Visão de jogo

António Oliveira
António Oliveira

Que futuro para as equipas B?

Tudo indica que a criação do campeonato sub-23, por parte da FPF, será mesmo uma realidade na próxima época, mas muitas dúvidas se levantam em relação ao futuro das equipas B. Alguns clubes parecem mesmo dispostos a acabar com as equipas secundárias e passar a competir apenas na nova prova. Seria bom pensar no eventual retrocesso que esta situação pode vir a representar, depois do impacto positivo que teve a introdução das equipas B na 2.ª Liga nos últimos 6 anos.

A criação de uma competição que possa ajudar a contornar as dificuldades que centenas de jovens jogadores portugueses sentem na transição da formação para as camadas seniores é uma ideia meritória. Faz sentido e trará certamente benefícios ao futebol português e suas equipas profissionais. Tratar-se-á de uma etapa importante na progressão dos jogadores. Mas esta prova não oferecerá o mesmo nível competitivo que a 2.ª Liga dá aos atletas que têm passado pelas equipas B, com efeitos evidentes na sua rápida evolução. E esta é uma questão central.

O presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, Pedro Proença, revelou esta semana, que as transferências de jogadores que passaram pelas equipas B nacionais, desde 2012, superaram os 375 milhões de euros, um valor que não pode ser subestimado. Estamos a falar de uma média superior a 60 milhões de euros de vendas dos clubes por época.

Pedro Proença referiu ainda que as equipa B e o campeonato sub-23 são duas realidades "complementares" que podem "viver em perfeita harmonia". E há muitos treinadores a defenderem a continuidade das equipas B na 2.ª Liga, situação que não agrada a alguns clubes participantes na prova. Mas seria importante encontrar uma solução que fosse aceite por todas as partes. "Manter este espaço, sem hipotecar o de outros", disse o presidente da Liga. Uma posição sensata e acertada.

A ideia do campeonato sub-23 é algo que os ingleses adotaram nos últimos anos, com benefícios no seu futebol de formação (as seleções jovens da Inglaterra têm estado em excelente plano, conquistando títulos), mas ainda sem o sucesso pretendido, nomeadamente ao nível da capacidade competitiva e rápida progressão dos atletas, ao ponto de muitos especialistas daquele país olharem para o modelo das equipas B portuguesas com elevado interesse. Acaba por ser caricato se acabarmos por seguir um caminho inverso.

É visível que os clubes têm tirado dividendos com a venda de atletas. E além da questão financeira, há ainda a desportiva, com muitos jovens a conseguirem-se impor nas equipas principais depois de mostrarem valor na formação secundária, como são os casos, por exemplo, de Diogo Dalot (FC Porto), Rúben Dias (Benfica), Gelson Martins (Sporting) ou Bruno Xadas (Braga), entre muitos outros.

Por seu lado, as próprias seleções jovens têm ganho com isso. E ainda esta semana, deram uma prova dessa maturidade competitiva. Os sub-21 deram a volta a uma desvantagem de 2 golos e venceram a Suíça por 2-4, liderando o grupo de apuramento para o Europeu da categoria, e os sub-19 venceram a Ronda de Elite de apuramento para o Europeu, com 3 vitórias em 3 jogos, tendo apontado 10 golos e sofrido nenhum.

O trabalho dos clubes e das seleções é notório no aproveitamento do espaço que as equipas B oferecem para a evolução das nossas jovens promessas. Há que tentar otimizar ainda mais este processo (e o campeonato sub-23 vem nesse sentido) e não prejudicar o percurso até aqui percorrido. Acabar com as equipas B pode ser um erro estratégico.

Uma Páscoa Feliz para todos os leitores de Record.


O Craque – Boa surpresa em Chaves
O mercado sérvio tem fornecido bons valores para o futebol português e foi lá que o Chaves encontrou uma das revelações do nosso campeonato. O defesa central Nikolas Maras tem sido uma boa surpresa. Com 22 anos, este internacional jovem pela Sérvia, que até já alinhou pela seleção principal, destaca-se pela estampa física e acerto defensivo, assim como pela inteligência com que consegue ler o jogo. Jogador rápido na antecipação, mostra que tem perfil para liderar uma defesa e uma margem de progressão muito interessante.

A Jogada – O jogo da jornada
O Sporting chega à próxima jornada com aspirações de chegar mais longe na tabela classificativa, tendo de ganhar os seus jogos para poder vir a tirar dividendos do Benfica-FC Porto que se aproxima. Já o Braga está numa série de 6 vitórias consecutivas na liga, praticando bom futebol e ainda pode espreitar o pódio. Tudo isto são ingredientes que fazem do Braga-Sporting de amanhã, o jogo da jornada entre duas grandes equipas. O ruído alimentado pelos dirigentes de ambos os clubes, em torno de assuntos que não deviam ser tratados em praça pública, é que era escusado.

A Dúvida – Desafios futuros
Uma exibição cinzenta frente ao Egito, com 2 golos nos descontos, e a derrota de Portugal com a Holanda por 3-0 fez soar os alarmes da crítica. Nem 8 nem 80. A Seleção Nacional tem qualidade, mas é normal que existam coisas a melhorar e se há jogos com margem para testar e errar, é precisamente nos amigáveis de preparação. Os principais problemas parecem estar na composição do meio-campo e na falta de ligação ao ataque. Porém, sem Danilo Pereira ou William Carvalho, o selecionador teve de encontrar soluções e a ausência de rotinas notou-se. Há tempo para corrigir? Acredito que sim.

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