Visão de jogo

António Oliveira
António Oliveira

Superliga Europeia é viável?

É um rumor que se vem repetindo nas últimas décadas e que no último mês ganhou novamente força. Alguns dos principais emblemas europeus estão a defender a criação de uma Superliga Europeia, uma supracompetição que pudesse reunir a nata do futebol europeu a nível de clubes. Não é de estranhar que esta eventual proposta surja como forma de pressão, junto da UEFA, no sentido de distribuir mais dinheiro aos clubes, numa altura em que a liga inglesa passará a ter receitas televisivas milionárias que ultrapassam mesmo a Liga dos Campeões.

O cenário de vermos equipas como o Bournemouth, o Watford ou o Crystal Palace, entre outras equipas, em teoria, da segunda metade da tabela da liga inglesa, a obterem receitas superiores a alguns dos principais clubes alemães, franceses, italianos e até espanhóis (se tirarmos Barcelona e Real Madrid da equação) será provavelmente uma realidade a partir da próxima temporada. Atentos a esse fenómeno, clubes como Bayern e Juventus estão a aparecer como defensores de um novo modelo de competição continental, que permita obter ainda mais receitas e consiga rivalizar com algumas provas norte-americanas (como a NFL) em termos de valores no mercado mundial.

Com o modelo das competições europeias em vigor a terminar em 2017/18, este soar do alarme em relação a uma eventual Superliga Europeia parece acima de tudo uma abertura de negociações para que os clubes possam receber mais dinheiro e consigam garantir a sua competitividade desportiva e financeira face ao fenómeno inglês.

Além disso, hoje em dia, e tal como acontece com os clubes portugueses, uma época sem Champions cria enormes dificuldades financeiras às equipas, face à escassez de receitas. E vão-se multiplicando as sugestões, desde uma competição fechada a uma prova em que alguns clubes garantem presença fixa, com mais jogos e prémios avultados.

Não acredito em grandes revoluções, mas o caminho para uma grande competição, que se possa apelidar de campeonato europeu, parece ser desejo unânime entre os principais clubes do Velho Continente. As desigualdades vão aumentar em relação aos países da periferia e resta saber que tratamento será dado ao mérito desportivo que se vier a verificar nas ligas internas. Um clube com um trajeto idêntico ao do Leicester City, com possibilidades de se sagrar campeão inglês pela primeira vez na sua história, ficaria de fora desta eventual competição?

E apesar de isso já estar a acontecer nos dias de hoje, a verdade é que uma competição deste género traz consigo o risco de agravar ainda mais as diferenças entre estes grandes clubes e as restantes equipas dos seus países, colocando em causa o equilíbrio financeiro e competitivo dos próprios campeonatos nacionais. Antes de qualquer mudança nas provas europeias, seria importante que as ligas nacionais pudessem desenvolver, possivelmente em conjunto com a UEFA, um mecanismo de financiamento sustentável para poderem corresponder e 'conviver' de forma sã com uma prova desta magnitude.

E qual o papel dos clubes portugueses relativamente a uma eventual Superliga Europeia? Participantes ou meros observadores? É uma boa questão. Ninguém quererá ficar de fora e perder o embalo financeiro que uma prova deste calibre pode gerar. Mas as portas, pela vontade de alguns intervenientes, não estão totalmente abertas aos clubes nacionais. No período pós-Platini, e depois da saída de Gianni Infantino para a FIFA, a UEFA tem aqui um dos seus grandes desafios. Será difícil agradar a gregos e troianos, mas tudo indica que algo vai mudar a médio prazo.

O CRAQUE

Afirmação de Herrera

A nível coletivo os resultados nem sempre têm sido os esperados, mas no Dragão há um jogador que mostra estar num grande momento: Héctor Herrera. O mexicano mostra ter ultrapassado os problemas de adaptação ao futebol europeu e uma maior consistência exibicional, sendo a referência da equipa no meio-campo, com nítidas melhorias muito na eficiência do passe e ligação ao ataque. Recupera imensas bolas, está a fazer golos e evoluir no jogo aéreo. Sempre em alta rotação. É a melhor época do médio desde que chegou ao FC Porto e a mais condizente com o seu valor.

A JOGADA

Arouca com Europa à vista

A cumprir uma série de 7 jogos sem perder no campeonato, com 17 pontos conquistados em 21 possíveis, o Arouca assume-se como candidato surpresa a um lugar europeu. A equipa de Lito Vidigal sofreu apenas 3 golos neste período de jogos e está a evidenciar toda a sua qualidade, com grande solidez defensiva e muita assertividade no ataque. O dedo do treinador é evidente e transformou totalmente a dimensão da equipa. Na época anterior, o Arouca terminou o campeonato com 28 pontos, a 5 da descida. Agora leva 41 e promete não ficar por aqui.

A DÚVIDA

O futuro de Eliseu

Dono e senhor da lateral esquerda do Benfica nas últimas duas épocas, Eliseu está em final de contrato. As notícias mais recentes apontam que a renovação está a ser alinhavada. Com 32 anos, o internacional português foi a aposta mais consistente para o lado canhoto da defesa encontrada pelos encarnados depois da saída de Fábio Coentrão. Com o jovem Grimaldo à espreita na linha de sucessão, continuará o espanhol a ter a companhia de Eliseu de águia ao peito?

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