Ressaca europeia

Adicione como fonte preferencial no Google

Esta época o Sporting perdeu pontos nos jogos que se seguiram aos desafios das competições europeias. É difícil poder encontrar apenas uma conclusão para este fenómeno. Vários fatores influenciaram estes resultados inesperados, mas a história recente dos três grandes mostra que os leões são a equipa que mais dificuldades tem em lidar com as semanas de jornada europeia.

Desde 2012, os leões venceram apenas 52% dos jogos internos que disputaram após uma partida europeia. Ou seja, o Sporting acabou por perder pontos em cerca de metade desses confrontos. No mesmo período e depois de jornadas europeias, o Benfica venceu 84% das partidas a nível doméstico e o FC Porto ganhou 71%.

A preparação das equipas para um calendário exigente, que impõe muitas vezes três jogos de nível elevado em 8 dias, é um desafio que os treinadores têm de saber lidar. O plano de treino nem sempre é o desejado pelos técnicos, que sem tempo para fazer mais, acabam por focar-se na recuperação física dos atletas. Nos inícios de temporada, este cenário acaba por ter um peso maior, já que dada a entrada de novos jogadores, dificulta a assimilação das ideias de jogo por estes, o que impede muitas vezes que o rendimento seja imediato.

A composição dos plantéis deve também precaver este maior volume de jogos. Uma equipa base com 13/14 jogadores pode chegar para consumo interno, mas para competir também a nível internacional, as equipas precisam de mais soluções, capazes de entrar na equipa principal a qualquer momento. Só com 18/19 atletas ‘titulares’ se pode dar conta do recado. O Benfica, por exemplo, apesar das várias lesões de jogadores nucleares, conseguiu manter a equipa competitiva com outras alternativas, apresentando rotinas que permitem a rotação de atletas.

No Sporting existe um excelente núcleo base, mas há novos elementos que ainda precisam de ‘beber’ as ideias do treinador para que possam ter uma performance próxima do pretendido. É um caso evidente que, impossibilitado de ter Adrien Silva, Jorge Jesus ainda não encontrou a alternativa ideal para cumprir uma posição fulcral e decisiva no seu sistema de jogo, na ligação entre a defesa e o ataque, incutindo intensidade na recuperação e transporte da bola. Por seu lado, continua também a procura pelo parceiro certo para Bas Dost no ataque. Os leões procuram ter mais opções que só com tempo se sedimentarão.

O FC Porto talvez seja a equipa portuguesa com mais experiência para alinhar na Liga dos Campeões e na Liga portuguesa. Esse traquejo permite que a equipa, apesar de estar a passar por um processo de ambientação a um novo treinador e às ideias deste, saiba lidar com o calendário. Mas também está a criar uma base de soluções para esta temporada e já perdeu pontos esta época depois de um jogo europeu.

Manter uma rota de vitórias no plano interno, sem deixar de fazer boa figura lá fora, não é fácil. A qualidade dos plantéis fala mais alto, assim como o trabalho feito durante a semana na gestão de esforço dos atletas. Mesmo nas grandes ligas, vemos tubarões europeus a perderem pontos depois da jornada europeia. São dilemas bons, que só aparecem a quem está presente nas maiores competições.

Nota: Portugal apurou-se pela primeira vez para o Europeu de futebol de feminino, um feito que se aplaude e que exibe o desenvolvimento que se tem observado na modalidade. Estão lançadas as bases para um futuro que pode dar ainda melhores resultados.

O craque – Entre os melhores

A liga portuguesa volta a ter um representante na lista dos 30 nomeados para a Bola de Ouro. Rui Patrício sucede assim a Ricardo Quaresma, nomeado em 2007 quando alinhava pelo FC Porto. O guardião leonino vive um ano inesquecível, no qual se sagrou campeão europeu por Portugal, sendo uma das figuras da competição, após ter cumprido uma das suas melhores épocas ao serviço do Sporting, onde apresentou enormes melhorias, sobretudo no jogo de pés. Vive o melhor momento da carreira e esta nomeação surge com toda a justiça.

A jogada – Recordes de Rui Vitória

A carreira do técnico Rui Vitória no Benfica tem sido marcada pelo atingir de algumas marcas históricas e desta feita quebrou um recorde com 43 anos. Ao vencer no Restelo, no passado fim-de-semana, cumpriu a 16.ª vitória consecutiva a jogar fora de casa em partidas do campeonato, um registo notável que supera o feito de Jimmy Hagan, também ao serviço das águias, na década de 70. Foi a 50.ª vitória em 64 jogos, feitos que ajudaram o competente técnico a ser campeão e a dar-se a conhecer lá fora. A nomeação da FIFA para o troféu de melhor treinador do ano surge com toda a naturalidade.

A dúvida – Caçador de leões e dragões

Petit está a afirmar-se como um especialista a travar o passo a FC Porto e Sporting. Ao serviço de Boavista e Tondela, o ex-internacional português já venceu por uma vez os dragões e empatou outras duas vezes, em apenas 4 jogos. Frente aos leões leva já 3 empates em 5 confrontos. Contas feitas, em 9 partidas contra dois dos candidatos ao título, conseguiu sair sem ser derrotado em 6 jogos, uma eficácia de 67% ao serviço de equipas com escassos recursos e sem favoritismo. Falta-lhe apenas o Benfica, contra quem saiu sempre derrotado. Conseguirá encontrar também uma fórmula para travar as águias?

Deixe o seu comentário
Assinatura Digital Record Premium

Para si, toda a
informação exclusiva
sempre acessível

A primeira página do Record e o acesso ao ePaper do jornal.

Aceder

Pub

Publicidade