Visão de jogo

António Oliveira
António Oliveira

Só pode ganhar um

1 – Com uma ponta final de campeonato excelente, em que não perderam qualquer ponto, Benfica e Sporting chegam à última jornada com a esperança de se sagrarem campeões. Há muitos anos que não se via uma luta tão renhida entre os rivais da Segunda Circular (muito por culpa do FC Porto) e por mais que se troquem argumentos sobre quem é que merece ganhar, a verdade é que o campeão terá a sua dose de justiça, tenha ele uma camisola vermelha ou verde.

É curioso verificar que, se os campeonatos fossem disputados pelo antigo sistema de 2 pontos por vitória, nesta altura, águias e leões estariam com os mesmos pontos na classificação, o que significaria a liderança do Sporting, dada a vantagem no confronto direto. Mas a contabilidade é hoje diferente e coloca o Benfica na frente, beneficiando do facto de ter um maior número de vitórias ao longo da competição. O equilíbrio de forças entre os dois conjuntos é assim evidente.

A jogar perante o seu público com o Nacional, o Benfica parte em posição privilegiada para alcançar o seu terceiro título consecutivo. A equipa de Rui Vitória terá de lidar com a natural ansiedade de resolver as coisas o mais depressa possível, o que poderá jogar a seu favor (se o golo aparecer) ou contra (se a equipa não conseguir ganhar vantagem e começar a ficar intranquila). Pela amostra dos jogos anteriores na Luz para a liga, este Benfica não teve acidentes de percurso com equipas teoricamente inferiores.

Quanto ao Sporting, o desafio será mais complicado, num estádio e um adversário sempre difíceis. Porém, o atual momento de forma e a confiança transmitida dentro de campo dá favoritismo aos leões, perante um Braga que, apesar de competitivo, tem já a sua situação definida no campeonato e estará já a pensar em chegar à final da Taça de Portugal na melhor forma possível.

Embora recentemente se tenha contradito, por altura da visita do FC Porto a Alvalade, Jorge Jesus disse que os dragões estavam na liderança da 1.ª Liga com "justiça", lembrando que é sempre assim quando se ocupa o primeiro lugar. Com mais ou menos sorte, melhores ou piores exibições, elevada dose de sacrifício ou demérito dos adversários, a travessia para chegar ao topo é longa e há virtude de quem lá chega. Não podem haver dois vencedores, mas o título assentará bem, pela história que teve este campeonato, a Benfica ou a Sporting.

2 – Renato Sanches foi a peça chave para voltar a fazer engrenar o motor encarnado. Uma descoberta preciosa em que Rui Vitória decidiu apostar, quando parecia não ter grandes soluções para aquela posição no miolo do terreno. Em muitos jogos, o jovem internacional português carregou com a equipa às costas, dotando-a de maior dinâmica nos processos defensivo e ofensivo. Só nos últimos pareceu estar mais apagado, pagando a fatura de uma época exaustiva onde já leva mais de 50 jogos.

Cheguei a referir que era preciso dar tempo ao jogador para que este pudesse evoluir para um nível mais alto. Está na idade certa para cometer erros, aprender com eles e ir melhorando continuamente. Do ponto de vista desportivo, era importante que os clubes portugueses pudessem aguentar por mais tempo, os bons valores que vão produzindo. Contudo, há negócios irrecusáveis do ponto de vista financeiro e este parece ser um deles. Ainda com etapas por cumprir, no que respeita ao seu crescimento enquanto jogador, Renato terá nos alemães do Bayern uma boa escola para a sua afirmação.

O Craque – O mestre das subidas

O verdadeiro craque das subidas ao escalão principal voltou a assinar o ponto. A experiência e competência de Vítor Oliveira devolveu o histórico Chaves à 1.ª Liga, sendo esta a quarta promoção consecutiva do técnico e a nona ao longo da carreira. Prefere treinar equipas ambiciosas da 2.ª Liga, bem organizadas dentro e fora de campo, conseguindo depois desenvolver o seu potencial. Os feitos obtidos com Paços de Ferreira, União de Leiria, Académica, Belenenses, Leixões, Arouca, Moreirense, União da Madeira e Chaves, consolidam o nome do treinador na história do futebol português.

A Jogada – Colher os frutos da vitória

Ser campeão com um grupo constituído maioritariamente por jogadores com menos de 21 anos é notável, ainda mais perante as várias e inevitáveis mexidas que acontecem numa equipa B ao longo de uma época. O FC Porto B venceu com mérito a 2. ª Liga e repetiu um feito que só o Real Madrid tinha alcançado antes. Agora resta colher os frutos. Há miúdos talentosos naquele grupo que podem vir a alcançar a equipa principal. Basta criar condições para que possam evoluir e desenvolver o seu futebol a um nível mais alto. A acontecer, essa será a grande conquista.

A Dúvida – Mais do que um novo horário

Nesta última jornada, a Liga vai testar um novo horário para jogos de futebol. O FC Porto-Boavista irá ser disputado às 11h45 da manhã de sábado. Uma situação que será recorrente na próxima temporada e que pretende "piscar o olho" aos mercados internacionais, de modo a atrair novos espetadores nomeadamente no continente asiático. A ideia é positiva e terá de ser acompanhada de outras iniciativas de promoção do futebol português, já que a concorrência de outras ligas é muito forte. Serão os clubes, e a Liga, capazes de se unirem em prol deste desafio?

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