António Oliveira

António Oliveira Senador da Fundação do Futebol

Um problema para refletir

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1 – Tem sido uma opinião quase consensual entre treinadores e analistas do futebol português: as clivagens entre os 3 grandes e as restantes equipas nacionais são cada vez maiores. Se é um facto que as diferenças, a nível de orçamento e qualidade dos atletas, entre a liga portuguesa e os principais campeonatos europeus também se vão agravando, por seu lado, no plano doméstico, as disparidades ao nível do orçamento e da matéria-prima também são fazem notar.

Vem isto a propósito do antijogo, tema abordado ao longo da temporada e que tem vindo a ganhar força ao longo das últimas jornadas. Numa altura em que os pontos são cada vez mais preciosos para as contas finais da liga, os clubes jogam com as armas que têm ao seu dispor para conseguirem atingir os seus objetivos.

Este é um assunto que sucede há vários anos. O antijogo não acontece apenas nos jogos em que equipas pequenas enfrentam as grandes (e por vezes, até as grandes fazem uso dele), embora seja nestas partidas que o tema ganha maior destaque mediático. E merece reflexão perceber porque está enraizada esta mentalidade, já que o campeonato português, em comparação com o top-5 europeu, apresenta muitas mais interrupções e paragens para assistência médica, assim como um tempo útil de jogo inferior.

A pressão existente em cima dos treinadores, sempre com o seu lugar em risco ao menor deslize, força uma atitude mais resultadista. A falta de "fair play" de alguns jogadores também não ajuda. E a complacência de alguns árbitros, sem que este comportamento seja punido, também não é a mais recomendável.

E como se pode resolver esta questão? Alguns especialistas apontam o tempo de jogo cronometrado, que já é utilizado noutras modalidades, como a medida mais plausível. Seria uma forma possível de combater a perda de tempo. É algo incompreensível que os jogos do futebol nacional apresentem um tempo útil de 40-45 minutos. Não é, certamente, com espetáculos deste género que o "produto" se conseguirá vender a patrocinadores e mercados televisivos.

Cabe também aos árbitros tentarem encontrar formas de gerir as partidas de forma mais eficaz, no sentido de aumentar o tempo efetivo de jogo e evitar que alguém tente prejudicar a qualidade das partidas. Não é uma tarefa fácil, temos de admitir, mas face ao que acontece noutros campeonatos, é possível fazer melhor. No entanto, a postura apresentada por jogadores e treinadores também é decisiva. E perante as dificuldades que os clubes vão sentindo, quem vai a jogo, usa os argumentos que tem...

2 – O FC Porto está nas meias-finais da Youth League depois de ter batido os ingleses do Tottenham. Os jovens dragões já tinham eliminado os campeões do ano passado, os austríacos do Salzburgo e vão agora encontrar o Chelsea, outra equipa que já venceu a prova no passado. Os portistas possuem bons valores nesta equipa, que a curto e médio prazo, poderão ganhar um lugar na equipa principal. Depois do Benfica ter chegado por duas vezes à final desta competição, o futebol nacional volta a ter mais uma boa prestação nesta prova e confirma que a nossa formação continua a fazer um bom trabalho.

3 – Numa eliminatória mais complicada do que se previa, o Sporting garantiu a presença nos quartos-de-final da Liga Europa. Uma qualificação importante, a nível desportivo e financeiro, e que alimenta o sonho dos leões em chegarem o mais longe possível na competição. A concorrência é muito forte, mas é legítimo sonhar.

O Craque – Em bom plano na Serie A

O Nápoles concorre com a Juventus pelo título italiano e conta com um português: Mário Rui. O lateral esquerdo, que durante a formação passou por Sporting e Benfica, tem feito carreira no futebol transalpino e nos últimos meses foi aposta regular do treinador Maurizio Sarri. Nos últimos 5 jogos da Serie A marcou mesmo 2 golos: um remate de meia distância e um livre direto executado de forma exímia. Velocidade, apoio ofensivo no corredor e remate fácil são as valências de um jogador que pode ganhar mais experiência jogando ao mais alto nível.

A Jogada – Superar os bloqueios

André Gomes assumiu, em entrevista a uma revista espanhola, estar a viver um momento difícil em Barcelona, confessando que não se sente bem em campo pela pressão que coloca a si mesmo, chegando a sentir vergonha de sair à rua. A vida de um futebolista não é um mar de rosas, também é feita de espinhos (receios, incertezas e inseguranças). O futebol está longe de se resumir ao plano físico e tático. A componente emocional assume uma dimensão muito importante e é algo a trabalhar de forma contínua para superar bloqueios. André Gomes irá certamente vencer este desafio.

A Dúvida – Treinadores sem habilitações

Em Portugal, os regulamentos dizem que uma equipa profissional só pode ser orientada por técnicos com o curso de quarto nível. Mas vários clubes vão torneando as regras, contratando treinadores sem estas habilitações e colocando no banco um elemento que tenha o diploma. Carlos Pinto, o treinador do Santa Clara, que está na luta pela subida à 1.ª Liga, não tem o quarto nível, mas o clube não tem levado para o banco o treinador inscrito de "forma oficial" e pode vir a ser punido por denúncia de 2 clubes. Fingir que se cumprem as regras não é algo bem pior do que a posição assumida pelos açorianos?

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