Visão de jogo

António Oliveira
António Oliveira

Subir a pulso até ao grande desafio

A estreia de Rúben Ribeiro na equipa principal do Sporting vem provar que nunca é tarde para se vingar ao mais alto nível. Este é o claro exemplo de alguém que teve de subir a pulso na carreira até que a grande oportunidade lhe tenha surgido numa fase mais avançada da carreira. Por vezes é tudo uma questão de timing.

Um jovem jogador pode chegar a um grande no início da carreira e não corresponder às expetativas por não estar ainda preparado. E anos mais tarde, com o amadurecimento competitivo adquirido, a resposta pode ser completamente diferente. É conhecido o caso de Pauleta, que passou pelas camadas jovens de Benfica e FC Porto sem se afirmar e veio a ser um grande goleador da Seleção e clubes por onde passou.

O inverso também pode acontecer. Um jogador pode render muito na fase inicial da carreira, ser mesmo imprescindível para a equipa e, ao longo do tempo, ir perdendo os índices de performance. O brasileiro Carlos Alberto foi campeão europeu pelo FC Porto com 18 anos e depois acabou por não ter lugar no futebol europeu.

Por seu lado, há aqueles jogadores, que nunca tendo tido oportunidades numa grande equipa, mesmo ao nível da formação, conseguem atingir a excelência numa fase mais avançada. Vão reunindo competências, ganham rodagem e conhecimento do jogo, tornando-se mais jogadores ao longo do tempo. Alguns passam ao lado de uma grande carreira, mas há quem consiga ter a sua chance.

Rúben Ribeiro encaixa aqui: jogou por Leixões e Penafiel na 2.ª Liga, e depois passou por vários clubes (Beira-Mar, Paços de Ferreira, Rio Ave, Gil Vicente e Boavista). Em 2015/16 até esteve meio ano sem jogar, dando depois nas vistas ao serviço do Boavista na 2.ª volta, o que lhe valeu um regresso a Vila do Conde, onde se afirmou aos 30 anos.

O talento não tem idade. E as equipas são feitas de elementos capazes de dar resposta às suas necessidades. A experiência, o conhecimento do nosso campeonato e a enorme vontade de mostrar que têm valor para integrar o plantel de um grande clube, também acabam por ser vantagens competitivas. O central José Fonte começou a afirmar-se na Seleção e no futebol inglês perto dos 30 anos. E tornou-se campeão europeu, tal como Eliseu, que se impôs no Benfica depois de passar por vários clubes médios (em Portugal, Espanha e Itália).

Olhando para os técnicos dos 3 grandes, é curioso verificar que todos eles tiveram de começar por baixo para chegar hoje ao lugar em que se encontram. Jorge Jesus esteve vários anos em equipas que lutavam pela manutenção, até que os bons trabalhos no Restelo e em Braga, com qualificações europeias, chamaram à atenção, na altura, do Benfica. Rui Vitória (Vilafranquense, Fátima, Paços de Ferreira e V. Guimarães) e Sérgio Conceição (Olhanense, Académica, Braga, Guimarães, Nantes) tiveram também percursos ascendentes. Há que agarrar a oportunidade no tempo certo. E esse tempo, não é igual para todos. Importante mesmo, é estar preparado para o desafio.

Nota: A segunda parte do Estoril – FC Porto foi adiada por motivos de segurança. Os comentários e "piadas" que surgiram a seguir pelos profissionais da propaganda focaram-se em tudo e mais alguma coisa, menos no que mais importa: precaveu-se a segurança de milhares de pessoas. E a vida humana é mais importante do que qualquer resultado desportivo. Se foi ou não a melhor decisão, se a data marcada é ou não a mais indicada, as entidades competentes irão analisar. Confundir o essencial do acessório é que não faz sentido.


O Craque – Afirmação de Gonçalo
Um dos mais promissores avançados portugueses está, aos 23 anos, a ter a sua melhor época a nível sénior, após alguns empréstimos menos bem sucedidos. Depois de se ter destacado com 21 golos em 49 jogos nas seleções jovens e também na formação do FC Porto, Gonçalo Paciência está a ter espaço para mostrar o seu valor no V. Setúbal, onde já apontou 9 golos. Avançado de boa compleição física e remate fácil, que por via da sua qualidade técnica também se envolve na construção e criação de oportunidades. Esta época já lhe valeu uma oportunidade na Seleção e está a potenciar a sua afirmação.

A Jogada – Qualidade nas divisões inferiores
O futebol português sempre teve uma grande capacidade de se renovar e criar novos talentos. Parte desse trabalho está também nos clubes das divisões secundárias que conseguem detetar qualidade e aprimorar as capacidades dos jogadores em que apostam. As notícias de que 2 dos melhores marcadores da 2ª. Liga (Carlos Vinícius e Rui Costa) podem estar a caminho de emblemas maiores (Nápoles e FC Porto) mostram a importância de conhecer bem o que é feito nas divisões inferiores. Afinal de contas, uma futura estrela pode estar ao virar da esquina.

A Dúvida – O adeus de uma lenda
Esta semana surgiu a confirmação do final da carreira de Ronaldinho Gaúcho, um dos mais brilhantes jogadores que o futebol viu nos últimos 20 anos. O brasileiro deixa um palmarés invejável, com mais de 300 golos e conquistas na Liga dos Campeões e Copa Libertadores, tendo levado ainda o Brasil ao título de campeão do Mundo em 2002. O futebol rápido de bola colada nos pés, as fintas de elevada habilidade, os golos de bola parada e a visão apurada eram dignos de um predestinado. Até hoje, os brasileiros anseiam que outra estrela os leve de novo ao sucesso. Estará Neymar à altura deste legado?
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