António Oliveira

António Oliveira Senador da Fundação do Futebol

Trunfos em espera

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Com quase três meses de trabalho e as equipas nacionais a chegarem à dezena de jogos oficiais, já é possível ir percebendo as escolhas que os treinadores vão fazendo. Face às várias soluções, as escolhas de uns jogadores em detrimento de outros acabam por ser inevitáveis. Olhando para os jogadores menos utilizados dos três grandes, neste momento, podemos constatar que ainda existe matéria-prima que pode ser rentabilizada.

No FC Porto de Nuno Espírito Santo, apesar da rotação existente no sistema de jogo, que nem sempre tem beneficiado o crescimento da equipa, o núcleo duro parece estar estabelecido. Jogadores como Brahimi e Rúben Neves parecem ter perdido protagonismo. No caso do argelino causa alguma estranheza, mesmo tendo em conta que esteve para sair, que uma das principais estrelas portistas e ativo com potencial de venda milionária, esteja a ter dificuldades em fazer parte das opções. E Brahimi pode ser o ‘abre-latas’ que tem faltado aos dragões.

Quanto a Rúben Neves, a dúvida passa por entender se o seu jogo, independentemente do sistema de jogo, é compatível com Danilo Pereira. O jovem médio tem na distribuição e leitura de jogo o seu forte, e pode incutir velocidade e pressão ao futebol portista. Já João Carlos Teixeira, que deu boas indicações na pré-temporada, ainda não teve qualquer oportunidade na equipa e poderá ser útil quando tiver oportunidade. Por fim, falta perceber que papel está destinado a Varela e Sérgio Oliveira, ainda pouco utilizados.

A vaga de lesões que assolou o Benfica motivou a ausência de determinados jogadores. Por isso, Rui Vitória falou no mercado de outubro, onde poderá contar com vários atletas que estiveram parados, como Jonas, Jardel, Luisão, Samaris, Rafa ou Raúl Jiménez, entre outros. A situação obrigou a uma gestão de recursos apertada, mas ainda assim regista ausências de relevo. O campeão europeu Eliseu continua sem somar um minuto de competição. A aposta no espanhol Grimaldo, que tem estado em bom plano, parece ter relegado o titular da lateral esquerda nas últimas duas temporadas para segundo plano.

O brasileiro Danilo, que entretanto se lesionou, também aguarda oportunidade nas águias. Muito se falou na possibilidade de ocupar a posição 8 de Renato Sanches, dada a sua eficiência defensiva e capacidade de progressão com bola, mas a aposta em André Horta, com bons resultados, adiou essa solução. E faltará ver o que pode trazer o prodígio Zivkovic, ainda em processo de adaptação, às faixas ofensivas.

Com concorrência (de peso) no plantel deste ano para o seu lugar, Matheus Pereira espera ainda por uma chamada de Jorge Jesus. O jovem extremo do Sporting, que o treinador fez questão de manter na equipa, brilhou no ano passado e aguarda minutos para continuar a evoluir e confirmar os bons indicadores. Em igual situação está Ricardo Esgaio, jogador da casa, que também tem concorrência apertada nas laterais.

Jefferson, lateral-esquerdo imprescindível nas épocas de Leonardo Jardim e Marco Silva, tem tido dificuldades em convencer Jesus, que optou mesmo por adaptar alguns jogadores ao lado canhoto. Um enigma, dado que o brasileiro já fez jogos de grande qualidade. Por seu lado, o médio Marcelo Meli, um das caras novas dos leões, ainda não mostrou o que vale. As oportunidades agarram-se e basta um bom jogo para tudo mudar. Ainda há coelhos na cartola para se usarem nos próximos desafios.

Nota: Pizzi tem sido a grande ausência nos convocados de Fernando Santos. A polivalência do jogador, que tem sido decisiva no Benfica, ainda não convenceu o selecionador.

O CRAQUE

Estreante com boas exibições

Foi uma das sensações da última temporada na 2.ª Liga e protagonizou uma polémica transferência para o Paços de Ferreira no defeso, que levou o Freamunde a cortar relações com o clube rival e vizinho. Pedrinho é uma aposta do treinador Carlos Pinto, que havia lançado o médio-ofensivo nos capões. Jogador rápido, com boa capacidade de posicionamento e desmarcação, tem remate fácil e é especialista nas bolas paradas. Os 13 golos no ano anterior são um excelente cartão de visita para um jovem promissor que está a dar os primeiros passos no principal escalão com boas exibições.

A JOGADA

A festa da Taça

A próxima eliminatória da Taça de Portugal contará com as equipas da 1.ª Liga na condição de visitantes. Uma bela oportunidade para levar os principais clubes nacionais a outros estádios do país, menos acostumados a receberem as grandes estrelas do nosso campeonato. Uma prova que permite fazer a festa do futebol português e que, algumas vezes, nos traz algumas belas surpresas provocadas por tomba-gigantes. As partidas Famalicão-Sporting, Gafanha-FC Porto, Oliveirense-Braga e 1.º Dezembro-Benfica, entre outras, centrarão as atenções dos adeptos do futebol nacional.

A DÚVIDA

Dilemas na baliza

Depois de uma época de glória em que ambos partilharam a titularidade, uma das grandes dúvidas no Benfica passava por saber quem é que Rui Vitória ia escolher para defender a baliza encarnada: Júlio César ou Ederson? Ambos os guardiões brasileiros mostraram que têm qualidade para o desafio, sendo que a aposta na experiência do primeiro ou na irreverência do segundo deu frutos. Para já, a opção tem recaído em Júlio César. Mas há quem defenda o contrário. A má noite em Nápoles do guarda-redes influenciará ou não uma mudança na baliza das águias?

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