António Oliveira

António Oliveira Senador da Fundação do Futebol

Três equipas em bom plano

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Com o primeiro terço de campeonato decorrido, é possível tirar algumas impressões sobre quem mais se tem destacado na 1.ª Liga. Tirando os grandes deste exercício, é justo destacar o trabalho de Miguel Cardoso (Rio Ave), Daniel Ramos (Marítimo) e Vítor Oliveira (Portimonense).

O treinador do Rio Ave é um estreante no principal escalão, mas começa a deixar marca pelo excelente futebol que a sua equipa pratica. Em 11 jogos, os vilacondenses já receberam Benfica, FC Porto e Sporting, conseguiram equilibrar as partidas e, em determinados momentos, até foram superiores. Empataram com as águias e venderam caras as derrotas com dragões e leões.

O Rio Ave destaca-se pela vontade de ter a bola em seu controlo, algo que não é muito habitual nas equipas do nosso campeonato. Sente-se confortável a jogar em posse e a levar o jogo para o terreno do adversário e possui uma ótima organização defensiva, atuando com linhas subidas e grande rigor na marcação. Na prática, tem mentalidade de equipa grande e os jogadores estão a interpretar essas ideias.

Miguel Cardoso tem bons executantes, sobretudo no meio-campo (Pelé, Rúben Ribeiro, Tarantini, João Novais, Francisco Geraldes) e na defesa (Marcelo, Marcão, Bruno Teles, Lionn), que lhe permitem impor uma ideia de jogo ousada, ambiciosa e com os olhos postos na baliza adversária. Face ao futebol produzido, a equipa necessita de marcar mais golos (média de apenas 1 golo por jogo) para consolidar uma candidatura a um lugar europeu.

Por seu lado, o Marítimo apresenta-se nesta altura com mais 8 pontos face à mesma fase na temporada passada. Uma melhoria que se deve ao dedo do treinador Daniel Ramos que trabalhou um conjunto compacto a nível defensivo e muito eficiente no ataque. As 7 vitórias em 11 partidas disputadas são demonstrativas do trabalho realizado.

Muito fortes a jogar em casa, os madeirenses registam 5 vitórias e um empate com o Benfica, tendo sofrido apenas 2 golos no seu reduto. E mesmo nas competições europeias, Botev Plovdiv e Dínamo Kiev não conseguiram ganhar nem marcar golos no Funchal. Aliás, a última derrota do Marítimo em casa para a liga foi há mais de um ano, antes da chegada do atual técnico.

Apesar das saídas de jogadores importantes como Raul Silva, Fransérgio, Patrick ou Dyego Sousa, Daniel Ramos conseguiu encontrar novas soluções e manter a formação madeirense em bom nível. Futebol pragmático, organizado e eficaz fazem deste Marítimo um osso duro de roer.

Já o Portimonense é um dos casos mais interessantes. Vítor Oliveira regressou à 1.ª Liga e tem uma das equipas mais entusiasmantes da prova. Os algarvios têm o quarto melhor ataque com 20 golos (ficaram em branco apenas uma vez) e só são superados pelo trio dos grandes. Por sua vez, têm a segunda pior defesa da liga (23 golos). Números de uma equipa que tem jogado, taco a taco, com qualquer adversário.

Este Portimonense tem cultura positiva. Joga para ganhar em qualquer campo e assume o risco. Como equipa recém-promovida poderia pensar-se que a postura seria mais conservadora, mas fez o contrário e isso deve ser realçado como bom exemplo. É uma equipa competitiva que contribui para o espetáculo.

Mas não fique a ideia de que o Portimonense é uma equipa ingénua. É uma formação com muita qualidade e consciente das suas capacidades. Jogadores como Paulinho, Nakajima e Fabrício têm potencial para integrar os plantéis das principais equipas do campeonato. Tem argumentos fortes e margem de evolução para crescer ao longo da prova.

O craque -- Em forma ascendente

Sem espaço para jogar no PSG, após as chegadas de Neymar e Mbappé ao clube francês, Gonçalo Guedes acabou por ser cedido ao Valencia, equipa que, sob o comando do treinador Marcelino Toral, está de volta aos lugares cimeiros da liga espanhola, praticando bom futebol. O ex-benfiquista está a conquistar o seu espaço com boas exibições e alguns golos de bela execução. Jogador que alia força, velocidade e progressão com posse da bola, a jogar nas faixas ou pelo meio, a continuar assim, poderá ser um real candidato a um lugar nos eleitos de Fernando Santos para o Mundial’2018.

A jogada -- Recuperar um ativo

A reintegração de Bryan Ruiz no plantel principal do Sporting acaba por ser uma boa notícia para os leões. Trata-se de um jogador que adiciona qualidade e alarga o leque de opções de Jorge Jesus para o ataque da equipa. Além disso, o jogador costa-riquenho integrava o núcleo de capitães e era um dos líderes de balneário, sendo uma referência para os companheiros. E a humildade exibida ao aceitar treinar com os juniores, que lhe custou a atual lesão, também é algo que diz muito da disponibilidade do jogador em voltar a uma equipa pela qual apontou 16 golos em 88 partidas.

A dúvida -- Boas dores de cabeça

Os últimos dois jogos da Seleção serviram para o selecionador avaliar (também nos treinos) mais opções para a equipa das quinas. E deu para perceber que há alternativas para além do habitual núcleo duro. Alguns jogadores terão marcado pontos para o futuro imediato, mas acima de tudo estes são bons indicadores numa perspetiva a médio e longo prazo. Fernando Santos diz ter uma base de cerca de 40 jogadores que podem ser chamados. Esta é uma boa dor de cabeça, embora os eleitos para a Rússia estejam praticamente fechados. Em que setores estarão as dúvidas restantes?

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