Solução interessante
Em finais de junho, ainda antes de a época ter arrancado, a assembleia geral da FPF aprovou um novo regulamento de arbitragem que prevê a utilização de árbitros estrangeiros nas provas nacionais, ação que pode ser aplicada na temporada em curso. Face ao avolumar de insatisfação por parte de vários clubes em relação à arbitragem, bem que esta medida poderia ser uma solução a adotar durante as próximas jornadas.
Multiplicam-se as queixas. A insatisfação parece ser geral. São listas de penáltis por marcar, mãos na bola e bolas na mão assinaladas de forma incoerente e critérios disciplinares que também não são uniformes. Com ou sem razão, quase todos os clubes já vieram a terreiro mostrar o seu descontentamento. Mais do que choradinhos para tirar proveito nos jogos seguintes, aqui importa, acima de tudo, igualdade de tratamento para todos os clubes.
E há que encarar o problema de frente. Quando um jogador falha, o treinador pode optar por outro. Os treinadores, como temos visto esta época, também se trocam com grande facilidade. Portanto, se algumas arbitragens falham e havendo a hipótese de trazer alguns juízes internacionais para o campeonato português, porque não? A medida não iria acabar com os erros, mas ajudaria a aliviar o clima de desconfiança, por um lado, e protegeria também o árbitro nacional, dando-lhe margem para crescer sem estar em permanente pressão, semana após semana.
É bom não esquecer que, face ao abandono precoce de vários internacionais, o atual quadro de árbitros portugueses é mais inexperiente (cerca de 50% dos juízes conta com 5 ou menos épocas na primeira categoria). Como em todas as profissões, estes novos homens do apito estão a queimar etapas no seu processo de crescimento, para que possam atingir um nível mais alto nos próximos anos. Por essa razão, esta possível partilha de experiências com árbitros internacionais seria extremamente positiva para o grupo de árbitros portugueses que está na primeira categoria.
Não estou com isto a defender o afastamento dos nossos árbitros. Longe disso. Mas a vinda de juízes de outras nacionalidades, conhecedores de outras culturas futebolísticas, pode ajudar nesta fase a enriquecer o nosso próprio futebol, pelos conhecimentos que podem transmitir (e aprender) aos seus colegas e inclusivamente pelo impacto que podem trazer ao comportamento dos próprios jogadores, ajudando a lidar, por exemplo, com problemas como a questão do antijogo, que se tem revelado recorrente nesta época, diminuindo imenso o tempo útil dos jogos.
É nesta perspetiva pedagógica de encontrar soluções em conjunto que esta medida poderia trazer um contributo positivo para o nosso futebol. E se os nossos clubes já alinham com jogadores e treinadores de diferentes nacionalidades, e vivendo nós num mercado europeu que permite a livre circulação de cidadãos, porque não trazer essa possibilidade para a arbitragem de um modo que não comprometa o trabalho e o crescimento do árbitro português?
No entanto, ficam algumas questões. Quem pode requisitar um árbitro estrangeiro para determinado jogo: os clubes ou a FPF? Com que outros países poderiam ser desenvolvidas estas parcerias? E qual seria a recetividade dos clubes, afinal de contas, os principais críticos do atual estado das coisas?
Aproveito para endereçar os meus votos de um excelente Natal para todos os leitores de Record.
Craque – Efeito Brahimi
A entrada de Brahimi no onze titular do FC Porto teve efeitos imediatos. O argelino apontou 3 golos nos últimos 4 jogos e acrescentou maior profundidade e criatividade ao ataque da equipa. É certo que tem um lado mais egoísta que muitos não gostam, mas possui um dom da imprevisibilidade e capacidade de rasgar defesas que não está ao alcance de todos. Os dragões precisavam de alguém com o seu virtuosismo e os resultados estão à vista. Mais golos, mais oportunidades, mais remates. E até assistiu os companheiros. O seu talento tinha de ser aproveitado.
A Jogada – Desfecho previsível
O diferendo entre o Sporting e a Doyen acabou por ter o desfecho que se esperava. Um contrato assinado por ambas as partes, de livre vontade, pressupõe o seu cumprimento. E isso acabou por ser determinado pelos tribunais. Por mais que os valores e posição do Sporting, e de Bruno de Carvalho, em relação ao paradigma dos fundos sejam hoje diferentes dos que existiam quando Marcos Rojo foi contratado, a verdade é que se correu um risco ao não se cumprir o acordado previamente. E pelo que se foi ouvindo, os responsáveis leoninos estavam conscientes desse mesmo risco.
A Dúvida – Situação a refletir
Jorge Simão deixou o Chaves, onde estava a fazer um excelente trabalho com uma equipa recém-promovida ao principal escalão e sobe agora mais um patamar com o desafio de colocar o Braga o mais próximo possível dos três grandes. Em algumas ligas europeias, esta "transferência" não seria admitida, já que as regras o proibiriam. Um treinador sair de um clube para outro do seu campeonato na mesma temporada é algo habitual em Portugal, mas acaba por afetar a própria competição. Para o bem ou para o mal. Esta situação deveria ou não ser regulamentada?
