Um alerta fora do jogo
1 – A violência voltou a estar associada ao futebol português, tendo infelizmente culminado numa morte antes do dérbi lisboeta. A situação deve merecer o repúdio de todas as entidades envolvidas no panorama desportivo. É tempo de refletir e encontrar soluções que impeçam este avolumar de episódios trágicos e atos que nada dignificam os agentes do futebol.
Algo terá de ser feito. Não me parece que existam condições para deixar tudo como está. Há que encontrar mecanismos de penalizar os prevaricadores e afastar do futebol (e do desporto) estes agentes nocivos ao espetáculo e à própria indústria. A responsabilidade passa por todos (clubes, Liga, FPF, Governo), com regras duras e um clima favorável a uma competição saudável.
A rivalidade pode e tem de ser salutar. Alimenta a paixão pelo clube do coração, existe em todos os países e pode existir em ambiente de sã convivência. Desperta o interesse pelo desporto e pelos grandes jogos, mexendo com emoções de alegria ou tristeza. Pelo contrário, usar este argumento da rivalidade para fomentar ódios e atos de violência é um caminho totalmente desenquadrado.
Era importante que os infratores fossem afastados dos estádios e impedidos de integrar movimentos como as claques (a questão da legalização obrigatória, identificação e responsabilização destes responsáveis seria um passo a dar). Se o propósito destas pessoas não é apoiar a sua equipa, mas sim incitar a desordem e práticas ilícitas, o seu lugar não é no futebol.
2 – Falando do jogo jogado, a última jornada acabou por deixar tudo na mesma em termos de distância pontual no topo da classificação, mas acabou por fortalecer o favoritismo do Benfica, que passou incólume ao grande obstáculo que era o Sporting. Restam 4 jornadas e os encarnados ficam agora com margem até para ceder um empate.
Em termos gerais, o dérbi foi mal jogado. O Sporting acomodou-se um pouco com o golo precoce e acabou por não forçar o segundo, perdendo muitas bolas e espaços. Já o Benfica assumiu o controlo da bola durante grande parte do tempo, foi mais equipa, mas nem sempre teve o discernimento necessário no aproveitamento dos lances. As bolas paradas e a execução exímia de ambos os golos acabaram por ditar o empate.
Quanto ao FC Porto, voltou a falhar mais um momento em que podia ganhar pontos ao rival. É um enigma ver como o melhor ataque e melhor defesa do campeonato acumula tantos empates (9). A visível ansiedade da equipa, assim como algumas más entradas nos últimos jogos, têm limitado o potencial da equipa. E a infelicidade em lances mal ajuizados, também contribui para a falta de estrelinha.
Privados de Brahimi e Corona, e sem mais extremos no plantel (limitação que já vem do verão), os dragões sentiram dificuldades a explorar os flancos e faltaram ideias para diversificar o jogo, dependente das incursões dos laterais. Esta situação acaba mesmo por afetar o posicionamento dos avançados, a saírem da sua área de maior influência, e dos médios, sem apoio para subirem mais. Um jogador como Miguel Layún, talvez tivesse sido uma aposta a explorar nas alas, face à qualidade de passe e assistências que cria.
Num campeonato em que nenhuma equipa dá sinais de grande poderio, a incerteza pode estar ao virar da esquina. Todos terão de acreditar até ao fim. A força mental, o chamado "estofo de campeão" fará a diferença.
O craque – Proeza notável
O Portimonense está de volta à 1.ª Liga. E para isso contou com um grande especialista em levar equipas até ao principal escalão: Vítor Oliveira. O técnico conquistou a sua 10.ª subida (em 17 possíveis), sendo que este é o 5.º ano consecutivo em que consegue garantir a promoção de uma equipa. A competência e o conhecimento profundo do treinador, assim como a larga experiência fazem dele uma aposta segura. Quanto ao Portimonense, saúda-se o regresso do clube algarvio, que tem um projeto ambicioso e garantirá um campeonato verdadeiramente disputado de norte a sul do país.
A jogada – Presidente histórico
O dirigente com mais títulos de futebol a nível mundial completou esta semana 35 anos na presidência do FC Porto. Um marco histórico que coloca Pinto da Costa como o presidente com o percurso mais longo em todo o mundo. Neste caminho deu dimensão internacional ao clube e conquistou imensas alegrias para os portistas. Naquele que é o período mais longo que leva sem vencer troféus, o rigor e a competência para voltar ao topo continuam. E não há ninguém mais habilitado do que ele. Este feito histórico merece o devido reconhecimento.
A dúvida – E mais uma troca…
Com a recente saída de Jorge Simão do Braga, treinador que estava em ascensão mas não foi feliz ao serviço dos minhotos, sobe para 18 o número de trocas no comando técnico em equipas da 1.ª Liga. Trata-se de uma marca completamente exagerada e que em nada eleva a classe dos treinadores. O mercado está a tornar-se selvagem. Os agentes acenam diariamente com novos talentos do treino aos clubes. A oferta excede em larga escala a procura. Haverá forma de fazer com que esta época seja uma exceção e não uma regra?
