António Oliveira

António Oliveira Senador da Fundação do Futebol

Um novo capítulo

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Na semana passada referia que esta época do futebol português tem sido uma caixinha de surpresas, quando no próprio dia, surgiu mais uma decisão surpreendente. O FC Porto prescindiu dos serviços de Julen Lopetegui e decidiu seguir um caminho diferente. Ainda com muitas frentes para conquistar, o livro desta época ainda não terminou para os dragões, pelo que a próxima escolha para o comando técnico exige a máxima ponderação.

Num projeto pensado inicialmente para 3 anos, a chegada de Lopetegui ao futebol português foi vista entre desconfiança e expectativa. Apesar da curta experiência ao serviço de clubes de topo, deixara impressões positivas nas seleções jovens de Espanha e as passagens como jogador por Barcelona e Real Madrid davam-lhe algum crédito de conhecimento para encarar o desafio.

A isto, junte-se o facto de Lopetegui defender uma ideia de jogo apreciada no Dragão, o futebol ofensivo baseado na posse de bola, e também o forte investimento num plantel com várias soluções com condições para conquistar o título nacional. E também é verdade que Pinto da Costa sempre gostou de lançar treinadores promissores, sendo factual que foram mais as vezes que acertou do que as que falhou.

Mas da teoria à prática, a distância é grande. O primeiro ano de Lopetegui ficou marcado por uma excelente prestação europeia, mas abaixo do esperado nas provas nacionais. De início, um certo desconhecimento do futebol português e da real capacidade das suas equipas também não ajudou. Os números do técnico até foram bons, mas a falta de consistência exibicional e a ausência de títulos estreitaram a margem de erro para esta temporada.

Dentro de campo, a ideia de futebol ofensivo contrastou com uma circulação de bola pouco dinâmica e sem velocidade, com uma inconsequente tendência para controlar a bola em zonas defensivas, o que afastava a equipa da baliza contrária, sendo que muitos dos jogadores não apresentam características apropriadas a esse tipo de futebol.

Este ano, o treinador espanhol foi obrigado a refazer a equipa, em função da saída de vários jogadores nucleares. Na mensagem de despedida, o treinador escudou-se nesse argumento, mas isso não pode servir de desculpa e, mais uma vez, revela desconhecimento das equipas portuguesas, que todos os anos vendem alguns dos seus ativos. Esse foi o desafio de treinadores como Jesualdo Ferreira, Jorge Jesus ou Vítor Pereira que mesmo assim foram campeões.

As ideias e a metodologia de Lopetegui nem sempre terão sido bem entendidas pelo plantel, e se a mensagem não passa, a equipa não executa. E com más exibições a sucederem-se, o clima de desconfiança dos adeptos a aumentar, os maus resultados e a distância de 4 pontos para o Sporting ditaram a saída.

Lopetegui merece respeito.Um treinador competente, que sempre deu a cara para defender o clube e que foi alvo, desde o início, de alguma má imprensa, como outros treinadores estrangeiros também o foram. Por vezes, foi a única voz a denunciar algumas injustiças que foram surgindo. Não teve êxito, pelo que encerra o ciclo a meio da viagem.

Com importantes compromissos pela frente, o FC Porto tem agora a missão de encontrar um timoneiro que rapidamente se adapte à cultura do clube, com elevado conhecimento técnico-tático e discurso motivador, que possa ter um impacto forte na equipa e levante o moral dos jogadores. O timing não é fácil e a escolha exige máxima ponderação para encontrar o nome certo. Mas nas horas difíceis, o clube sempre mostrou capacidade de dar a volta por cima.

O craque -- Figura exemplar

No dia em que passou a ser o segundo futebolista estrangeiro com mais jogos cumpridos ao serviço do FC Porto, Helton voltou a dar provas da sua qualidade e importância dentro do balneário dos dragões. Um líder que, no cair do pano, teve arte e engenho para defender um penálti e segurar a passagem da equipa às meias-finais da Taça de Portugal. E ainda mostrou a sua enorme classe, de imediato, ao confortar e incentivar o jovem Douglas Abner depois de este falhar o castigo máximo. Uma figura exemplar do futebol português.

A jogada -- O nevoeiro da Choupana

Começa a ser necessário que a Liga de Clubes, em articulação com os clubes madeirenses, encontre uma solução mais eficaz para os jogos realizados no Funchal. FC Porto e Benfica já tiveram de adiar os seus jogos na Choupana por duas vezes devido ao nevoeiro. Evitar a marcação dos jogos para horários noturnos (já que o nevoeiro naquela zona é mais frequente ao anoitecer) ou transferir as partidas para o remodelado e moderno Estádio dos Barreiros (o que exigiria um entendimento entre Marítimo, Nacional e União) parecem ser caminhos a explorar.

A dúvida -- Calendário sem descanso

Ainda a propósito da questão do nevoeiro, é bom esclarecer que não são apenas as equipas visitantes que saem prejudicadas. Com a passagem do jogo com o Benfica para segunda-feira, o Nacional viu-se obrigado a jogar a eliminatória da Taça de Portugal, em Barcelos, sem cumprir a lei das 72 horas de descanso prevista para as provas nacionais e, por influência ou não do desgaste, acabou derrotado. O calendário futebolístico é apertado, é certo, mas será que situações destas são benéficas para a própria indústria? Não deveria a FPF ter tomado uma decisão em relação a esta questão?

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