António Oliveira

António Oliveira Senador da Fundação do Futebol

Um novo favorito

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Depois de uma jornada que colocou os quatros primeiros em confronto, os resultados finais lançam o Benfica, nesta altura, como principal favorito à conquista do campeonato. Um prémio para a equipa que mais tem evoluído ao longo da temporada e que chega a esta altura a depender apenas de si própria para conquistar o título. Mas é bom frisar que as águias chegam aqui também por demérito dos adversários, Sporting e FC Porto, que não souberam aproveitar a larga vantagem pontual que já tiveram ao seu dispor face ao rival da Luz.

Com um arranque em falso, muito por culpa de uma digressão de pré-época que nada ajudou à implementação das ideias do novo treinador, o Benfica conseguiu encontrar um rumo e descobriu soluções dentro de casa. Rui Vitória foi testando as suas peças, aprendeu com erros e encontrou respostas. As apostas nos jovens Nélson Semedo, Gonçalo Guedes, Renato Sanches, Lindelöf e agora em Ederson, assim como a consistente afirmação de Pizzi nas alas, André Almeida na lateral-direita e Lisandro no centro da defesa, são prova de que o plantel do Benfica tinha mais para dar do que inicialmente se poderia prever. Uma equipa que teve a inteligência de explorar as suas principais capacidades (jogo ofensivo) e superar as limitações (falta de opções na defesa e ganhar jogos de maior exigência).

Com um calendário mais fácil do que os rivais, o Benfica ganha vantagem e parte moralizado depois das vitórias sobre Sporting e Zenit. Mas a atual edição da liga é a prova provada de que tudo pode acontecer e nada ainda está decidido. O Sporting sentiu dificuldades em gerir o plantel entre campeonato e Liga Europa, e agora, apenas com jogos de semana a semana, terá mais tempo para preparar os próximos desafios. E só 2 pontos separam as equipas.

Nos últimos 5 jogos da liga, os leões terminaram 3 partidas sem marcar. Dificuldades na finalização que foram visíveis no desperdício verificado com o Benfica. Este é um dos desafios de Jorge Jesus: voltar a aproximar a equipa dos golos, já que esta até tem estado bem no plano exibicional. Mas não marcar pode custar pontos e nestas 5 partidas foram 7.

Quanto ao FC Porto, a derrota em Braga limita em muito as hipóteses de ser campeão. A equipa tem sido castigada com vários erros individuais, que a tornam coletivamente mais vulnerável em termos anímicos. Porém, embora o objetivo principal fique mais longe, a equipa tem ainda metas por atingir, sabendo que há ainda uma final da Taça de Portugal por disputar e que chegar ao 2.º lugar, embora seja o primeiro dos últimos, é garantia de um importante prémio financeiro por via do apuramento direto para a Liga dos Campeões.

José Peseiro chegou a meio da viagem e por isso não ser culpado pelo atual estado das coisas. No entanto, a verdade é que os resultados dos portistas pioraram nos últimos dois meses e a performance defensiva e ofensiva da equipa também. Não é fácil mudar princípios a meio da temporada e muito menos se a composição do plantel tiver deficiências desde o verão, sendo que após o mercado de inverno, após entradas e saídas, a opinião generalizada é a de que o grupo ficou ainda mais enfraquecido.

E uma palavra para o Braga, que até ontem tinha completado uma série de 15 jogos sem perder (numa visão mais abrangente sofreu apenas uma derrota nos últimos 24 jogos), que tem apresentado prestações muito seguras e personalizadas. Mesmo não tendo os meios financeiros de outras equipas, consegue rivalizar com elas.

O CRAQUE

Um problema dos bons

Face à presente escassez de centrais disponíveis para alinhar na sua equipa, Rui Vitória recorreu ao jovem Victor Lindelöf e a aposta está a dar frutos. O defesa que ajudou a Suécia a tirar-nos o Europeu de sub-21, prova onde até alinhou como lateral-direito, tem tido boas prestações, com grande eficiência e personalidade, sem se amedrontar perante adversários de equipas fortes. E tornou aquilo que poderia ser um problema sério, num bom dilema. O treinador encarnado ganha assim mais uma opção de qualidade com um jovem trabalhado no Seixal.

A JOGADA 

Vitória importante

A DÚVIDA

Sem efeitos práticos

Há cerca de um ano, a FIFA passou a reconhecer a figura dos "intermediários de jogadores", abrindo a porta a novos intervenientes nas transferências do futebol para além dos agentes, que antes tinham de ter licença. Este novo Regulamento de Intermediários de Jogadores dita limites (5%) aos valores relativos a comissões e salários brutos de jogadores que um intermediário pode receber. O valor médio cobrado nas ligas europeias rondava os 15% e pretendia-se assim conter despesas. Mas olhando para as contas oficiais, parece que a regra não ajudou os clubes a reduzir os seus custos em transferências. Porquê?

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