Prós e contras de Lopetegui
Este é, porventura, o momento mais conturbado de Julen Lopetegui no comando técnico do FC Porto. A relação com os adeptos está mais tensa, muito por culpa do objetivo falhado na Liga dos Campeões (quando tudo parecia bem encaminhado) e pelo facto de a equipa azul e branca não estar a apresentar uma consistência exibicional que transmita maior confiança para as bancadas do Dragão.
Os adeptos portistas são exigentes e é isso que também faz do FC Porto um clube diferente. A cultura de vitória está enraizada e o recheado palmarés de recentes conquistas nacionais e internacionais eleva ainda mais a fasquia. Se até Vítor Pereira, bicampeão em dois anos e apenas com uma derrota em 60 jogos da liga, causou uma certa insatisfação, o escrutínio é ainda maior sobre Lopetegui, que venceu 70 por cento das partidas disputadas e registou até ao momento apenas quatro derrotas em jogos oficiais em Portugal.
É um facto que o FC Porto fez pontos que, noutros contextos, seriam mais do que suficientes para passar a fase de grupos da Liga dos Campeões. Só 11 equipas fizeram mais pontos do que os dragões nesta edição e a Roma só precisou de seis pontinhos para seguir em frente. Mas é igualmente factual que os dragões falharam um dos grandes objetivos da temporada, com repercussões desportivas e financeiras (forçará isto a alguma venda em janeiro?), e deixaram fugir uma meta que sempre pareceu estar ao seu alcance com a inesperada derrota caseira com o Dínamo Kiev.
Os duelos com a equipa ucraniana, que tem qualidade, acabaram por ser decisivos. Mas o FC Porto tinha obrigação de fazer mais, sobretudo na partida em casa, onde poderia ter gerido o jogo de outra forma e fez uma péssima exibição. Uma derrota em Londres com o Chelsea acaba por ser um desfecho natural. Não foi ali que os dragões falharam o alvo. Mas isso não invalida que as opções do treinador em Inglaterra não mereçam algumas críticas, sobretudo por insistir em alinhar por vezes com sistemas táticos que não estão apreendidos pela equipa, obrigando alguns elementos a jogar em posições onde denotam clara falta de rotinas.
Ao contrário de outras pessoas, não critico a rotatividade. Que é algo bem diferente de andar a trocar os atletas das suas posições e por vezes até de setores. Numa equipa com 15/16 jogadores com potencial para jogar na equipa principal, a rotação permite gerir o esforço dos atletas e é benéfica para a competitividade interna do plantel. Mas cair no erro de confundir as duas coisas, rotatividade e troca de sistemas, isso já pode ser um risco. No jogo com o Tondela, vimos André André a ter de vir ao banco perguntar em que posição devia alinhar. Não faz sentido.
Para cair em graça junto dos adeptos do FC Porto o caminho é só um: ganhar. De preferência a jogar bem. Sentir o clube, ter garra e raça, mostrar rigor e competência, também é estar em sintonia com quem apoia o clube: a massa associativa, adeptos e simpatizantes. Descurar esta questão pode ser fatal. E a resposta é dentro de campo que se dá. Segue-se um jogo difícil na Madeira, sem margem para erro.
O CRAQUE
Suk achou caminho dos golos
A JOGADA
Recuperação em Guimarães
Com três vitórias nos últimos quatro jogos da liga, o V. Guimarães começa a dar sinais de retoma, depois de um início de temporada em que sentiu grandes dificuldades, em parte provocadas pelas saídas do treinador Rui Vitória e de jogadores importantes como André André ou Bernard, e também pelo tempo que levou a integrar novos elementos. Os resultados começam agora a aparecer para a equipa de Sérgio Conceição. E os vimaranenses já só estão a 2 pontos dos lugares europeus. São a prova de que o trabalho feito com tempo traz melhorias.
A DÚVIDA
Insinuações escusadas
Como apreciador da modalidade, é com agrado que vejo o regresso do ciclismo ao FC Porto, ainda mais com um parceiro e uma equipa que tem dominado o ciclismo nacional nos últimos anos. Havendo garantias de que é um projeto sustentável e com ambição desportiva, a ideia é excelente. Ao que parece Sporting e Benfica também terão sido sondados por este projeto. Bonito mesmo era ter os três grandes de volta à estrada. Escusadas foram as insinuações dos leões sobre doping depois de romperem o acordo com o patrocinador. Não foi mais um caso, como diz o ditado, de 'quem desdenha quer comprar'?
