Queda no ranking
Com a eliminação de Benfica e FC Porto dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões terminou a participação portuguesa nas competições europeias da presente temporada. Em termos globais, a prestação das equipas nacionais foi a pior dos últimos oito anos, um aspeto que também ajuda a explicar a nossa queda no ranking da UEFA e a perda de uma terceira vaga para a Liga dos Campeões em 2018/19.
Num período de mudança em que as equipas das principais ligas vão passar a ter mais vagas na fase de grupos da ‘Champions’, numa tentativa da UEFA em dissipar os rumores e intenções cada vez mais frequentes da criação de uma Superliga Europeia (modelo defendido por alguns dos principais emblemas), a liga portuguesa corre o risco de ver a sua representação na montra europeia perder peso nos próximos anos.
Os efeitos serão visíveis em 2018/2019, com apenas uma equipa a ter acesso direto à fase de grupos da Liga dos Campeões e outra a ter de disputar as eliminatórias de acesso. E passaremos a ter quatro equipas na Liga Europa, sendo que o vencedor da Taça de Portugal perde acesso direto à fase de grupos. Uma realidade distinta da que vive atualmente o futebol nacional.
A verdade é que o ranking português nos últimos cinco anos tem estado cada vez mais dependente daquilo que conseguem fazer Benfica e FC Porto. Mas com os pontos a serem divididos por 6, o impacto acaba por se esbater. Face ao atual desequilíbrio de forças existente no futebol europeu, a nível desportivo e financeiro, chegar aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões é o objetivo mais realista para águias e dragões e tal foi cumprido. É possível ser competitivo, mas as hipóteses de chegar a uma fase mais avançada estão hoje reduzidas.
Num passado recente, Sporting e Braga tinham conquistado pontos importantes para Portugal, mas nesta época não conseguiram passar da fase de grupos. Os leões tiveram infelicidade no sorteio, com Real Madrid e Borussia Dortmund a serem adversários na Liga dos Campeões, mas acabaram inesperadamente por perder vaga na Liga Europa para o Légia Varsóvia, equipa inferior. Já os minhotos perderam o apuramento nos descontos da última jornada, mas podiam ter feito melhor já que eram o segundo melhor conjunto do seu grupo.
Apesar de se terem batido bem nas eliminatórias, Rio Ave e Arouca acabaram por não conseguir seguir em frente e não obtiveram mais pontos para as contas lusas. Seria importante que na próxima temporada conseguíssemos ter mais equipas a chegar à fase de grupos da Liga Europa. Ter apenas um representante português, como aconteceu este ano com o Braga, diminui muito as hipóteses de alcançar as posições cimeiras no ranking, já que é precisamente nesta competição que países como Rússia, Ucrânia ou Bélgica têm ganho os seus pontos para discutir a sua posição com Portugal. E é também a prova onde os clubes portugueses têm condições para chegar mais longe.
Portugal tinha destronado a França e afirmara-se como uma das cinco ligas mais poderosas da Europa. Talvez o feito tenha sido temporário e estado acima das reais capacidades dos nossos clubes. No entanto, para que possamos ambicionar um lugar melhor no ranking da UEFA, é preciso o contributo de uma classe média mais forte e com dimensão europeia. Apenas dois representantes não puxam a carruagem toda. Estamos agora em 7.º lugar e a médio prazo vamos ter de lidar com uma nova realidade. Que a recuperação arranque já na próxima temporada.
O CRAQUE -- Grande época
Saiu precocemente de Portugal e demorou a impor o seu futebol. Depois de duas épocas irregulares em que as lesões também não ajudaram, Bruma parece finalmente estar a mostrar lá fora aquilo que pode valer. O extremo destacou-se no ano passado no empréstimo à Real Sociedad e brilha agora ao serviço do Galatasaray no campeonato turco. Leva 8 golos marcados e 6 assistências, números que o colocam entre os melhores daquela liga. Aos 22 anos, é natural que esteja a despertar o interesse grandes clubes e, quem sabe, possa estar na antecâmara de uma chamada à Seleção Nacional.
A JOGADA -- Repensar modelo
O atual modelo da 1.ª Liga em que apenas descem 2 equipas não favorece a competitividade da prova. Chegamos à 25.ª jornada e várias equipas já dão a missão como cumprida com a garantia da manutenção no limiar dos 30 pontos. E com poucos objetivos mais pela frente, essa situação confortável influencia as jornadas que faltam. É óbvio que a maioria dos clubes defende o atual modelo, mas seria interessante repensar a questão. A atratividade da liga portuguesa (assistências nos estádios e audiências televisivas) passa por uma prova competitiva no topo, mas também no fundo da classificação.
A DÚVIDA -- Memória curta
Os adeptos do futebol por vezes têm memória curta e nem sempre valorizam as pessoas que contribuíram para o êxito dos seus clubes. Tivemos o exemplo de Jorge Jesus, a quem alguns benfiquistas não reconheceram o mérito da sua passagem pelas águias (talvez mais por ter saído para um rival direto), e agora foi a vez de José Mourinho ver os adeptos do Chelsea apelidarem-no de Judas. O Chelsea venceu 3 dos seus 5 títulos ingleses com Mourinho e despediu o treinador português por duas vezes. Vistas as coisas, quem traiu quem nesta relação?
