Visão de jogo

António Oliveira
António Oliveira

Produzir mais golos

Quem gosta de futebol segue uma modalidade que tem nos golos o seu pico de emoção. São eles que proporcionam a alegria e euforia das vitórias, ou a tristeza e frustração das derrotas. No fundo, são um dos principais motivos que nos fazem ver jogos atrás de jogos com a mesma vontade de sempre. Este tema vem a propósito de algo que os números das últimas épocas têm vindo a apontar: em Portugal marcam-se poucos golos.

Na época passada marcaram-se 728 golos na liga portuguesa em 306 partidas, o que dá uma média de 2,38 golos por jogo. Mais de metade das partidas terminaram com menos de 3 golos e o resultado mais frequente foi o empate 1-1, o que é revelador de um certo conservadorismo das nossas equipas, sendo que muitos golos surgem em lances de bola parada, o que indicia uma menor vontade de arriscar em bola corrida. Na atual liga, com 4 jornadas cumpridas, a média de golos por jogo mantém-se quase igual: 2,39.

Em Espanha, Inglaterra, Alemanha, França e até mesmo Itália (campeonato conhecido por ser mais rigoroso taticamente e com equipas mais defensivas), a média de golos apontados por jogo é muito superior, estando perto dos três por partida. O mesmo acontece em campeonatos como o holandês, o belga e o turco. Apenas ligas como a russa e a grega apresentam um pecúlio de golos inferior ao português.

Que fatores contribuem para que isto aconteça? O primeiro ponto que se poderá equacionar é a qualidade de jogo e os seus executantes. No entanto, todos os anos saem talentos da liga portuguesa para os principais clubes da Europa. A aposta na formação e a deteção de talentos tem permitido encontrar novos valores de ano para ano. Mas nem todas as equipas conseguem assegurar qualidade na finalização.

Daí surge a questão financeira. Hoje em dia, o golo tem um preço alto. E os melhores artilheiros tornam-se rapidamente alvos apetecíveis dos principais clubes, o que faz com que os emblemas nem sempre os consigam segurar. Por seu lado, jogadores como Bas Dost, principal marcador da liga na época anterior, Raúl Jimenez ou Aboubakar, por exemplo, são muito caros e nem todos os clubes têm a mesma possibilidade de investir em ativos destes. Noutras alturas, vimos grandes goleadores em equipas mais pequenas e igualmente com dificuldades financeiras. Será a vertente económica justificação suficiente para o divórcio com o golo?

Por sua vez, há a questão tática. Os treinadores portugueses, a dar cartas lá fora, em muitos casos, até pelo brilhante jogo ofensivo das suas equipas, estarão a optar por estratégias mais conservadoras dentro de portas? Em muitos casos, sim. A pressão dos resultados, o eventual receio de perderem o lugar em função de 2 ou 3 jogos negativos, leva a uma abordagem mais pragmática, mais focada no desempenho defensivo. A vencer por 1-0, a tentação de segurar o resultado é maior do que a vontade de procurar os segundo e terceiro golos.

Esta situação merece alguma reflexão, já que a falta de golos não favorece o espetáculo e o próprio negócio. Mais golos trazem mais adeptos aos estádios e mais telespectadores (nacionais e internacionais) e este deve ser um desígnio a pensar: criar condições para que as equipas portuguesas pratiquem um futebol mais criativo, com mais golos e emoção. É algo que ultrapassa diferenças de orçamentos. É uma questão de mentalidade.

O Craque – Central interessante

O Feirense tem apenas 2 golos sofridos no presente campeonato e um dos jogadores que tem contribuído para esse registo positivo é o central Flávio Ramos. O brasileiro chegou na época passada ao clube fogaceiro, tendo conquistado a titularidade em dezembro. Desde aí, tem sido uma peça importante na equipa, imponente no jogo aéreo defensivo e ofensivo (fazendo uso dos seus 1,91m de altura) e muito assertivo na marcação. Ainda jovem (23 anos), apresenta uma margem de progressão interessante. Um valor a seguir.

A Jogada – Faltam duas finais

A Seleção Nacional continua a depender de si própria para chegar, de forma direta, ao Mundial’2018. Depois das vitórias sobre Ilhas Faroé e Hungria, ficam a faltar 2 finais para disputar: uma deslocação a Andorra e o embate final em casa com a Suíça. Com melhores e piores exibições, Portugal tem tido o controlo emocional e a objetividade necessários para cumprir as metas que tem definidas. Isso é um sinal demonstrativo da maturidade da equipa comandada por Fernando Santos. Faltam 180 minutos e a nossa equipa tem qualidade para superar os próximos obstáculos.

A Dúvida – O que esperar de William?

Olhando para o que foi a última semana do mercado de transferências nacional, William Carvalho acaba por ser a principal surpresa e, talvez, motivo de enorme alegria para Jorge Jesus. Parece evidente que o jogador procurava sair em busca de um contrato melhor, mas as propostas que chegaram (ou não) ao Sporting parecem não ter correspondido ao que os leões pretendiam. Jorge Jesus passa assim a poder contar com um enorme "reforço" para o centro do terreno. Resta a dúvida: esta situação da hipotética saída irá ou não afetar o rendimento do jogador? No passado, já vimos casos bem e mal resolvidos.

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