Visão de jogo

António Oliveira
António Oliveira

Um dragão mais elástico

Cumprida a primeira volta do campeonato, o FC Porto segue na frente com 45 pontos, tendo apenas perdido 6 pontos pelo caminho. Muitas dúvidas se colocavam quanto à missão que Sérgio Conceição teria pela frente, tendo nas mãos um plantel pouco vasto e sem reforços. A verdade é que o técnico tem feito uma gestão de excelência, com máximo critério, ajudando a equipa a crescer e alargando recursos dentro do que tem à disposição.

Na composição de um plantel costuma dizer-se que o ideal é ter 2 jogadores por posição. Para um treinador, isso é uma garantia de maior cobertura para encarar todas as frentes em que a equipa está inserida, podendo assim gerir o esforço físico, de modo a ter sempre o seu grupo na máxima força e com alto rendimento.

Além disso, perante eventuais lesões, castigos ou oscilações de forma, a existência de outras opções dá outro tipo de tranquilidade. Importa dizer também que o equilíbrio de um plantel está também na qualidade. Não adianta nada estar a acrescentar jogadores em quantidade a uma equipa, se estes não estiverem ao mesmo nível competitivo dos restantes. Sem qualidade e peças que sejam capazes de dar resposta quando forem chamadas à equipa, o coletivo acaba inevitavelmente por ressentir-se.

Porém, pegando numa equipa com 19 jogadores de campo, Sérgio Conceição tem conseguido tirar proveito das vantagens de um plantel curto. Deste modo, a maioria dos jogadores acaba por ter mais oportunidades para jogar, o que contribui para os índices de motivação e comprometimento. Além disso, acabam-se por encontrar soluções que à partida não seriam tão óbvias e a necessidade ajuda a aguçar o engenho.

São vários os jogadores dos dragões que podem desempenhar várias funções dentro de campo, como Marega, Herrera, Danilo, Diego Reyes, Ricardo Pereira, ou André André, entre outros, situação que dá mais elasticidade ao plantel e à qual o treinador do FC Porto tem recorrido para cobrir as necessidades. Mesmo sem reforços, Sérgio Conceição conseguiu alargar o leque de opções ao identificar e promover a multifuncionalidade dos seus jogadores.

Esta é, aliás, uma tendência do futebol moderno, onde a flexibilidade é um requisito cada vez mais valorizado pelos treinadores, no sentido de conseguirem mudar a estrutura tática da equipa várias vezes durante o jogo (as equipas de Pep Guardiola são exemplo disso). Daí que seja necessário procurar e trabalhar jogadores que sejam capazes de, ao longo dos 90 minutos, jogarem em mais do que uma posição. E esta é também uma imagem de marca do FC Porto versão 2017/18, uma equipa preparada tática e mentalmente para jogar de várias formas.

Sérgio Conceição montou um FC Porto de grande intensidade, sempre focado no golo, que tem capacidade de sofrer e que faz da coesão do seu coletivo um dos grandes trunfos. O técnico disse que vinha para ensinar e está a cumprir: são vários os jogadores que evoluíram ao longo deste meio ano. Segue-se agora a segunda metade da época e o desafio é o mesmo: rentabilizar os ativos existentes.

O caminho será difícil e aproximam-se grandes embates (Sporting e Liga dos Campeões). O calendário dita a necessidade de esticar o plantel (com ou sem reforços), dando minutos a elementos menos utilizados, e até nisso podem surgir oportunidades. Quem sabe se jogadores como Miguel Layún, Óliver Torres, Maxi Pereira ou Otávio virão a ser também novos ‘canivetes suíços’ no decorrer da segunda volta.


O craque - Lugar conquistado

Fábio Martinstem sido uma opção regular em Braga e está a corresponder à aposta feita pelo treinador Abel Ferreira. Depois de duas épocas em que esteve emprestado ao Paços de Ferreira e ao Chaves, o jogador agarrou um lugar e tem sido um dos elementos influentes da equipa minhota. Esta temporada já apontou 4 golos (alguns deles decisivos) e fez 3 assistências na Liga. Com bom toque de bola e velocidade, o extremo é uma seta apontada no ataque bracarense. A titular ou como suplente utilizado, o seu peso na equipa tem-se feito notar.

A jogada - Um estreante no Jamor

A atual edição da Taça de Portugal conta já com uma certeza: um dos finalistas fará a sua estreia no Jamor. Caldas e Desportivo das Aves, que curiosamente contam ambos com quatro presenças no principal escalão, vão defrontar-se nas meias-finais, feito já de si inédito nas suas histórias, e quem vencer dará um brilho ainda maior a esse percurso. Uma palavra para a equipa de Caldas da Rainha, que vive um verdadeiro conto de fadas, tendo eliminado equipas de escalões superiores como Arouca e Académica. A magia da Taça tem disto: ver o improvável acontecer.

A dúvida - Ajustes do leão

O mercado começa a mexer e os clubes já fazem as primeiras movimentações com vista ao reforço e ajuste dos seus plantéis. O Sporting parece ser a equipa mais ativa com as entradas de Misic, Wendel e Rúben Ribeiro, podendo não ficar por aqui. Com estes investimentos, tudo indica que algumas saídas também se irão verificar nos leões, restando saber se alguns jogadores menos utilizados serão cedidos para rodarem ou se estará na calha a venda de algum jogador influente. Irá Jorge Jesus perder alguma das suas principais armas?




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