Visão de jogo

António Oliveira
António Oliveira

Promover o nosso produto

Vivemos uma época de oportunidade. O país campeão da Europa de futebol pode (e deve) capitalizar esse prestígio para a promoção dos seus jogadores e, particularmente, da sua liga de futebol. É certo que a concorrência de Espanha, Inglaterra, França, Itália e Alemanha é enorme e desperta muito interesse. Contudo, existe mercado por explorar para atrair mais audiências e, consequentemente, patrocinadores.

Na final do Euro'2016, 5 dos 11 titulares portugueses jogavam em equipas nacionais. E sendo a liga portuguesa uma competição em que, ano após ano, despontam grandes talentos, que acabam por ser vendidos para as principais equipas europeias, há que capitalizar esse ativo e tentar fazer chegar o nosso futebol a um maior número de mercados internacionais, interessados em conhecer as estrelas do futuro.

Portugal é um país formador e, pela amostra das Seleções jovens, vêm aí novos talentos para dar a conhecer. Mas as nossas equipas também se especializaram na deteção de talento por esse Mundo fora, identificando jovens promessas que depois são valorizadas e ganham dimensão internacional. Este capital que nos é reconhecido gera atenções sobre a nossa liga.

A propósito da digressão do FC Porto ao México, que coincidiu com uma visita de Estado do Presidente da República, foi possível aferir do enorme interesse e atenção mediática que o clube gera naquele país. Em Portugal alinham vários jogadores mexicanos que acabam por funcionar com 'embaixadores' da nossa competição. Estamos a falar de um mercado com 120 milhões de habitantes, que adoram futebol e seguem o nosso campeonato com atenção (apenas Espanha conseguirá atrair mais audiência). É um destino estratégico para a promoção da liga portuguesa.

Em função dos mercados em que apostam os nossos clubes, outros países surgem como oportunidades a reter, tanto no recrutamento de atletas como na promoção. Na América do Sul, além de Brasil e Argentina, a Colômbia é um desses exemplos. Mas há mais por explorar, desde a endinheirada China aos fanáticos japoneses, sem esquecer os países árabes e africanos.

Torna-se prioritária a existência e colocação em marcha de um plano estratégico que defina os mercados ideais para se promover a liga portuguesa. Fomentar ações de charme e aproveitar mesmo estas alturas de pré-época para levar os nossos principais clubes e estrelas a efetuar jogos em mercados externos. Por exemplo, qual seria o retorno de um Benfica-FC Porto realizado na Ásia, com estrelas como Casillas, Mitroglou, Pizzi ou Danilo a marcarem presença? Acredito que seria favorável para todos, clubes incluídos.

A criação de programas televisivos semanais, dobrados em línguas como o inglês e o espanhol, com entrevistas a jogadores e treinadores. O convite a imprensa estrangeira para assistir a jogos do campeonato português e conhecerem os principais clubes. A criação de 'tours' para turistas. São aspetos cuja viabilidade deve ser estudada. Representam custos, mas podem significar um investimento certeiro na atração de novos públicos e, com isso, receitas para a indústria do futebol português.

Existe a questão dos horários dos jogos (as partidas de manhã já foram testadas), que deve ser pensada o melhor possível para se chegar a outros destinos e mais telespectadores. E há também a necessidade de um compromisso, entre todos os clubes da liga, treinadores e jogadores, de tentarem praticar um futebol mais atraente. Acima de todas as polémicas, pensar o futebol português e o seu produto é um desígnio que não pode ficar esquecido.

O CRAQUE
'Reforço' para as faixas

Ricardo Pereira evoluiu imenso nos dois anos que passou em França ao serviço do Nice. De regresso ao FC Porto, o jogador português parece apostado em ganhar um lugar no onze titular dos dragões e apresenta-se como solução para a lateral direita (fazendo forte concorrência a Maxi Pereira), mas também para zonas mais avançadas nas alas. Jogador raçudo, muito rápido e com boa técnica, capaz de criar desequilíbrios, poderá ter finalmente (se entretanto não aparecer nenhum comprador milionário) a sua época de afirmação ao serviço do dragão.

A JOGADA
Afinar agulhas

As equipas começaram agora a disputar as primeiras partidas amigáveis e os resultados, nesta fase, são o que menos interessa. É tempo de trabalhar o físico, avaliar o potencial dos jogadores, incutir as primeiras ideias de jogo e começar a ganhar rotinas táticas. Os erros cometidos acabam por ser naturais e esta é a altura ideal para eles surgirem e se aprender com eles, de modo a que não aconteçam quando a competição for a doer. As equipas não ficam preparadas com um mero estalar de dedos e necessitam obviamente de tempo para crescer e evoluir.

A DÚVIDA
Jogar com três defesas

A propósito da preparação para a nova época, é notória a preocupação das equipas em apresentaram uma maior versatilidade tática, sendo capazes de alinhar em diferentes esquemas. Ninguém abdica do chamado 'plano B'. Em destaque tem estado o ensaio de Jorge Jesus com o 3x4x3, convicto de que o futebol caminha para este sistema com 3 defesas. Grandes equipas europeias como o Chelsea e a Juventus, e algumas seleções internacionais, têm apostado com sucesso nesta tática. Será este o principal esquema tático dos próximos anos?

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