting quase bateu o pé ao Real Madrid em pleno Santiago Bernabeu e Jorge Jesus já eliminou a Juventus, pelo que o desafio, parecendo agora muito difícil, só pode ser motivador. É nestes grandes jogos que os atletas querem estar e um brilharete não é impossível. A qualificação para a fase de grupos foi um objetivo atingido, e como disse o treinador, há que desfrutar disso.

2 – Esta Liga dos Campeões contará com 6 treinadores portugueses na fase de grupos. O nosso país é novamente um dos mais representados, o que confirma o reconhecimento da qualidade do técnico nacional no atual panorama europeu. José Mourinho, Leonardo Jardim, Paulo Fonseca, Rui Vitória, Sérgio Conceição e Jorge Jesus serão dignos representantes de uma escola de treinadores que tem vindo a ganhar projeção na principal montra europeia. E terão aqui mais uma oportunidade para confirmar o seu valor.

3 - O selecionador Fernando Santos já deu a conhecer as suas escolhas para as partidas com as Ilhas Faroé e a Hungria, a contar para o apuramento para o Mundial’2018. Bruno Varela, Fábio Coentrão, Bruma e Nélson Oliveira são novidades que confirmam a vasta quantidade de soluções que neste momento Portugal tem ao seu dispor. Hoje, a base de recrutamento da nossa Seleção contempla um núcleo de 40-45 jogadores e isso é um fator importante que nem sempre aconteceu. Fruto do bom trabalho nas seleções jovens, muitos atletas começam a espreitar oportunidades e o próprio Fernando Santos confirmou estar atento. Bruno Fernandes, Ricardo Pereira ou Rúben Semedo, por exemplo, são nomes na calha para o futuro.



O Craque – Fator Jonas
Jonas parece estar cada vez mais perto da forma ideal. A exibição da última jornada frente ao Belenenses, com um hat-trick incluído, veio confirmar a importância que o avançado brasileiro continua a ter na dinâmica ofensiva do Benfica. Além da produtividade ao nível de golos (5 em 4 jogos), é também um dos principais municiadores de lances para os companheiros, fazendo uso das suas rápidas desmarcações e leitura de jogo acima da média. Apesar dos 33 anos, a qualidade continua intacta e o seu papel nas águias é de relevo.

A Jogada – Demonstração de força
Com duas vitórias de "chapa 5" em Guimarães e Bucareste, numa altura em que o Sporting enfrentava os seus primeiros grandes testes da época, os leões deram uma enorme demonstração de força. Além de terem encontrado o caminho dos golos, destaque-se a nota artística e consistência das exibições, mostrando que a equipa de Jorge Jesus tem argumentos (e soluções) para fazer uma temporada melhor que a anterior. O facto de vários jogadores terem feito o gosto ao pé é também um sinal positivo, o que indicia uma menor dependência em relação a Bas Dost.

A Dúvida – Caça ao palavrão?
Num país onde a justiça desportiva demora meses para decidir penas sobre jogadores que agridem colegas de profissão, vemos agora um célere castigo sumário de 3 jogos aplicado a um árbitro por alegadas palavras impróprias para com um jogador. A situação não deixa de ser curiosa. Dentro de campo, jogadores e treinadores utilizam vocabulário inapropriado, até entre elementos da mesma equipa. Faz parte da tensão envolvente e do próprio jogo. O castigo aplicado a Jorge Sousa pode vir a criar um efeito bola de neve. Passaremos agora a ter um controlo maior sobre os agentes desportivos que usarem linguagem grosseira?

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