António Oliveira

António Oliveira Senador da Fundação do Futebol

Retoques certeiros

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Chegados a dezembro, vão certamente começar a surgir os primeiros rumores do mercado de transferências. Com um terço do campeonato já cumprido, os clubes já tiveram a possibilidade de fazer o seu próprio diagnóstico e identificar quais as lacunas que têm para colmatar. É tempo de pensar em ajustes, muito cirúrgicos, que possam trazer mais qualidade aos plantéis.

O mercado de janeiro exige critério apertado. Contando com a possibilidade de perda de algum ativo importante, com alguma proposta irrecusável, o equilíbrio dos planteis para o que resta da época deve ser muito bem calculado. Olhando para anos anteriores, são mais os casos de contratações mal sucedidas do que as que surtiram efeito. Mas os aditivos, a serem de qualidade, podem ajudar a subir o patamar de competitividade.

Recordo a importância da chegada de Lucho González e Marc Janko ao FC Porto em 2012, que ajudaram a equipa a recuperar de uma desvantagem pontual para o rival Benfica. E talvez aquele que foi o melhor investimento de inverno na história recente do futebol português, quando o Sporting regressou ao título em 2000, contando com a preciosa ajuda de jogadores como André Cruz, César Prates e Mpenza.

No ano passado, os leões aproveitaram também o mercado de inverno para reforçar a equipa. O regresso de Rúben Semedo e as chegadas de Schelotto e Coates trouxeram solidez defensiva. E é provável que venham agora também a acontecer alguns retoques. A chegada de um lateral esquerdo parece ser uma pretensão e face às possíveis saídas de Elias e Meli, como se vem noticiando, pode ser preciso um novo médio. Resta saber se voltará o assédio a Adrien Silva.

No FC Porto, a questão passa por saber se o clube terá meios financeiros para atacar o mercado em consonância com as necessidades. Um bom trabalho de scouting e a identificação de talentos a bom preço é a solução. Não será de descartar a venda de um ativo que financie as aquisições. Na minha opinião, falta um médio, um n.º 8 que possa libertar Óliver Torres para missões mais adiantadas no terreno. Seria importante encontrar um extremo rápido e explosivo e também um concorrente direto (ou parceiro de ataque) para André Silva, para aliviar a pressão que se começa a centrar em cima do jogador. A contratar, que seja alguém que traga algo mais à equipa.

Quanto ao Benfica, e a não ser que uma lesão ou venda importante o imponha, este mercado deverá ser mais tranquilo. Como se viu nos últimos 3 meses, com várias lesões, o plantel encarnado mostrou ter soluções. Mas nunca será de descartar um bom negócio ou a vinda de um jogador para o futuro que se possa ir ambientando à equipa. A chegada de Grimaldo sucedeu assim na época passada e deu os seus frutos.

E há que ter em conta que, na próxima semana, os clubes portugueses decidem o seu futuro nas competições europeias. O que pode muito bem ser decisivo nas movimentações que se vierem ou não a efetuar no mercado. Benfica e FC Porto têm a possibilidade de resolver em casa a passagem aos oitavos de final da Liga dos Campeões. Já o Sporting terá assegurar a passagem para a Liga Europa, não podendo por isso perder em casa do Legia. E será importante vencer, no sentido de amealhar pontos que lhe permitam ser cabeça-de-série no sorteio. Já o Braga, a depender de si próprio, terá de superar o Shakthar ou ter um resultado igual ao do Gent para passar. Uma jornada importante para acumularmos pontos no ranking português para lá de janeiro e continuarmos a lutar pelas 3 vagas na liga milionária.

Craque – Peça chave nas águias

Melhor marcador da equipa (7 golos em 19 jogos esta época) e jogador das águias com mais assistências no campeonato, Pizzi é neste momento uma peça essencial no esquema de Rui Vitória. Alinhando principalmente no centro do terreno, mas também pelas alas, o jogador tem sido de extrema utilidade correspondendo com boas exibições às missões que lhe são entregues. Inteligente a ler o jogo (encontra sempre solução nos lances em que recebe a bola), intenso na pressão e bom finalizador. A boa forma de Pizzi reflete-se também nos resultados da equipa.

A Jogada – Ironias do destino

Infelizmente, a tragédia voltou a assolar o futebol com o desastre de aviação que vitimou mais de 70 pessoas, entre as quais, quase toda a equipa e staff do Chapecoense. Por ironia do destino, este clube brasileiro vivia um dos momentos mais felizes da sua existência, com a participação na final da Taça Sul-Americana. Entre as vítimas está o técnico Caio Júnior, que passou por Portugal como jogador e que se cruzou comigo, quando treinei o V. Guimarães. Ficam os votos de que a memória honre quem partiu e o clube se possa reerguer depois deste duro golpe.

A Dúvida – Paradoxo azul e branco

No último mês, o dragão viveu um grande paradoxo. Passa um momento de grande segurança defensiva, no qual consentiu apenas um golo (já nos minutos de descontos com o Benfica), no entanto a prestação ofensiva está muito abaixo do aceitável, já que não conseguiu marcar mais do que 2 golos, ficando em branco em 4 partidas consecutivas. Começam a surgir teorias para explicar este "bloqueio" na finalização: quebra emocional da equipa, as ideias do treinador não funcionam ou faltam soluções de qualidade no plantel? Há apenas uma certeza: ou o FC Porto inverte de imediato

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