Sem empenho nada feito
Todas as contratações de jogadores envolvem riscos. Um craque pode ter uma lesão grave, a adaptação a um clube pode não funcionar ou, por vezes, as características dos atletas nem sempre encaixam na forma de jogar das novas equipas. Mas há aquele tipo de atletas que aconselham maior prudência, porque apesar da sua qualidade, têm um perfil controverso e historial polémico na relação com colegas, dirigentes ou fora dos campos. Mais grave ainda é a falta de empenho e esforço para com a entidade que lhes paga salário. É curioso verificar que os três grandes portugueses estarão a viver casos deste género na presente temporada.
Um dos casos mais enigmáticos é o de Giannelli Imbula. A contratação mais cara do futebol português ainda não mostrou, nos estádios nacionais, o verdadeiro potencial (o seu talento é inegável) e, por sinal, as razões que levaram o FC Porto a apostar nele. O que leva a esta situação? Em primeiro lugar, a forma de estar do jogador. A sua postura em campo é a de um jogador lento, sem garra, que não pressiona e não mete o pé. Muito longe do médio explosivo, dinâmico e cheio de força, capaz de tirar dois ou três adversários do caminho.
Parece um jogador desinteressado (até desistiu de aprender português por ser "difícil"), quase que pensando que o Porto é apenas um ponto de passagem. E provavelmente perdeu a titularidade nos dragões porque o seu empenho e esforço nos treinos não foi o mais adequado perante o olhar dos treinadores. Seja qual for o motivo do menor rendimento, e por muito que o pai do atleta diga que Lopetegui não soube explorar as potencialidades do jogador, a verdade é que Imbula tem de trabalhar muito mais e apresentar um rendimento muito superior para justificar a aposta feita em si.
No Sporting, a chegada de Teo Gutiérrez também gerou alguma preocupação. Um avançado com um historial conflituoso pelos clubes onde passou, forçando saídas e tendo um episódio em que chegou mesmo a apontar uma pistola a um companheiro de equipa depois de um jogo. As dúvidas foram-se desvanecendo a partir do momento em que o colombiano começou a render no onze de Jorge Jesus com 7 golos marcados, um dos quais ao Benfica, sendo aposta forte do treinador.
Porém, após a pausa natalícia, o jogador falhou várias vezes a data de regresso a Portugal, alegando estar a recuperar de lesão. Mas enquanto os colegas trabalhavam no duro, a preparar importantes jogos do campeonato e taças, Teo ainda teve tempo de partilhar nas redes sociais fotos suas na praia. Uma atitude nada profissional. E o caso não fica por aqui, já que se fala com insistência na sua vontade de sair. Seria de esperar maior comprometimento e retorno desportivo para com quem investiu nele.
Por sua vez, o Benfica teve no marroquino Taarabt o seu principal foco de problemas. Um jogador talentoso mas que nem sempre terá tido o comportamento mais correto nalguns dos clubes anteriores. Chegou com o peso acima do ideal para a alta competição e foi apanhado na noite. Resultado: zero jogos na equipa principal e a despromoção para a equipa B de um dos jogadores mais bem pagos do plantel encarnado.
Três casos diferentes, mas que se enquadram na mesma questão. Sem empenho, nenhum jogador é capaz de ter resultados. Não convencerá nenhum treinador. E dificilmente será aposta de futuro. Cabe também aos clubes saber lidar com a situação e encontrar a melhor solução. Reabilitar os jogadores, se tal for possível, ou uma saída que seja boa para todas as partes.
O CRAQUE
Boa surpresa
Nikola Stojiljkovic tem sido uma das revelações deste campeonato. O jovem avançado do Braga tem sido um dos jogadores mais influentes da equipa de Paulo Fonseca e o seu faro de golo é uma das qualidades que mais se tem feito notar. O jogador sérvio, de boa estatura, destaca-se pela sua mobilidade e capacidade de desmarcação, assim como pela boa finalização, seja com os pés ou a cabeça. E tem feito vida difícil aos defesas adversários. Os 13 golos apontados em 26 jogos são prova disso mesmo. Uma boa surpresa que parece ter potencial de evolução para um patamar superior.
A JOGADA
Um grande desafio
É certamente o maior desafio da carreira de José Peseiro. O novo treinador do FC Porto tem agora pela frente a missão de devolver a confiança e autoestima à equipa portista, claramente a necessitar de uma injeção anímica. É um técnico competente, que gosta de implementar um futebol positivo e de quem se esperam soluções diferentes, já que a fórmula anterior não resultou na conquista de títulos. A forma determinada com que se apresentou, o conhecimento da realidade do clube e o entusiasmo demonstrado foram bons sinais. Agora é tempo de colocar as suas ideias em prática.
A DÚVIDA
O lado humano também conta
Foi uma semana difícil para Sérgio Conceição. Não posso deixar de condenar a forma leviana como se tentou colocar em causa a sua honra e profissionalismo. Enquanto jogador e treinador, sempre demonstrou grande caráter. Tem a fibra e a garra de quem quer sempre ganhar, seja qual for o adversário. Conseguiu vencer o FC Porto num jogo de grande esforço coletivo dos seus jogadores, motivados e solidários para com o seu líder. Os elogios sucederam-se à posteriori. Mas se tivesse perdido, iriam continuar a apontar-lhe o dedo?
