António Oliveira

António Oliveira Senador da Fundação do Futebol

Um líder histórico

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É amado por uns e odiado por outros, mas não deixa ninguém indiferente. Esta semana, Jorge Nuno Pinto da Costa cumpriu 36 anos na presidência do FC Porto, marca notável que retrata um percurso recheado de êxitos, que projetou o clube azul e branco para uma dimensão internacional. O FC Porto é hoje uma marca reconhecida lá fora e os números da obra realizada pelo seu presidente falam praticamente por si.

Poucos dirigentes a nível mundial se poderão gabar de ter um percurso tão vitorioso: 2 Taças Intercontinentais, 2 Taças dos Campeões Europeus/Liga dos Campeões, 2 Taças UEFA/Liga Europa, 1 Supertaça Europeia, 20 campeonatos nacionais, 12 Taças de Portugal e 19 Supertaças, além das centenas de troféus conquistados na formação e nas modalidades. Pinto da Costa é uma figura ímpar na história do futebol nacional.

Os adeptos portistas reconhecem o enorme contributo do presidente e não é por acaso que, o seu nome é entoado e cantado por eles jogo após jogo. Um fenómeno raro mesmo a nível internacional, mas que é revelador da grande ligação existente. Um líder carismático que conseguiu unir os seus com um discurso forte contra o centralismo e os "inimigos externos", que escolheu treinadores competentes com grande vontade de ganhar, que compôs equipas aguerridas e ambiciosas e que acertou mais vezes do que aquelas em que errou. Esta capacidade de saber escolher os treinadores e jogadores na altura certa, também alicerçou o êxito que veio a conseguir.

Por exemplo, veja-se o ciclo entre 1999/2000 e 2001/2002, em que o FC Porto pela primeira vez na era Pinto da Costa, esteve mais de 2 anos sem vencer o campeonato. A escolha de José Mourinho para treinador, a composição de um plantel maioritariamente com jogadores portugueses, a virem de equipas médias como V. Setúbal, Leiria ou Belenenses, entre outras, foi o caminho para criar a base que veio a conquistar a Europa. Era inesperado, mas a visão de todos os intervenientes (dirigentes, staff e equipa técnica) revelou-se genial.

Escolhe sempre de acordo com os pilares que apresenta como fundamentais: competência, rigor, ambição e paixão. E se olharmos para treinadores marcantes durante os seus 36 anos de presidência, conseguimos identificar esses traços característicos. Seja na competência de Artur Jorge, no rigor de Jesualdo Ferreira, na ambição de José Mourinho ou na paixão de André Vilas Boas, entre outros técnicos campeões, nos quais também me incluo. E há um elemento comum: José Maria Pedroto, um exemplo que inspirou gerações de treinadores e que por força do seu enorme conhecimento também ajudou a catapultar aquilo que é hoje o FC Porto.

Numa estrutura habituada a ganhar, o mais difícil é mesmo gerir o sucesso. À medida que se vai vencendo muitas vezes, há que tentar manter a chama acesa para que a motivação e a vontade continuem no máximo. Encontrar metas por atingir e caminhos para desbravar. E essa renovação de objetivos perante a mudança de contextos ao longo de décadas, essa vontade de chegar mais longe, é uma marca desta presidência de Pinto de Costa.

Hoje, o FC Porto é o clube português com mais seguidores nas redes sociais, muitos deles estrangeiros, sinal do forte reconhecimento além-fronteiras. Tem uma crescente massa adepta em Portugal, com jovens de todo o país a ganharem afetividade pelos dragões. O potencial é enorme. Mas também existiram percalços. O fair-play financeiro da UEFA, assim como os últimos 4 anos sem conquistas no futebol, são exemplos disso. O clube procura dar a volta à situação e Pinto da Costa continua pronto para esses desafios.  

O Craque – Jogador talismã

Aos 23 anos, Bernardo Silva já se sagrou campeão em 3 países diferentes. Pelo Benfica teve apenas 8 minutos de utilização na liga em 2013/14, mas no Mónaco foi um jogador nuclear na fantástica temporada da equipa no ano passado (58 jogos e 11 golos) e agora, no Manchester City, é igualmente aposta regular de Guardiola (50 jogos e 8 golos). Jogador rápido de processos, que lê bem o jogo e distribui a bola com qualidade, consegue criar desequilíbrios com a técnica apurada e tem faro de golo. Será uma das principais armas de Portugal no próximo Mundial.

A Jogada – Uma reflexão necessária

À margem do jogo do V. Setúbal no Dragão, José Couceiro aproveitou para apelar a uma reflexão sobre o futebol português. "A proximidade entre os agentes leva a que exista um clima de confiança superior. Neste momento, o que existe é uma divisão cada vez maior". Tal como diz o treinador, é imperativo "subir o nível" e encontrar caminhos de abrangência sobre o que será o futuro. Há que olha para formação, arbitragem, disciplina, competições, clubes, treinadores e jogadores. O cenário atual, em que cada um puxa para o seu lado, não traz competitividade desportiva nem financeira, dentro ou fora de portas.

A Dúvida – A moda das denúncias anónimas

Depois de tudo o que veio a público nos últimos meses sobre comportamentos e práticas existentes em torno do nosso futebol, parece que estamos a entrar numa fase em que tudo serve para tentar denegrir os adversários e tentar colher proveito desportivo disso. Semana após semana, há denúncias anónimas apresentadas no DCIAP a colocar em causa a honra e profissionalismo de futebolistas. Trata-se de uma campanha suja e cobarde que pretende apenas eco na imprensa para atacar determinados alvos. Os capitães das equipas já tomaram posição. Não seria tempo de Liga e FPF o fazerem também?

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